Simão Bolívar é a lenda da Venezuela

Simão Bolívar é a lenda da Venezuela, com culto patriótico garantido. Sobre ele leia-se “El culto de Simón Bolívar do historiador Germán Carrera Damas e de John Lynch, Bolívar, uma Vida.

Bolívar foi um grande líder militar e político, um humanista liberal e progressista, talvez um visionário, mas também um aristocrata, proprietário de escravos e com valores capitalistas.

Chávez interpretou o bolivarianismo para os seus objetivos: autonomia nacional, democracia participativa, economia autárquica, distribuição da renda do petróleo e luta contra a corrupção e a pobreza. Para esta nova ideia política singrar contou muito a influência de Fidel Castro e as teorias do mexicano-alemão Heinz Dieterich Steffan, que queria “adaptar o socialismo ao novo mundo” através do “socialismo do século 21”

A chamada “Revolução Bolivariana” acabou substituída e absorvida pelo “socialismo do século 21”. Os Estados Unidos fizeram e fazem todo o possível para torpedear a revolução bolivariana através das sanções económicas .Face aos objetivos ambiciosos, os resultados alcançados são patéticos

A teoria económica de Dieterich exige planeamento central , uma “medida de valor” de produção, e o “intercâmbio equivalente” de produtos, ou seja, adaptações da teoria do valor marxista, notoriamente ultrapassada

Dieterich fala ainda de instrumentos sociais e políticos: “desenvolvimentismo regional democrático” (integração regional), democracia participativa intensa (eleições frequentes, referendos, etc.), e ” organizações populares” de base (comunas, cooperativas “Círculos bolivarianos”, comissões de vizinhos, etc.).

A doutrina de Dieterich foi seguida não só por Chávez, mas também por Lula da Silva no Brasil, Correa no Equador, Morales na Bolívia, e Ortega na Nicarágua. Contra eles vieram os governos Obama e Trump . Obama estava centrado no Médio oriente. Trump quer largar as guerras do Médio oriente e regressar ao quintal dos EUA que inclui Venezuela e Brasil e Colômbia. Donde o fluxo de retórica sobre o amor da América pela democracia e os direitos humanos.

Muito recentemente, Dieterich afirmou em entrevista, que “o socialismo do século 21 falhou na América Latina. ”
A sua previsão é de que os militares acabarão por expulsar Maduro – ou mais precisamente, deixarão de o proteger e o povo venezuelano poderá realizar uma nova eleição. Resta saber o papel da Rússia e da China nessa transição.

O mito de Bolívar deverá funcionar de novo, desta vez na reencarnação dos militares que querem pôr fim ao espectro de guerra civil.

De momento 10 a 12 milhões de venezuelanos são chavistas e ainda apoiam Maduro.
Aguardamos.

  • Mendo Henriques

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