Proença-a-Nova, Novas formas de associativismo em tempos de pandemia

Novas formas de associativismo em tempos de pandemia

 

A crise de saúde pública provocada pela COVID-19 desde março de 2020 tem obrigado a um reajustar de estratégias em todas as áreas de atividade, incluindo no sector associativo. No caso do concelho de Proença-a-Nova, a maior parte das associações engloba as comunidades locais, num trabalho de grande proximidade que foi destacado por João Lobo, presidente da Câmara Municipal, durante o VI Encontro de Associações que decorreu a 16 de janeiro exclusivamente online devido à renovação do Estado de Emergência e ao confinamento generalizado da população. “O envolvimento das associações nas comunidades traduz o que temos vindo a dizer ao longo destes anos todos: as associações são as pequenas células que fazem com que o corpo todo funcione.

E, nessa circunstância, se 2020 foi um ano que nos trouxe uma forma diferente de nos contactarmos, apresentou-nos também novas oportunidades que nos permitem lidar com os fatores desafiantes neste ano de 2021”.

O autarca relembrou as mais de 24 intervenções realizadas nas sedes das associações nos últimos anos que as prepararam para acolher as iniciativas desenvolvidas localmente e que são cada vez mais necessárias em contextos de pandemia e num cenário de diminuição da população que será espelhada nos censos deste ano.

Isso obriga-nos a todos, evidentemente que ao Município em primeira linha, a desenvolver a capacidade de fazer diferente. É necessário combater o risco de nos alhearmos desta realidade e trazer a capacidade interventiva individual para o coletivo”, afirmou.

João Lobo deixou ainda o desafio de as associações aproveitarem estes encontros não só para a troca de experiências, mas também para colaborarem entre si em projetos diferenciadores; e recordou o regulamento municipal de conversão de áreas florestais em áreas agrícolas na faixa dos 100 metros junto aos aglomerados populacionais, num processo que as associações devem liderar e implementar nas suas aldeias. Com um conjunto de ações de sensibilização previstas para o fim de janeiro e início de fevereiro dedicadas à floresta – que tiveram de ser adiadas devido ao Estado de Emergência -, o presidente da autarquia apelou à necessidade de se reeducar os proprietários de terrenos no sentido de uma visão mais alargada da gestão florestal, até porque o fogo não conhece fronteiras. “As associações têm que ter um empenho muito mais forte neste tema”.

Numa outra área, João Lobo adiantou que a Câmara está a desenvolver todos os esforços no sentido de garantir uma cobertura de rede móvel idêntica em todo o concelho: “essa é também uma luta que temos vindo a dirimir pois não somos todos iguais, de facto, relativamente à cobertura móvel e à capacidade de termos a todo o momento a oportunidade de nos ligarmos e essa é uma condição essencial nos dias de hoje por que devemos todos pugnar”.

Por fim, o autarca voltou a apelar às associações que contribuam para a Rede de Solidariedade que está em marcha de apoio às pessoas mais vulneráveis e, sendo elas as mais próximas da população, que façam chegar o conhecimento que têm ao Gabinete de Ação Social do Município para que ninguém fique sem ajuda num momento sensível como o que se está a viver.

Na sua intervenção no VI Encontro de Associações, o vice-presidente João Manso recordou o regulamento municipal de atribuição de apoios e subsídios a que as associações podem recorrer, numa das três vertentes disponíveis: contrato-programa, protocolo ou apoio à atividade regular, bem como os prazos em vigor (terminam a 30 de março) e os documentos necessários. Em Ano Municipal dos Sabores Tradicionais, os eventos gastronómicos nos moldes habituais vão ser alterados, tendo em conta as restrições provocadas pela pandemia, num modelo que passará a envolver os restaurantes e, sempre que possível, parcerias com as entidades associativas. “Para as associações estamos a planear ter a Festa do Município e o Mercado dos Sabores de Natal, dependendo da forma como a pandemia evoluir”, referiu João Manso, deixando um incentivo para serem desenvolvidas atividades locais com a população: “queremos incentivar-vos a realizar, a uma escala mais pequena, atividades culturais, musicais, editoriais – há associações que gostariam de publicar e algumas até já publicaram livros -, atividades ambientais, de cidadania e a realizarem alguns fóruns de discussão e de reflexão sobre a vossa localidade”. O autarca disponibilizou a ajuda dos técnicos da autarquia consoante a área em que decidirem apostar, atividades que já podem vir enunciadas na planificação deste ano.

Apresentando uma realidade diferente, Carla Rothes, do executivo da Junta de Freguesia de Benfica, explicou o trabalho desenvolvido desde o início da pandemia para tentar minimizar o impacto da mesma junto dos cerca de 40 mil habitantes desta freguesia de Lisboa. “A nossa grande força foram as associações”, referiu, nomeadamente as associações de moradores, o banco de voluntariado e as que trabalham com idosos.

As associações tiveram ainda oportunidade de partilhar as suas experiências em ano de pandemia e, como forma de assinalar o Ano Municipal dos Sabores Tradicionais, foi apresentado o projeto de Carta Gastronómica do Concelho de Proença-a-Nova, tendo intervindo três chefs, Manuel Pinheiro, João Branco e Rui Lopes numa mensagem previamente gravada, e será oferecida às associações presentes uma colher de pau, tamanho XXL, elaborada por um artesão do concelho e personalizada para marcar o VI Encontro de Associações.

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