PS e ALIANÇA afirmam-se pela consistência

EDITORIAL

PS e ALIANÇA afirmam-se pela consistência das propostas e pela preocupação que centram na Europa, motivo das presentes Eleições.

É vulgar o Partido no poder ser castigado nas Eleições Europeias.

Ao invés do que é habitual, os portugueses não encontram razões para castigar o Governo. As condições de vida melhoraram, o desemprego diminui, os salários crescem, as reposições de valores retirados pelo anterior governo sucedem-se, as contas batem certas, não foi preciso nunca um orçamento rectificativo (aplausos para Centeno) ao invés da sua antecessora que regularmente tinha de rectificar as contas feitas quase diáriamente…

O mesmo se passa com o nóvel ALIANÇA que apresenta um candidato ( Paulo Sande ) credível, conhecedor e livre de erros anteriores. Veja-se as propostas que vai apresentando como a da Região transfronteiriça de Castelo Branco, extremamente importante e que merecerá em breve comentário adequado.

O PSD à procura de um rumo apresenta pela terceira vez um candidato truculento (mas apenas isso), desfasado do objectivo principal para estas Eleições, faz com que o PSD vá caindo, podendo cair a um ponto insustentável para Rui Rio que comete o erro final de levar para a campanha o ex-líder desacreditado no país.

O CDS e o seu programa direitista de que Nuno Melo é expoente principal oscila e pode ter também uma derrota pesada o não eleger o seu segundo candidato.

O BE pela mão segura de Marisa Matias, concentrada nos objectivos, vai continuar a crescer.

Nota muito positiva para o esmagamento da extrema-direita pouco ou nada democrática, a gargalhada a que gerou o PPM ao ligar-se a “coisas” nauseabundas como o Chega ou o Basta (Basta mesmo) desacreditaram-se totalmente e não existem para os portugueses, felizmente.

No Domingo conferiremos as previsões que vão sendo lançadas pelas sondagens que chegam a admitir que o PSD caia para apenas 5 eleitos, o PS suba para 9 ou 10 e o ALIANÇA possa mesmo surpreender elegendo 2 Deputados, consagrando Pedro Santana Lopes como verdadeiro líder da Direita Democrática.

PF

 

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PROFESSORES

EDITORIAL

Quero expressar o meu máximo respeito por uma classe a quem reconheço (globalmente) enorme influência na formação de um país, dos jovens que são esse futuro, respeito ainda o esforço que muitos fazem diáriamente, incluindo deslocações enormes, privação de contacto familiar estreito e normal.

Muitos dos meus Amigos são professores e orgulho-me disso, especialmente pelos que perceberam que a luta de uma classe não pode nem deve ser instrumentalizaadaa pelo braço armado de um Partido, concretamente pela Fenprof e por um homem que ignora e não se preocupa com o futuro do país, refiro-me é bom de ver a Mário Nogueira, esse profissional da desestabilização social.

Tudo isto para Vos dizer que reconheço a essta e muitas outras classes a necessidade de melhoria nas condições de vida e de trabalho. Mas…

Mas, não à custa do país global.

O Governo cumpriu o que disse e foi além disso.

Comprometeu-se a descongelar carreiras, não a pagar descongelamentos aplicados por quem agora teve a triste figura de “fazer de conta que apoiava os professores“, pensando apenas no seu voto potencial.

Mas o Governo foi além do compromisso, descongelou e criou condições para a devolução de quase três anos desse descongelamento, fazendo-o como devia a outras categorias profissionais que não deviam ser ignoradas.

Fê-lo com coragem, arriscando a voracidade suicida de Partidos como o PSD e o CDS, completamente desorientados pela possibilidade de continuarem a minguar no número de militantes e de votos, temendo anos de oposição.

O populismo não compensa e, por isso, desmascarados claramente, dão o dito por não dito e voltam ao início, vitimando duplamente os professores que devem agora pensar sériamente em substituir quem os representa tão mal, procurando no futuro não ser instrumentalizados.

PF

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Venezuela, ambição de Guaidó deita tudo a perder

O recente golpe na Venezuela, mostra de novo a ambição pessoal de Guaidó que arrisca tudo e empurra o povo para um banho de sangue que pode acontecer a todo o momento.

Precipitadamente, imaginou um apoio certo das forças armadas e avançou para um golpe que voltou a falhar por falta de apoio popular e militar.

De bom, apenas a libertação de Leopoldo López, o verdadeiro líder e sobre quem a comunidade internacional concentra agora as atenções.

Refugiado entretanto na Embaixada de Espanha, é dele que se esperam agora as directivas que podem conduzir a uma indispensável negociação que permita o abandono de Maduro, ou, pelo menos Eleições livres.

