NÓS Cidadãos de Oleiros e os incêndios no Concelho

  • SOBRE OS INCÊNDIOS

Desde outubro de 2013, quando fomos eleitos, temos invocado a floresta como a principal riqueza do concelho de Oleiros.

E desde o primeiro momento que defendemos uma política concreta e pro ativa em defesa desta riqueza

De tempos a tempos, lá foram sendo invocados “os maiores investimentos de sempre na floresta” que, bem vistas as coisas, se resumiram a pouco mais do que um conjunto de contratos de estabilização pós incêndios.  No fundo, uma mão cheia de quase nada!

E qual foi o resultado de tudo isto?

O incêndio de setembro consumiu a maior mancha de pinhal bravo de que há memória no concelho de Oleiros.

O que aconteceu neste fatídico mês leva-nos à triste conclusão de que não aprendemos nada com 2017; e antes de 2017 já não tínhamos aprendido nada com 2005 e 2003; e antes destes com 1991.

Mais triste do que esta conclusão é que, uma vez mais, não tivemos gente à altura dos acontecimentos. Houve até quem se apressasse a recorrer ao dicionário e conseguisse traduzir a inacção e a incúria por fatalidade!

A triste conclusão a que chegamos é que as nossas gentes não tiveram quem cuidasse delas e dos seus bens! Não tivemos ninguém que, apaixonadamente, cuidasse dessa riqueza como o fez aquele guardador de ovelhas tornado rei!

Há um conto ancestral…

Um dia, ofereceram a um homem um reino  que ele não queria aceitar. Decerto julgava nem ter grande arte para as coisas do reino! E, sobretudo, porque o que gostava mesmo era de guardar o seu rebanho e de continuar nas suas rotinas… 

No entanto, alguém lhe disse, “(…) Sabes? Precisamos de pessoas que cuidem de nós, como tu cuidas das ovelhas do teu rebanho”.  

E o homem lá encontrou forças (…) e (…), caminhou apaixonadamente com as suas gentes. E quando as deixou, o povo chorava e dizia: “Deixou-nos alguém muito importante para nós, não por ser um Rei, mas porque foi um simples homem que nos deu do seu tempo, e por isso foi Rei”

Se substituirmos as ovelhas e os rebanhos por pinheiros e floresta, este conto de milénios, poderia ser também o nosso conto, assim tivesse alguém sabido e querido cuidar da nossa floresta.

Este incêndio de setembro de 2020 foi um dos maiores de sempre a afectar o concelho! Apesar disso, ainda há quem consiga vislumbrar “pequenos sucessos” no meio de tanta desgraça! Quem, a partir da inacção, consiga considerar que “tudo poderia ter sido muito pior”, como se não tivesse sido suficientemente grande e desastroso.

Da nossa parte, não nos resignamos! Apesar de tamanha desgraça, continuamos a crer que a floresta continuará a ser o principal motor de desenvolvimento deste concelho e que ao Município compete também cuidar dela.

Muitas vezes, nas desgraças também nascem oportunidades e cremos que este se pode tornar um grande momento: o momento de (re)pensar a nossa floresta, de a tornar mais resiliente e mais diversificada. Este é o momento para se pensar o emparcelamento e tornar a nossa principal riqueza capaz de captar o investimento de que necessita.

Para isso, precisamos de pessoas competentes, que não se resignem, que sejam capazes de motivar, que vejam mais além, que congreguem e sejam audazes!

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009. Lutamos arduamente pela defesa do interior, o apoio às famílias e a inclusão social. Batemo-nos pela liberdade e independência face a qualquer poder. Somos senhores da nossa opinião.
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