O Covid-19 – Uma opinião controversa?

O COVID 19 – UMA OPINIÃO CONTROVERSA?

Perguntaram-me há dias, se a minha vida se tinha modificado com o aparecimento do Coronavírus e como encarava o futuro.

É evidente que são perguntas triviais e de resposta sem grande discernimento intelectual, contudo, perante a diversidade de opiniões que circulam, a pergunta acaba por ter a sua oportunidade.

Claro que a vida de todos nós se modificou, a exigência do confinamento social e das precauções generalizadas na vida diária, condicionaram e continuam a condicionar o nosso modo de estar e, até mesmo a nossa saúde mental, principalmente pela incerteza do futuro.

Como encaro o futuro!

Ora vejamos, peço aos leitores que acompanhem o meu raciocínio, por mais cruel que o considerem:

Em todas as épocas existiram epidemias, pestes, guerras e outras calamidades que a humanidade tem conseguido superar. O percurso histórico tem-nos mostrado que, após períodos tempestuosos, a reflexão criativa potencia-se na busca de meios de superação para a fragilidade da vida. De facto, muito tem conseguido o Homem na ânsia de ir mais além, num percurso mais ou menos longo, em que as gerações vindouras acabam por esquecer um passado que não viveram e seguem em frente, deslumbradas com os sucessivos progressos que lhes proporcionam a materialização dos seus anseios. Inconscientemente ou porque a força que as move é alienatória, não se dão conta que fazem parte de um mundo regido por leis naturais, matriz primordial do Universo, que no seu movimento incessante procura o equilíbrio na harmonia. Se existirem obstáculos para a concretização desse equilíbrio, o mundo entra em descompensação.

A minha interpretação, talvez um pouco filosófica dirão, é de que estes ciclos calamitosos fazem parte, justamente, da necessidade de reposicionamento e de reequilíbrio do sistema cósmico universal. Na era em que viemos, o aquecimento global pelo excesso de poluição, a ânsia material que ultrapassa a ética e o respeito pelo outro, a ganância e a competitividade  dos povos mais desenvolvidos com o desrespeito pelos recursos naturais,  suficientes para todos, mas não para desperdiçar,  conduzem a um desequilíbrio pandémico com repercussões devastadoras.

Com as novas tecnologias que avançam a ritmo incontrolável e inconsequente, que previsão se pode ter para o futuro? Ninguém sabe ao certo.

A ciência tem feito progressos notáveis em todas as áreas, com destaque para a prevenção e cura de doenças que prolongam significativamente a vida do ser humano, apesar do desgaste corruptível do tempo, que é incontrolável. Esta vitória da medicina é, de facto, um avanço formidável, contudo pergunto: Em certos casos, valerá a pena viver mais tempo sem qualidade de vida?

É minha convicção que não é misericordiosa a vida sem dignidade.

Lembro o depósito de pessoas idosas, armazenadas em lares que as acolhem com proveitos generosos, enquanto a morte não as liberta do aprisionamento social e familiar, muitos delas sentindo que são um fardo pesado para a sociedade e para as suas famílias. E nesta fase que vivemos, questiono-me ainda: Por que razão estes idosos são os mais penalizados com a pandemia?

A resposta é óbvia: A Natureza tem a capacidade inteligente de se autorregular quando sente que se afaste da harmonia conducente ao equilíbrio universal, pelo que precisa de eliminar os excedentes que a sufocam e, nesta premência, arrasta tudo o que é desnecessário incluindo o ser humano debilitado, sem capacidade regenerativa.

E pergunto ainda: Não será também um apelo à necessidade de mais Amor?

Relevo que defendo os cuidados paliativos para aliviar o sofrimento prolongado, mas não aprovo a manutenção da vida quando a situação é irreversível, assim como não aprovo a eutanásia, defendo sim que esse é um desígnio da Natureza que lhe foi atribuído pelo Criador.

A humanidade será obrigada a saber interpretar estes sinais, que a Ciência não explica, mas que podem ser sentidos pela Consciência Coletiva.

Por isso surgem estas chamadas de atenção do PLANETA, para que se pense nas leis primordiais e irrefutáveis que não permitem prevaricação nem desregradamente.

Depois da experiência vivida, recomeçará um novo ciclo em que tudo se repetirá num eterno recomeçar, em que o homem, pela sua natureza material e espiritual, procura infinitamente a razão para a sua existência, sendo o hedonismo o seu esteio.

Fica aqui um ditado chinês que afirma sabiamente: «Cuida bem da Terra, ela não te foi dada pelos teus pais, ela foi-te emprestada pelos teus filhos». 

Maria Alda Barata Salgueiro (Dra)

 

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