Os próximos dias são cruciais.

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Notre – Dame perda imensa para a humanidade

O incêndio q
THOMAS SAMSON / AFP

. Bombeiros lutaram árduamente

De acordo com o Le Figaro, o incêndio, cuja gravidade está por determinar, teve origem num andaime localizado junto ao pináculo da Catedral de Notre-Dame, um dos monumentos históricos mais visitados da Europa.

A catedral estava a ser alvo de renovações, estando várias secções sob andaimes para se procederem a trabalhos de restauração.

Ao diário francês, André Finot porta-voz da catedral, informou que o fogo foi reportado às 18:50 locais (17:50 em Lisboa), tendo o edifício sido evacuado.

Para o local foram mobilizados cerca de 400 bombeiros e foram usados 18 canhões de água para combater este incêndio.

Um dos bombeiros ficou gravemente ferido, segundo relatos da agência Reuters bem como dois polícias, estes com menor ravidade.

Nas imagens e vídeos captados é possível ver as chamas a deflagrar no topo desta catedral em estilo gótico, com uma enorme coluna de fumo a elevar-se sobre a cidade.

O efeito prolongado do fogo já afetou toda a estrutura do teto e levou, inclusive, à queda do seu pináculo, estando a alastrar-se para o interior do edifício. “Não restará nada da estrutura (do teto), que data do século XIX de um lado e do XIII do outro“, lamentou Fino

As autoridades no local temeram não ser capazes de conter o fogo a tempo de impedir o colapso da estrutura principal, incluindo o campanário norte.

No entanto, o comandante da brigada dos Bombeiros Sapadores de Paris, general Jean-Claude Gallet, garantiu ao canal de televisão BMFTV que esta tinha sido “salva e preservada”. “Podemos considerar que as duas torres do campanário norte de Notre-Dame foram salvas”, disse Gallet, acrescentando que “a estrutura de Notre-Dame foi salva no seu todo”.

O incêndio está “totalmente extinto“, anunciou esta manhã a brigada de bombeiros da capital francesa, após várias horas de combate às chamas.

Incêndio na Catedral de Notre-Dame: O que se sabe até ao momento
Incêndio na Catedral de Notre-Dame

O incêndio está já foi extinto, comunicou o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Paris, o tenente-coronel Gabriel Plus, horas depois de relatar que o fogo estava “completamente sob controlo”, mas “parcialmente extinto” com “incêndios residuais para extinguir”.

“O fogo foi extinto na sua totalidade. Agora, esta fase é dos especialistas”, declarou numa conferência de imprensa em frente à catedral.

A mesma fonte referiu ainda que os serviços de emergência estão atualmente “a examinar o movimento das estruturas e a extinguir os focos residuais” e que centenas de bombeiros vão continuar a trabalhar todo o dia.

Vão também ser retiradas algumas obras de arte do local com a ajuda de especialistas.

Foi uma corrida contra o tempo para tentar salvar o património artístico e religioso de valor incalculável que se encontra guardado nas suas instalações, sendo que se sabe que, do seu espólio, a Coroa de Espinhos, uma relíquia católica que só raramente é exposta em público, e a túnica de São Luís, foram recuperadas.

  • Com Agências e SAPO
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Bombeiros Voluntários de Oleiros elegem nova Direcção

Empossados órgãos sociais dos Bombeiros Voluntários

. Albino Caldeira reeleito

Os novos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oleiros 2019/2021 tomaram posse no dia 8 de abril pelas 19 horas, na sede desta Associação. Depois de realizado o ato eleitoral no passado dia 16 de março, a direção eleita por maioria, será composta por Albino Caldeira como presidente, e por Armindo Lopes e Paulo Urbano como Vice-Presidentes, o secretário Filipe Mendes, o  secretário adjunto Paulino Mendes, o tesoureiro António Jorge Antunes, e os vogais Filipe Bártolo, José Luís Barata, Filipe Domingues, Francisco Ventura, David Caldeira e Cristina Garcia.

Por sua vez, a Assembleia Geral é composta pelo Presidente José Santos Marques, o Vice-Presidente Ataíde Garcia Guerra, o secretário José Luís dos Santos, o 1º suplente João André Marques e o 2º suplente Francisco Domingues. O Conselho Fiscal é composto pelo Presidente Nuno Ferreira, o Vice-Presidente Pedro Custódio, o secretário relator Duarte Domingues, o 1º suplente Ana Maria Garcia e o 2º suplente Alino Domingues.

