Vender local versus comprar global, por Ludovina Lopes Margarido

Vender local Vs comprar global

Numa sociedade mediatizada e global importa perceber até onde podemos aceitar as regrar de uniformização impostas pelo mercado.

Como professora e responsável por um equipamento municipal tenho sempre a preocupação de referir, nas ações de sensibilização que faço com crianças e jovens, a importância da produção de bens de primeira necessidade de forma responsável e em harmonia com a natureza: a produção de alimentos em modo biológico ou até de forma tradicional, sem recurso a químicos e pesticidas proporciona alimentos mais saborosos e com benefícios para a saúde.

O mesmo acontece com a produção animal para consumo humano ou para produção indireta de alimentos como leite ou ovos… até aqui é tudo muito bonito e edílico… se tivermos em conta as pequenas produções!

Ideal ou idealista?

Ambas.

Ambas porque a pequena produção é necessária, não só como sinónimo de auto suficiência de quem os produz mas também porque os excessos de produção, supostamente, entrariam no mercado formando uma “espiral” cujos benefícios são importantes para a economia… mas a verdade é que  esta equação tem uma incógnita que não podemos escamotear: como podem entrar esses produtos na economia? Como podem ser feitas estas vendas a nível local? Não podem.

Como dona de um restaurante não posso servir à mesa, aos meus clientes, aquelas batatas que o meu vizinho produz em pequenas quantidades ou aquele azeite virgem, produzido de forma biológica que levaria aos céus o palato de qualquer mortal!

E não posso porque lhe falta “o selo”! infelizmente as normativas europeias, que vieram introduzir regras na produção e comercialização dos bens encontraram em Portugal um território onde tudo é levado à letra… na mesma União Europeia, noutros países, as produções locais são acarinhadas e o seu comércio é incentivado e valorizado.

É facilitado ao agricultor um selo com o seu número de produtor e com as características do produto e os bens são escoados ao preço justo. Assim se cria valor para quem produz e para quem consome.

Deixa de haver intermediários, essa “classe” que enriquece à custa do suor dos que trabalham a terra com as mãos!

Nestas e noutras matérias, Portugal continua a viver num regime onde se é ”mais papista que o papa” !

Ludovina Lopes Margarido

Ludovina Lopes Margarido

  • Ludovina Lopes Margarido, Correspondente na Guarda

Docente, Técnica Superior e Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009. Lutamos arduamente pela defesa do interior, o apoio às famílias e a inclusão social. Batemo-nos pela liberdade e independência face a qualquer poder. Somos senhores da nossa opinião.
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