I Guerra Mundial, familiares de proencenses recordam conflito

Familiares dos combatentes proencenses da I Guerra Mundial recordam histórias do conflito

Os familiares dos proencenses que participaram na I Guerra Mundial foram convidados a partilhar as histórias que ouviram contar aos combatentes do primeiro conflito mundial com o objetivo de serem compilados numa futura publicação. O convite à partilha foi deixado pelo professor António Silva durante a apresentação que fez na conferência de homenagem que se realizou este sábado, 25 de março, e que tem como objetivo reconstruir uma história menos conhecida dos cerca de 250 proencenses que foram obrigados a deixar as suas casas para combater em Angola e em Moçambique pela posse das antigas colónias portuguesas e também em França, numa das frentes da guerra de trincheiras que se combateu de 1914 a 1918.

Na sua apresentação, António Silva mostrou algum do espólio que foi emprestado por privados para a exposição que estará patente no auditório municipal até 30 de abril, nomeadamente postais trocados entre os soldados e as suas famílias e fotografias da época.

A mesma apresentação foi feita na sexta-feira, 24 de março, para 3 turmas do 9º ano do Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova.

Também uma canção feita por João Fernandes, soldado da Cor da Cabra, permanece viva e foi cantada por uma vizinha que a aprendeu quando nova. “Vou para a Guerra da França, minha mãe fica a chorar, todos dizem coitadinho, ai de mim qu’eu vou-me a andar”, foram os versos cantados por Maria do Rosário Alves no momento em que no auditório municipal foram projetados os nomes dos soldados confirmados como tendo combatido nas diversas frentes da I Guerra Mundial.

Ainda existem dúvidas quanto a outros soldados que, não tendo nascido no concelho, tinham as suas raízes em Proença-a-Nova, estimando-se por isso que, no total, tenham sido mais de 250 os que viram a sua vida e a vida das suas famílias irremediavelmente afetadas.

Apesar de apenas oito proencenses terem falecido durante o conflito, alguns dos que regressaram acabaram por morrer na sequência de sequelas da guerra e outros mantiveram-se com maleitas resultantes da presença num conflito que vitimou mais de nove milhões de pessoas.

No Parque Nossa Senhora das Neves foi realizada uma cerimónia militar junto ao monumento de Homenagem aos Proencenses Combatentes na I Guerra Mundial que contou com a presença do Major-General Aníbal Alves Flambó, que presidiu à cerimónia em representação do General Chefe do Estado-Maior do Exército.

No rescaldo da homenagem, partilha-se parte da mensagem deixada por João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, no monumento de homenagem: “Para que as gerações de agora e as que virão saibam que um dia houve proencenses que trocaram as enxadas por armas, as póvoas por trincheiras, o cuidar da terra pela guerra. Não foi uma escolha. Mas não voltaram as costas. Para que o seu exemplo não precise de ser repetido, sinal de que conseguimos utilizar a força do humanismo para, em cada tempo, construirmos sempre a paz”.

A partilha de histórias e documentos pode ser feita contactando a Câmara Municipal.

Homenagem em Proença-a-Nova

Homenagem em Proença-a-Nova

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