O atual Presidente da Direção, Albino Caldeira começou por dizer que a eleição não é um regozijo uma vez que se candidatou apenas uma lista. Acrescentou que, a obra de remodelação do quartel em princípio será concluída na próxima semana, mas que há no entanto, uma segunda fase que considera necessário ser acompanhada por toda a equipa que foi agora reeleita. Albino Caldeira sublinhou ainda que é “com a mesma vontade e com a mesma força de há três anos atrás, que vamos dar seguimento a esta obra e foi realmente isso que me levou a aceitar esta reeleição. (…) Eu não posso prometer mais nada. Penso que aquilo que era prioritário foi feito, contudo a nossa segunda prioridade são agora os arranjos, a requalificação da parte exterior e deixo aqui também a grande necessidade que temos de um novo autotanque.” Num longo discurso, o Presidente da Direção terminou com um grande elogio ao Comandante Luís Antunes e a toda a sua equipa que são o pilar desta associação.

Por sua vez, o Presidente da Câmara Municipal, Fernando Jorge, demonstrou o agrado com que vê esta reeleição, destacando o trabalho que tem sido feito pelo Presidente da Direção da AHBVO e demonstrando o apoio da Câmara Municipal para com esta que é a “instituição mais prestigiada do concelho“.

Bombeiros de Oleiros

Bombeiros de Oleiros

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Associação Ribeira da Isna organiza viagem ao Alqueva

Associação Ribeira da Isna

Na sequência do plano de atividades anual da Associação Ribeira da ISNA (Oleiros), vai concretizar o evento “Excursão ao Alqueva” a decorrer já durante este mês de Abril.

Aproveite e vá. Veja os nomes e telefones dos organizadores.

. André Gonçalves, 913 073 509, Diogo Martins, 927 735 815 e

Diogo Rodrigues, 962 380 001

Associação Ribeira da Isna

Associação Ribeira da Isna

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LAFA, Liga dos Amigos da Freguesia da Amieira, celebra 42 anos, dia 27 de Abril

A LAFA, Liga dos Amigos da Freguesia da Amieira, prepara um extraordinário almoço comemorativo dos 42 anos de vida, procurando juntar todos os Presidentes em Algès (Lisboa) no dia 27 de Abril pelas 13 horas, no Restaurante Caravela de Ouro, junto à Estação de Comboios e da paaragem do electrico.

Os contactos e marcações podem ser feitos para o José Mendes ( 962 390 052), Fernando Costa (924 404 411) ou José Alves (919 418 972).

É um momento ímpar a que o nosso Jornal não faltará.

Igreja da Amieira (Oleiros)

Igreja da Amieira (Oleiros)

 

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Pinhal Interior, um livro que vale a pena

Um livro sobre o Pinhal Interior por quem lá escolheu viver (e quer mostrar o porquê)

Um grupo de jovens da região Centro vai lançar um livro com uma outra perspectiva sobre o interior de Portugal, que se desdobra entre práticas de sustentabilidade e um guia de viagens para descobrir lugares selvagens no Pinhal Interior

Na primeira parte do livro bilingue, que já está em pré-venda, o grupo aborda os erros que contribuíram “para as questões ecológicas” que hoje são colocadas, tanto a nível local, no interior do país (recorrentemente assolado pelos incêndios), como à escala global.

obra, que contou com a participação de jovens residentes na região e de uma equipa de design e fotografia da Holanda, explora também “soluções e práticas regenerativas e circulares” que podem ser aplicadas por forma a criar-se “um futuro mais sustentável e um habitat seguro para humanos e animais selvagens”.

Já a segunda parte é dedicada a um guia de viagens pelos “lugares selvagens que ainda existem na região do Pinhal Interior”, onde são apresentadas cascatas, “piscinas paradisíacas, rios rochosos e outros lugares onde as pessoas ainda podem ter uma ideia do que é a natureza selvagem”.

Apesar de na região haver várias praias fluviais, o livro procura fugir desses lugares “domesticados” e mostrar piscinas e cascatas naturais ainda selvagens.

“Além da urgência de reordenar o nosso planeta e paisagens”, o grupo aponta para a necessidade de se criar uma ligação “mais profunda” com o ambiente natural, para que possa ser protegido e conservado, refere a nota de imprensa.

PÚBLICO -

No âmbito desse guia, são apresentadas propostas de itinerários de viagens de quatro dias por alguns dos lugares favoritos destes jovens.“Se nós queremos estabelecer uma relação mais harmoniosa com o ambiente natural, precisamos de nos conectar com a natureza a um nível emocional mais profundo.

Nós só podemos proteger o que amamos. Por um lado, este livro é um convite às pessoas para descobrir áreas selvagens que permanecem no Pinhal Interior. Por outro lado, é também importante compreender o impacto do nosso comportamento destrutivo”, afirmou à Lusa Lynn Mylou, um dos membros do projecto.

