O apelo de Macron às parcerias europeias, por Mendo de Castro Henriques

O apelo de Macron às parcerias europeias 

Estive a ler o discurso fundador do presidente francês na Sorbonne a 26 de setembro.

É alguém que sabe que os seus objetivos terão de ser partilhados para serem alcançados.

Há uma sua frase que define a atitude
“Vous vous êtes habitués à la résignation, pas moi.”

Macron quer relançar a Europa, há muito desprovida de visão de longo prazo, enfraquecida pela globalização, cheia de burocracias, excessos de regulação e processos de decisão que ora são complexos, ora exigem uma difícil unanimidade.

O Brexit e o aumento dos partidos nacionalistas anti-europeus fizeram explodir a bolha burocrática em que a Europa vivia.

Após reunir com 22 dos 27 líderes da União Europeia, Macron quer definir a Europa wur vale a pena em seis áreas fundamentais a estabelecer mediante parcerias

A chave deste novo roteiro que ele quer ver debatido até ao verão de 2018 é a Europa a várias velocidades, ou de cooperação reforçada ou de parcerias.

O que Macron chama países pioneiros podem unir-se em torno de uma política e “países que não querem não serão capazes de impedir que outros avancem” sem buscar unanimidade ou “menor denominador comum”.

Há seis áreas fundamentais de intervenção: finanças, digital, sustentabilidade, segurança e defesa, migração, e agências de integração

– Um ministro das Finanças e um orçamento específico para os 19 países da área do euro, controlado por um “parlamento do euro”.
– Um sistema de tributação das grandes empresas digitais.
– O desenvolvimento sustentável, com um “preço justo” para o carbono e programas industriais e de infraestruturas de apoio aos veículos limpos.
– Na Defesa, uma força de intervenção militar comum, um orçamento de defesa comum e uma “doutrina comum”.
– Reforçar as capacidades dos serviços de informações face ao terrorismo; uma agência europeia de proteção civil, para uma resposta mais eficaz a catástrofes naturais, euma agência europeia para os refugiados

Macron refere-se três vezes a Portugal (e à Espanha sempre em paralelo): a propósito da entrada no Mercado comum que foi também acesso às liberdades; a propósito do mercado de energia ;e a propósito da vontade de estabelecer parcerias que encontrou no governo português.

Estamos perante um discurso fundador, de um dirigente europeu do século XXI. A ser correspondido pela sr.ª Merkel, como se espera, teremos aqui um eixo de refundação da Europa que é muito necessário nos tempos críticos que atravessamos.

Macron é um estadista, não é um vulgar político democrático eleito. Já o tinha revelado e voltou a mostrá-lo neste discurso da Sorbonne. Em vez das conhecidas arrogâncias políticas, por vezes gaulesas, mostrou a vontade de definir um roteiro de cooperação e parcerias.

Entre muitos anões europeus, nomeadamente britânicos, revelou grandeza.

Mendo de Castro Henriques

Mendo de Castro Henriques

* Mendo Castro Henriques, Colunista do Jornal de Oleiros

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