Portugal tem de contar no futuro com incêndios florestais devastadores

PORTUGAL TEM QUE CONTAR NO FUTURO COM INCÊNDIOS FLORESTAIS DEVASTADORES

A mudança no clima acentuar-se-á em Portugal

Especialistas internacionais advertiram que Portugal no futuro tem que contar com incêndios florestais devastadores; isto implica um trabalho nacional sério de reordenamento do território e evitar a negligência governamental manifestada até aqui; os políticos portugueses não podem limitar-se a andar ao sabor da emoção e atrás do acontecimento como mostra em Portugal a ausência de serviços florestais!

Thomas Curt da  IRSTEA (Organização de Planeamento Físico e ordenamento do território e problemas estruturais na França), diz que em Portugal nos últimos 50 anos as temperaturas subiram mais que na média mundial. A desertificação da floresta mais ajudará o processo em via! Temos a sorte de ter o atlântico à beira, mas as pessoas do interior cada vez serão mais obrigadas a abandonar as suas terras e deste modo a abandonar a defesa e o cultivo do interior. (Enquanto os nossos políticos maiores continuarem a considerar-se refugiados da província em Lisboa, Portugal inteiro não terá hipótese!)

O relatório dos fogos de 2011/12 foi feito em 2014 mas só foi publicado a 20 de Junho passado como refere o Público, não se fale já dos outros… A confirmar a atitude política em relação à desgraça nacional de tantas famílias destruídas e de tanta natureza devastada, o nosso Parlamento, prefere “ir de férias não dando andamento ao pacote florestal, parado há dois meses na comissão de Agricultura”.

Servir-se da experiência estrangeira

Seria de implementar a ideia do envolvimento de técnicos estrangeiros no sentido de melhorar soluções e evitar questiúnculas de possíveis envolvimentos e aproveitamentos partidários; um estudo sobre o que se faz noutras nações, com problemas semelhantes, seria muito útil porque embora tenhamos estudos científicos sobre o assunto, os resultados de investigações ou de projectos dependem também, por vezes, da cor política de quem os elabora. Certamente, seria óbvia a criação de trabalhadores florestais (guardas florestais que trabalhem na sua demarcação).

Na Alemanha que é um Estado que tem as florestas primorosamente em bom estado e bem administradas porque possui administração descentralizada e naturalmente com guardas florestais por todo o lado (estes são verdadeiros técnicos aficionados pela floresta como pude constatar em tempos passados!)

Na Alemanha os guardas florestais assumem várias funções; esta profissão ocupa-se também do aproveitamento económico sustentável das florestas, tendo em conta as suas funções ecológicas e sociais. A sua situação de emprego e respectivas funções depende dos diferentes caracteres da floresta. A caça pode contar entre as suas tarefas. Na Alemanha os “ guardas florestais “ são geralmente engenheiros com um estudo próprio.

Gonçalo Ribeiro Telles dizia: «É urgente fazer o reordenamento do território “a sério,” não para a floresta mas para as árvores em todas as suas funções».

Urge a reactivação da carreira de guardas-florestais e a revisão das suas tarefas. De facto, seria mesmo pobre uma organização que se limitasse apenas a vigar a floresta. (De lamentar manifestações e sindicatos que se preocupam só com ordenados e com aumento de pessoal e não se preocupam mais pela organização moderna de serviços florestais e pela eficiência e qualificação dos seus membros.

Mudar de atitude e de política

Uma cultura da artificialidade e do artifício, desconsideradora do natural e da natureza não põe luto pelas árvores, não chora ainda pelas árvores ardidas! Também as diferentes espécies vegetais com o seu habitat natural esperam por serem defendidas.

Uma pólis preocupada com o dinheiro fácil (eucaliptos em demasia) e com o consumo refugia-se no gueto da cidade sem consciência do que deveria investir e fazer pelas aldeias e pelas regiões. Portugal, com o seu centralismo obsoleto em Lisboa continuou na República o que o espírito monárquico tem de criticável.

Naturalmente, não chega criticar por criticar nem ser contra os críticos. Quanto mais viva for uma sociedade civil maior será a expressão de opiniões e as suas intervenções! O espírito crítico é o pressuposto para o avanço de uma cultura!

Homenagem seja feita aos mortos e ao povo comovido que se mostra imensamente solidário com a sua ajuda concreta às vítimas de forças alheias e da incúria social e política.

INCÊNDIO CATASTRÓFICO DE PEDRÓGRÃO GRANDE – OS SENTIMENTOS E COMPAIXÃO PARA AS FAMÍLIAS DAS 62 PESSOAS MORTAS

Onde as forças da Natureza se juntam à Negligência política

O número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande aumenta para 64. E 59 pessoas ficaram feridas e 18 estão a ser tratadas em hospitais. O Inocêncio começou às 14H00 de 17.06 e teve origem num relâmpago de uma trovoada seca (sem chuva). Cerca de 700 bombeiros procuram extinguir o fogo com o apoio de 220 veículos de emergência e dois aviões.

Há outros fogos de menor envergadura em outras regiões do país. Os Média referem que a França, a Espanha e a Rússia disponibilizam aviões de combate ao fogo.

A União Europeia prometeu assistência a Portugal. O governo de Lisboa tem negligenciado a província e sempre que há incêndios fala da necessidade do ordenamento do parque florestal.

As forças da natureza juntam-se à negligência humana. O problema da florestação e a falta da criação de corredores antifogos são cruciais; em muitos casos o Eucalipto é gasolina na floresta.

A política centralista de Portugal concentra a sua atenção em Lisboa discriminando as regiões do interior pela negativa. Tem negligenciado a província e sempre que há incêndios fala da necessidade do ordenamento do parque florestal.  Até agora não se tem visto grande coisa nesse sentido. Lisboa tem um estômago demasiado grande para poder deixar algo das entradas dos impostos para investir no regionalismo.

O governo declarou um luto nacional de três dias, de segunda-feira a quarta-feira.

Já no ano passado, os incêndios destruíram mais de 100.000 hectares de terra. É verdade que num país com mais de 3,5 milhões de hectares de floresta se torna muito difícil evitar muitos dos incêndios. Isso, porém, não deve constituir desculpa! Nem tão-pouco se pode ficar por gestos simbólicos de solidariedade. Investimentos orçamentais nacionais em aparelhos militares deveriam ter em conta o apoio aos incêndios!

Um sofrimento vivido, uma revolta engolida, uns minutos de silêncio, umas críticas perdidas e umas anotações explicativas do que acontece acabam por ser ultimados com o conformismo. A questão são as vítimas e o comodismo que nos leva a habituar a tudo!

Fogos devastadores no futuro

Fogos devastadores no futuro

*António da Cunha Duarte Justo, Correspondente na Alemanha

Sobre Jornal de Oleiros

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