A jovem holandesa, a viver no concelho de Arganil, salienta que os incêndios, cheias e temperaturas extremas “são apenas expressões da natureza de que se criou um desequilíbrio severo no ecossistema”. Nesse sentido, o livro procura chamar a atenção para esses problemas, querendo, acima de tudo, ligar as pessoas à natureza, “idealmente, com o mínimo de distracções possível”.

O livro está já disponível para pré-venda online (15 euros). Para além do livro, o projecto Wildlings, que contou com financiamento do Fundo Ambiental, desenvolveu também uma série de vídeos sobre jovens que optaram por trocar o ambiente urbano pelo meio rural, na região do Pinhal Interior, no centro do país.

  • Com Público.
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Moçambique, uma tragédia aterradora

Moçambique: “Atenção que vem aí a malária, as febres e as diarreias”

. O mundo envolve-se nesta tremenda crise e, naturalmente, Portugal mobiliza todos os meios.

. Tragédia é demasiado grande, as consequências são tremendas

. Colheitas foram destruídas

Carlos Serra explica que a equipa de coordenação da ajuda humanitária moçambicana está a preparar um barco com roupa e alimentos não perecíveis que partirá de Maputo na sexta-feira em direcção à Beira. A ajuda só chega ao destino na semana que vem.

Tem experiência com fenómenos climatéricos extremos, ou não tivesse a sua vida profissional começado com as grandes cheias de 2000. Mesmo assim, Carlos Serra, membro da equipa que está a coordenar a ajuda humanitária moçambicana para a Beira, garante que nunca viu, nem ouviu falar de um caso semelhante no seu país. “Nos meus 45 anos não me recordo nem de ter ouvido falar nem de ter presenciado, nada desta natureza”, diz ao PÚBLICO. “Hoje mesmo estive com pessoas que vieram da Beira e a descrição que eles fazem daquela madrugada é qualquer coisa de assustador.”

  • Moçambique: número de mortos devido ao Idai sobe para 354

Publicou um vídeo nas redes sociais a pedir donativos para serem enviados para a Beira de barco desde Maputo.
Como não conseguimos fazer chegar a ajuda humanitária via terrestre e o transporte aéreo tem as suas limitações e custos, pensámos nesta solução e foi no momento certo, porque um dos nossos parceiros é o porto de Maputo, que tem tido um papel muito importante no contexto da solidariedade e da responsabilidade social, que disponibilizou de imediato as instalações, onde temos montado toda a componente de armazenamento, triagem, separação e empacotamento antes de ir para os contentores. E um dos parceiros do porto, ligado à marinha mercante, disponibilizou as embarcações para o transporte marítimo até ao porto da Beira. Onde temos o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades pronto para receber todos os bens doados.

Já recolheram muitos donativos até ao momento?
Vi várias carrinhas chegar carregadas de mantimentos, que anunciámos como prioritários numa situação de auxílio à emergência. Muita água engarrafada. Garrafões grandes de cinco litros, temos muitos alimentos não perecíveis, quantidades significativas de farinha, de arroz, temos também roupa e começam a surgir algumas coisas muito importantes, designadamente redes mosquiteiras.

Quando é que o barco poderá estar pronto para partir?
Nós vamos continuar depois, mas esta primeira operação tem de estar concluída na quinta-feira, porque a previsão de partida do barco é sexta-feira, sendo necessário aproximadamente 36 horas de viagem até à Beira.Media player poster frame

Isso quer dizer que a ajuda só estará disponível na próxima semana?
Sim, contando com a retirada. Mas é importante também ter em consideração a ajuda que está a chegar através de outros meios. Além disso, vai ser necessária muita ajuda para os próximos tempos porque toda a base produtiva da região foi danificada. A nossa preocupação é que não haja ruptura nos stocks. E, portanto, este apoio vai chegar na hora certa.

Não se consegue chegar por terra de Maputo à Beira?
Não se consegue chegar por estrada porque a N6, na zona de Nhamatanda [província de Sofala], tem uma interrupção completa, não há como passar de viatura. Os danos nas infra-estruturas estão longe de estar levantados na totalidade, mas são danos muito consideráveis.

