Ciúme – Quando se torna doentio, por Vera Silva Santos

Ciúme – Quando se torna doentio

Desde obras de literatura, a texto bíblicos, desde a dança e pintura, ao teatro e cinema, o ciúme atravessa épocas e múltiplos contextos culturais.

Em Otelo de Shakespeare o ciúme é representado através de um monstro de olhos verdes. E hoje, o ciúme é um mal necessário ou um monstro indesejado?

De uma forma simples podemos dizer que o ciúme se refere ao medo que a pessoa sente em perder a importância que detêm na vida do outro.

Podemos perguntar-nos porque sentimos ciúme? A verdade é que o sentimos por um mito gerado pela própria sociedade. Há a crença de que muitas pessoas traem o parceiro num relacionamento e esta crença gera ansiedade e angústia em relação aos nossos próprios relacionamentos.

Damos demasiada importância a esta crença, passamos a olhar para o nosso companheiro como um potencial traidor e aí tendemos a iniciar comportamentos de controlo e de poder. Estes comportamentos aumentam de frequência e intensidade em situações em que temos uma baixa auto-estima, sensação de raiva, desconfiança e tristeza e ainda, aumentam quando existe a interferência de terceiros na relação.

Não é simples estabelecer o limiar entre o ciúme normal e o patológico.

Há quem diga que toda a relação pressupõe um determinado grau de ciúme com o intuito de testar o amor existente, já que a apatia pode revelar falta de interesse.

Contudo, em termos clínicos podemos dizer que o ciúme é patológico quando causa sofrimento à pessoa que o vivencia ou à pessoa que é alvo do ciúme.

E aqui temos um ponto fundamental: ao contrário do que a maioria pensa, ambos apresentam sofrimento (quer o “agressor”, quer a “vítima”).

Quando patológico, o ciúme está permanentemente no pensamento do “agressor”, torna-se omnipresente, diminuindo a capacidade de a pessoa se centrar em pensamentos alternativos positivos. Por isso, existe sofrimento nesta pessoa e este sofrimento prolonga-se para a “vítima” do ciúme.

Como sabemos, a linha divisória entre a imaginação e a certeza é demasiado ténue.

Muitas vezes as dúvidas infundadas transformam-se em ideias instaladas que precisam de verificação, de procura de provas e de questionamento constante.

Daqui parte o controlo, a submissão, a perseguição, a humilhação e, por vezes, a agressividade.

O degrau a seguir é, muitas vezes, a violência e o homicídio. Vidas estragadas com danos difíceis de recuperar.

E tudo isto começou com uma crença…

Vera Silva Santos

Vera Silva Santos

+ Vera Silva Santos, Psicóloga, Colaboradora na Sertã

www.verasilvasantos.webnode.pt

 

 

Sobre Jornal de Oleiros

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