PDR desagrega-se – Direcção de Castelo Branco abandona o Partido

PDR desagrega-se, Direcção de Castelo Branco abandona o Partido

Pela importância, publicamos na íntegra a Declaração Política de José Lagiosa e dos colegas de direcção

José Lagiosa

José Lagiosa

DECLARAÇÃO POLÍTICA

Nós que fomos as caras oriundas de Castelo Branco, na lista de candidatos a deputados do PDR, Partido Democrático Republicano, nas Legislativas de outubro de 2015, eu próprio, a Patrícia Oliveira que entretanto emigrou para França, o André Mateus e o Mário Mendes aqui ao meu lado esquerdo e o nosso Mandatário Financeiro Distrital, o Ricardo Santana, ao meu lado direito, queremos em primeiro lugar agradecer aos 1086 (mil e oitenta e seis) eleitores que acreditaram em nós, na equipa que apresentámos em nome do PDR e no programa eleitoral e nas propostas para o país e para o distrito, que nos garantiram, então, o quinto lugar, no distrito, logo após o PS, o PSD/CDS, o BE e o PCP/PEV.

Em segundo lugar queremos, em simultâneo, apresentar aos mesmos 1086 eleitores, os nossos pedidos de desculpa pela declaração que vamos ler que, os podem fazer sentir defraudados mas que representa o nosso estado de espírito actual e o que nos garante a paz com a nossa consciência e portanto este pedido de desculpas é um dever para com esses eleitores.

A prestação de contas, em política como noutros aspectos da nossa vida colectiva e particular deve ser uma prática corrente e é que isso que agora estamos a fazer.

Aderimos ao Partido Democrático Republicano no início de maio de 2015.

 Fizemo-lo porque acreditámos então, que o PDR era uma lufada de ar fresco e poderia ser a “Pedrada no charco” que o país e o sistema político partidário necessitavam.

Fizemo-lo com convicção, determinação e grande empenho, desde a primeira hora ao ponto de termos constituído o núcleo concelhio antes da 1ª Assembleia de Filiados, de tão má memória, em maio de 2015 em Lisboa.

Começaram aí os problemas do PDR e uma caminhada que em nada ajudou o partido a organizar-se, credibilizar-se e afirmar-se.

Desde esse fatídico dia, o futuro do PDR, perante os eleitores portugueses, perdeu crédito como vieram a demonstrar os resultados eleitorais.

A partir de maio de 2015, o trajeto de consolidação organizativa foi um desastre, o programa eleitoral nacional, mostrou-se desfasado das necessidades de um partido novo, a planificação da campanha eleitoral foi arcaica e inconsistente, os tempos de antena na TV “arrepiantes” em qualidade e mensagem e se em maio as coisas já tinham corrido mal, em outubro pioraram sem o PDR ter conseguido eleger, pelo menos um deputado a nível nacional.

Considerámos que face ao número de votos alcançados teríamos então possibilidades de pensar e organizar calmamente e consistentemente o PDR, o que permitiria concorrer às Autárquicas de 2017 com algum conforto organizativo.

Erro nosso, os abandonos de membros de órgãos nacionais, de quatro dos seis fundadores do PDR, criou uma onda de desmotivação, nas hostes que ainda trouxeram mais problemas e abandonos.

Chegados aqui e quando parecia começar a haver uma pequena luz ao fundo do túnel, eis para surpresa de muitos, não sei se de todos, acontece o caso Braga com as nefastas ligações que alguma comunicação social logo se encarregou de fazer.

O presidente do partido, Marinho e Pinto, soube, aí responder com prontidão e com a eficácia possível perante a situação, minorando os estragos.

Mas ficámo-nos por aí e resolvemos desaparecer ainda mais do que já estávamos, falo obviamente o nível nacional, já que o PDR Castelo Branco soube sempre assumir as suas responsabilidades e disso deu nota tomando as necessárias posições políticas.

E que conclusões tirámos? Nenhuma que se saiba para além da “teimosia” do presidente Marinho e Pinto em manter o PDR em “hibernação”, até, pelo menos, finais de setembro de 2016.

No entanto, em Castelo Branco, vemos as coisas de forma diferente e consideramos que este “silêncio ensurdecedor” vai acabar, mais tarde ou mais cedo, com o partido por omissão política.

Desde a tomada de posse do governo com apoio parlamentar tripartido, resultante das Legislativas 2015, a conhecida “geringonça”, com uma agenda política riquíssima, o PDR não tomou posição absolutamente nenhuma sobre os “temas quentes”, passando ao lado de uma enorme oportunidade para ir marcando e dando a conhecer o seu pensamento político sobre matérias, na maioria fracturantes, na sociedade portuguesa.

Do ditado popular que diz “ se não tens gato caça com rato”, o PDR nem teve gato (deputado) nem rato (comunicação). Se o gato não dependia só de nós, os eleitores são quem mais ordena, no mínimo deveríamos ter tido rato, pois esse dependia exclusivamente de nós.

Tudo isto trouxe-nos até aqui.

Um partido vazio de ideias, sem comunicação, desaparecido do panorama político português e nem a existência de um deputado europeu, que até é presidente do PDR, serviu de alavanca para se fazer ouvir propostas e ideias.

A imagem que há, no exterior mas também em muitos de nós, em relação ao PDR é que deixou de existir, demitiu-se do combate político.

Afinal somos como os outros, aparecemos, fomos a votos, mas nada conseguimos. Ou melhor, alcançamos um resultado que permitiu uma subvenção e que deveria servir para financiar a acção política. Mas ninguém percebe as decisões tomadas de “hibernar” até setembro.

Em consequência do diagnóstico e das razões enunciadas, procedi à entrega, no último sábado 10 de setembro, em mão na secretaria do PDR, imediatamente antes da realização do Conselho Nacional de dezoito pedidos de demissão de filiados fundadores do núcleo de Castelo Branco do PDR, entre os quais os de André Mateus, de Patrícia Oliveira, de Mário Mendes e de Ricardo Santana.

Eu próprio apresentei durante o Conselho Nacional ao presidente Marinho e Pinto, olhos nos olhos, as razões que me levaram a entregar a minha renúncia de dirigente nacional no Conselho Nacional e do próprio partido, o PDR.

Passamos a ser novamente homens livres!

Homens de pensamento livre que nunca deixámos de ser. Livres de disciplinas partidárias.

Estas são as conclusões que melhor respondem perante as nossas consciências e com a nossa postura, sempre de lealdade para com os órgãos eleitos com legitimidade, no PDR.

Aliás como eu, individualmente, já fizera no início de 2015 em relação ao PS.

Chegámos, bem ou mal, o futuro se encarregará de dar a resposta a esta questão, à conclusão de que o PDR chegou ao fim da linha.

Ao PDR, se ainda for a tempo, e a todos os que por lá ficarem, desejamos o melhor possível, tanto a nível pessoal como político.

Finalmente uma palavra mais. Para o deputado Marinho e Pinto com os votos de um resto de mandato no Parlamento Europeu, profícuo e em defesa dos interesses dos portugueses, agora que se anunciam tempos turbulentos, para a Europa.

*José Lagiosa – cabeça de lista e Mandatário Político distrital do PDR legislativas 2015 *Mário Mendes, André Mateus, Patrícia Oliveira – candidatos PDR de Castelo Branco legislativas 2015

*Ricardo Santana – Mandatário Financeiro Distrital Legislativas 2016

Castelo Branco, 15 de setembro de 2016………..

ex-Membros do PDR Castelo Branco

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