Que informação têm da situação na Beira?
Há dados oficiais que incidem na cidade da Beira e do Dondo e há uma referência à província de Manica, mas são dados por baixo. O Presidente afirmou que os mortos poderão ascender a mil pessoas e acredito que seja um número possível, pelo registo de testemunhos que estamos a receber. A força da água levou pessoas que desapareceram. Daqui a alguns dias teremos uma noção mais precisa do que significou isto em termos de vítimas mortais, mas estamos a falar do mais grave fenómeno climático extremo das últimas décadas. Os estragos são enormes. E não se pode falar só das mortes, mas de todas as vidas afectadas, toda a região agrícola danificada – os próximos tempos serão difíceis. E atenção que vem aí a malária, a cólera e diarreias. A seguir a um fenómeno destes, temos sempre a ameaça dessas doenças, por isso, há uma necessidade muito grande de medicamentos para fazer face a este cenário.

O Governo moçambicano tem capacidade para lidar com uma tragédia desta dimensão?
O Governo já tem alguns apoios e a promessa da entrada das forças sul-africanas, que já no passado auxiliaram. A tragédia é muito maior do que seria a nossa capacidade sozinha de resposta. Isto é mesmo uma questão de solidariedade que vai além das nossas fronteiras. Este não é um fenómeno qualquer, afectou quatro províncias, quase metade de um país. É algo que nunca antes presenciámos a esta escala. Todo o apoio é bem-vindo. E além do apoio que vem de fora, está a haver um movimento de apoio dentro do país que merece ser sublinhado.

E que notícias lhes têm chegado? OuAs comunicações com as zonas afectadas estão muito difíceis, mas têm conseguido saber de como está a situação por lá?
Temos alguma informação. A nível do aeroporto internacional da Beira há comunicações, em alguns pontos da cidade também, através de uma das operadoras. O nosso movimento tem uma ligação com o Ivimos falar de pessoas que aguardam socorro em cima de árvores, em cima de telhados…

É verídico. E atenção que as águas continuam a subir porque continua a chover – esta semana será toda uma semana de chuva. Portanto, o risco permanece alto. Vimos imagens hoje na TDM das equipas de emergência mistas, sul-africanas e moçambicanas, a retirar pessoas de árvores durante a noite. Há pessoas que ainda estão em telhados, em terrenos elevados, rodeadas de água e é preciso muito trabalho para levar essas pessoas para zonas seguras e estabelecer acampamentos. A cidade da Beira foi 90% afectada, muito património foi total ou parcialmente destruído. Não só no centro, como nos bairros da periferia. Muitos armazéns perderam os seus produtos, uma vela tornou-se um bem escasso e passou a custar muito mais dinheiro.

Na sua vida assistiu a algum fenómeno desta dimensão?
Com esta dimensão, não. Comecei a minha vida profissional com as cheias de 2000, que foram muito sérias, afectaram toda a região centro. Nessa altura tivemos alguns fenómenos próximos, mas não semelhantes. Nos meus 45 anos não me recordo, nem de ter ouvido falar, nem de ter presenciado, nada desta natureza. Hoje mesmo estive com pessoas que vieram da Beira e a descrição que eles fazem daquela madrugada é qualquer coisa de assustador, especialmente entre a meia-noite e as duas da manhã que foi o pico do ciclone.

PÚBLICO - Crianças num centro de abrigo temporário na província de Sofala, Moçambique

Crianças num centro de abrigo temporário na província de Sofala, Moçambique JOSH ESTEY/CARE/EPA
  • Com a devida vénia a Carlos Serra e ao Público
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Limpar a floresta e muito mais

Limpeza das florestas: se não gerir o terreno, o proprietário “tem de o vender”

Só há um caminho: mudar a paisagem. Para isso, os proprietários têm de garantir que os seus terrenos são geridos, defende Tiago Oliveira. Para o fazer é preciso reforçar o associativismo. Mas caso não sejam capazes de o fazer, é a própria sociedade que os pressionará a vender. O prazo para limpar terrenos florestais acaba esta sexta-feira, dia 15.

MIGUEL MANSO

Tiago Oliveira, engenheiro florestal, é presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais (Agif), o organismo que o Governo criou para implementar a reforma da prevenção e combate aos incêndios na sequência do ano trágico de 2017. Diz que muita coisa já mudou mas alerta que o caminho é longo. A mudança de comportamentos de risco e a gestão da floresta são as duas armas cruciais na luta de um país que recusa ver-se destruído ano após ano.

