“Já leram as Cartas Íntimas de Camões?”, Palestra em Castelo Branco

PALESTRA EM CASTELO BRANCO

A Real Associação da Beira Interior, no dia 31 de Outubro, organizou uma palestra subordinada ao tema “Já Leram as Cartas Íntimas de Luís Vaz de Camões?”.

O evento que teve o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, realizou-se na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. O orador convidado foi o albicastrense, professor e poeta António Salvado.

Na Mesa esteve o orador e o Vice-Presidente da Real Associação da Beira Interior – Luís Duque-Vieira.

António Salvado, conhecedor profundo, dissertou sobre as “Cartas Íntimas de Camões” e deixou importantes notas que abaixo se citam.

” Luís Vaz de Camões, além de ser um grande poeta épico dos “Lusíadas”, escreveu várias composições líricas, escreveu peças de teatro, escreveu várias epístolas e cartas.

O padre António Vieira, o Hernâni Cidade e Francisco Manuel de Melo estudaram e analisaram a obra de Luís Vaz de Camões.

Camões aquando esteve na índia correspondia-se com um amigo, onde acusa o seu destinatário de falta de notícias, mostra descontentamento com a “Mãe-Pátria” (Portugal), fala da índia Portuguesa, de ser vítima de más-línguas, mal querenças e invejas, também fala das nativas de Goa.

Camões nasceu por volta de 1524, provavelmente em Lisboa, oriundo de uma família da pequena nobreza, terá frequentado o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra (com uma riquíssima biblioteca) onde terá bebido a espantosa cultura onde patenteará muitas composições em os “Lusíadas”.

Em Lisboa em consequência de algumas amizades com uma família da alta nobreza, terá feito parte dos serões da corte de Dom João III. Além de excelente poeta, era brigão e um sujeito de trato altivo. Esteve exilado em Constância. Como militar vai para Ceuta, onde perdeu um olho.

Regressa a Lisboa, é preso após uma rixa, ao ser libertado vai para a índia como soldado-raso. É provedor dos defuntos e ausentes em Macau, onde é acusado de corrupção e com isso regressa a Goa (onde na viagem à um naufrágio, mas Camões salva a grande obra épica de “Os Lusíadas”), ao chegar a Goa recebe ordens para viajar até Portugal, durante a viagem passa por Moçambique, onde sem dinheiro para continuar viagem, terá tido ajuda monetária do cronista Diogo de Couto. “Os Lusíadas” são publicados no Reinado de Dom Sebastião I.

Numa outra carta, Camões utiliza um estilo mais cuidado, com uma elaboração pausada, linguagem conceituosa, pois certamente o destinatário seria uma pessoa de levada cultura.

Em outra carta, Camões escreve de Lisboa a um amigo residente em Coimbra, onde fala da vida secreta de Lisboa onde utiliza a sátira onde critica fidalgotes apaixonados, proxenetas, fanfarrões e religiosos.

Noutra carta, Camões envia a Dona Francisca de Aragão, dama do Paço, três glosas sobre o mote que a dama lhe havia pedido. Parece que nesta correspondência haverá alguma intimidade.

Na última carta referida na palestra, que Camões também escreveu em Lisboa, onde existe algum erotismo, onde dá notícias a um amigo, sobre as rameiras de ambos conhecidas.”

Durante a palestra Manuel Costa Alves recitou poesia e no final da palestra ouvimos duas composições musicais de Antónia Carvalho acompanha na viola por José Manuel Mendes.

Luís – Duque Vieira, Vice-Presidente da Real Associação da Beira Interior

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