O que é que já mudou no país por força da reforma que encabeçou?
Este é o trabalho de uma equipa vasta, há 11 ministérios envolvidos. Este “programa de transformação” passa por 72 medidas que foram implementadas durante 2017 e 2018. Após os incêndios de 2017, houve duas comissões técnicas independentes que fizeram um conjunto de recomendações e o nosso trabalho foi transformá-las em projectos de alteração do modelo existente, tendo como objectivo vencer as debilidades há muito identificadas no sistema de combate aos incêndios: a questão de qualificação dos actores de forma a fazer as coisas de forma tecnicamente correcta e a forma como o sistema se governa. Mas a segunda comissão, a de Outubro, veio salientar que faltava ordenamento, faltava prevenção, faltava planeamento, proximidade com as populações e também comunicação e informação. Durante este último ano, tentámos garantir que as medidas eram calendarizadas, orçamentadas e que os responsáveis políticos e os dirigentes dos institutos têm os recursos e as competências para fazer o trabalho. Em 2018 – naturalmente que há as questões meteorológicas – houve zero fatalidades, houve menos 43% de ignições, em vez de haver mais de 116 incêndios com mais de 100 hectares houve 19 e em vez de haver 16 incêndios com mais de mil hectares, houve um. Os resultados foram positivos, a área ardida reduziu substancialmente e fomos capazes de criar um projecto englobante que envolve todos, desde o poder político às instituições.

O que é que mudou na prática? Continuamos sem ter um comando único.
Há um comando único que é o da Protecção Civil. E temos um sistema integrado para os fogos rurais que trabalha 365 dias por ano e que tem como objectivo salvaguardar a vida dos portugueses, reduzir as ignições e contribuir para a alteração da paisagem. Isto não existia. Havia três pilares e agora há uma integração destes pilares em dois grandes objectivos estratégicos: gerir os fogos rurais e salvaguardar a vida dos portugueses, isto é, combatendo os incêndios. O que mudou foi que as pessoas aperceberam-se que ter só recursos para o combate não resolve o problema, temos de ir às causas. Depois também mudou a percepção de todas as instituições, em particular do governo local, sobre a importância de defender a vida dos seus cidadãos, tendo as aldeias preparadas, as pessoas informadas, estando mais atento aos comportamentos de risco. Se não formos capazes de mudar a paisagem nos próximos anos, o problema vai persistir. A norte do Tejo, a paisagem tem de ser outra, com mais silvo-pastorícia, com mais trabalhos de mosaico e com mais gestão de combustível para que naqueles dias críticos os incêndios sejam travados.

É facilmente quantificável o reforço de meios, por exemplo. Mas a resiliência do território e a mudança de atitudes e comportamentos dos portugueses é mais difícil de quantificar. Quando diz que isso está melhor, baseia-se em que dados?
Baseio-me na atenção que o tema está a ter durante o Inverno, que era coisa que não acontecia. As ignições reduziram-se, sobretudo nos dias mais críticos. Portanto as pessoas estão mais atentas a esses comportamentos. Há mais recursos dedicados à prevenção, isto é, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está a fazer mais obra. Nos últimos 40 anos houve um grande desinvestimento na área da prevenção e esse trabalho foi retomado. Isto vai demorar tempo porque o atraso era muito grande. A questão é nos grandes incêndios estarmos mais articulados e já há um esforço muito grande para as instituições estarem mais articuladas. As populações vão estar mais preparadas, há uma campanha que convoca todos. Há um envolvimento grande dos municípios. Agora, isto só se consegue alterar quando a paisagem se modificar, quando os proprietários, em vez de serem considerados um problema, forem parte da solução, estando associados, estando com capacidade de fazer a gestão florestal, que é aquilo que falta.

Quanto à execução financeira do seu programa, encontramos, por exemplo, 3 milhões de euros em sensibilização e alteração de comportamentos. O que foi feito?
O programa tinha 72 medidas, das quais foram executadas 81%. A sensibilização tem a ver com programas feitos durante 2017/2018 que envolve, por exemplo, o programa de aldeias seguras e várias medidas de prontidão da resposta junto das freguesias. Em 2018 houve várias campanhas feitas pela Protecção Civil, pelo ICNF, pela GNR que foram consumir esse orçamento.

Este ano conseguiu-se uma campanha integrada em que sob um único desígnio, que é o Portugal chama por si e por todos, estamos todos a trabalhar para o mesmo objectivo. Havia pouco envolvimento de recursos na área da prevenção no que compete a alterações de comportamento e este ano, esse valor subiu. Permite atacar as causas do problema. Não nos podemos conformar com queimas e queimadas que geram mais de metade das ignições. Não podemos usar o fogo na paisagem como usávamos nos anos 60 porque sabemos que isso tem consequências para todos.

As práticas têm de se alterar, vai demorar tempo, porque a população rural tem os seus canais próprios de sensibilização, não é só com propaganda nos meios de comunicação, é também porta a porta. E o papel da agência é fazer a coordenação estratégica deste novo sistema, que tem como grande preocupação a monitorização de indicadores e um processo de melhoria contínua. Com novos processos e com actores mais qualificados.

Já disse que a gestão da paisagem é a parte crucial. No ano passado, houve uma grande pressão para que os proprietários limpassem os terrenos em volta das casas. Na sexta-feira termina o prazo. No entanto, Portugal tem grande produtividade vegetativa. Acha possível manter esta pressão, sobretudo sabendo que os proprietários são na sua maioria idosos não têm meios e têm surgido notícias que dão conta de falta de mão-de-obra para fazer estes trabalhos?
O território está num processo de naturalização e temos de gerir o interface entre as casas e o campo. Temos que encontrar modelos de gestão que permitam fazê-lo de uma forma eficaz e eficiente, envolvendo os proprietários, que são os donos do território. Se um proprietário assegura os benefícios e as externalidades positivas que o seu património permite gerar a terceiros, ele tem de receber uma compensação para o fazer. O modelo de gestão tem de ser questionado, imaginado de uma forma diferente para obtermos resultados consequentes com a alteração do território que necessitamos.

Sim, tem de haver mais gestão florestal, essa gestão tem de estar mais agregada, o proprietário tem de se associar. Porque senão tem de vender a sua propriedade.

Estão a ser equacionados apoios para esses proprietários, para pagar as externalidades positivas?
Há uma medida compensatória que já está a ser testada pelo Ministério do Ambiente em algumas áreas e há outras que estão a ser pensadas. Há medidas pensadas também para a biomassa. Mas um proprietário ou é capaz de gerir o seu activo sozinho ou agregadamente ou ele vai sentir a pressão para vender porque  o vizinho pode dizer que está a ser prejudicado pela sua inacção.

Vamos ter menos gente no território, vamos ter um território mais naturalizado, com mais mato a crescer porque a produtividade primária é elevada e ou somos capazes de ter modelos de gestão que alterem a paisagem ou vamos ter sempre a pressão dos incêndios. Há cento e tal anos, o Alentejo ardia muito mais que o resto do país. O que aconteceu? Houve capacidade de gerir as grandes propriedades com recurso a herbívoros, o mato é menor, a paisagem está diferente e o que temos de fazer é isso no norte. Como se faz? Com muito diálogo, com o reconhecimento dos direitos e as obrigações dos proprietários… Não podemos estar sempre a pagar a inacção.

Portanto, ou gerem ou vendem?
O Estado não pode ficar no final a pagar os prejuízos que a não-gestão do património gera.

Há vontade para pagar à cabeça, para não estar a pagar no final?
O Estado, hoje em dia, gasta, em custos operacionais, de estruturas e investimento, mais de 350 milhões de euros para gerir o risco de incêndios. Se nós dividirmos isto pela área do país dá uma quantidade de euros por hectare muito significativa.

Que chega aos proprietários?
Este valor é dos custos para o Estado, não inclui o que os proprietários também investem. Os proprietários não são o problema, têm que ser parte da solução. Agora, cada um por si não vai dar certo. O movimento associativo tem de ser fortalecido, tem que ter mais capacidade de execução e fazer cumprir contratos-programa feitos com o Estado para que a paisagem mude. O Estado tem pouca área florestal, os interfaces das cidades e das aldeias são de proprietários privados que já não usam o território da forma como usavam nos anos 60 e isso exige outros modelos. O risco de incêndio é crónico e, se não gerirmos a paisagem, mais crónico se tornará.

Falou nas queimadas mas o fogo é usado ancestralmente, até para gerir combustíveis. E continua a acontecer. No ano passado, muitos dos fogos tiveram origem nas queimadas. A Agif diz que houve zero mortes nos incêndios mas houve uma dezena de mortes nas queimadas. Ainda há aqui um longo caminho a percorrer?
São pessoas envelhecidas, que usam o fogo de uma forma desregrada, como faziam antes. Essa prática coloca a sua própria vida em risco. A deles e a de terceiros devido aos incêndios que podem gerar. Os fogos de 15 de Outubro estão muito associados às queimas e queimadas.

Por outro lado, o fogo controlado é uma importante ferramenta de gestão da paisagem.
Não é a única, há maquinaria, há herbívoros

Mas o fogo controlado tem gerado muitas críticas. Como se convence os críticos que esta pode ser uma opção ambientalmente sustentável? E porque não apoiar as queimadas com acompanhamento técnico?
Ainda recentemente, houve gente da GNR e do ICNF que visitou Espanha para ver como se envolvem os seus agricultores e pastores na gestão dessas queimadas. Esses procedimentos podem ser aplicados cá, ajudando as pessoas a queimar. O próprio ICNF tem um programa com 60 municípios de queima segura. São práticas diferentes para que as pessoas façam a queima de uma forma acompanhada, não as expondo ao risco e não o fazendo em dias de maior risco. A paisagem tem de mudar e os comportamentos também, quer a gradar [uso de maquinaria agrícola], que pode gerar faíscas, quer a gerir o lume tem de mudar. 85% dos incêndios começam a menos de 500 metros de uma aldeia ou de um caminho.

Essa mudança de comportamentos ainda não está a acontecer.
No ano passado houve uma redução de 43% das ignições.

Que dificuldades tem encontrado para organizar o sistema? A própria instalação da agência no terreno está atrasada.
Somos 20 pessoas das quais 12 estão no terreno, em dez comissões intermunicipais ainda à procura de instalações. Temos um acordo previsto com os politécnicos para ficarmos onde é desenvolvido conhecimento. Até ao final do ano estimamos ser cerca de 60 pessoas, que depois vão transitar para o ICNF. A nossa preocupação agora é formar e dar apoio nos grandes incêndios.

Estas pessoas, estão desde já a fazer o levantamento específico dos problemas de cada comissão intermunicipal para que este conhecimento que estamos a injectar no sistema seja útil às instituições, quer do lado da prevenção – saber onde limpar, por exemplo, dada a finitude dos orçamentos – mas também saber, quando houver um incêndio, onde é o combater mais eficazmente.

A agência vai ter três anos de processo de instalação. Entretanto, vai fazer a coordenação estratégica, facilitar o funcionamento da governança do sistema à escala nacional, intermunicipal e municipal, ajudando a construir orçamentos integrados. O novo modelo vai demorar um tempo a montar mas já se viu no ano passado melhorias no apoio à decisão na Protecção Civil, com maior atenção à coordenação estratégica.

A Liga dos Bombeiros é um obstáculo?
Tem sido uma parte importante da solução. Como a Liga, há outros interesses do sistema anterior que vão ter um contributo relevante e que têm sido objecto de trabalho político e administrativo junto do MAI [Ministério da Administração Interna] e da Protecção Civil. Acho que está tudo apaziguado e resolvido. Vínhamos de uma situação muito complicada, de acumulação de problemas e de debilidades há muito identificados. Agora, de frente para as causas do problema, o Governo, o país e todas as instituição estão a tentar dar o seu máximo contributo. Este trabalho faz-se com todos, num caminho de avaliação, monitorização, correcção. É importante, em particular, sabermos aprender com os erros.

A pedra de toque do sistema todo é a mudança de paisagem. Disse que são necessárias políticas lúcidas. Tem sido produzida legislação pelo caminho mas, por exemplo, em relação aos Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), o Observatório Técnico Independente já veio dizer que é uma oportunidade perdida no que toca às espécies. Concorda?
A revisão dos PROF foi concretizada com base em ideias que têm de ser ajustadas. Os PROF prevêem metas de construção de uma paisagem florestal que têm de ser revista à luz das preocupações que as alterações climáticas estão a suscitar. Os elementos da agência que estão no território vão ajustar o planeamento do PROF junto do ICNF.

Mas o observatório critica as grandes linhas orientadoras.
O observatório produz a recomendação em Dezembro quando os PROF já estavam em processo legislativo. Agora pode-se pegar nos PROF e fazer um ajustamento ao PDM [plano director municipal] e aí vamos poder dizer onde tem de haver um mosaico ou uma faixa. E esse contributo com conhecimento é que é determinante para mudar as coisas. E é fundamental o papel do proprietário, que tem a responsabilidade sobre as espécies na sua propriedade. Também temos de convocar as empresas que exploram esses recursos. Têm de ser parte da solução. E as lideranças locais têm de ser reforçadas com recursos qualificados. Isto vai demorar. Tem de ser um processo de gestão adaptativa. É um desafio para a próxima década.

Entre as actividades previstas para este ano há questões como a centralização da aquisição de equipamentos, o controlo financeiro, etc. Não será difícil mexer nestes dossiers?
Se fosse tudo para ficar como estava, não estávamos a dar o nosso contributo. É preciso mudar. Para isso, é preciso que os actores, os agentes, todos nós, mudemos a forma como fazemos as coisas. Por exemplo: a aquisição de equipamento. É necessário fazer um levantamento prévio e se queremos uma força de manutenção e combate durante todo o ano – já são 2500 sapadores mais de 1100 militares da GNR, mais os elementos do ICNF – vai ter de haver uma forma de comprar e distribuir equipamento. Como se faz lá fora. Há resistências, naturalmente. Têm sido dirimidas ao nível político e nas instituições.

Vai candidatar-se à direcção da Agif?
O concurso já está a correr. Temos de ver as condições para vermos se nos candidatamos.

Publicado em Autarquias, Bombeiros, Destaques, Economia | Tags , | Publicar um comentário
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