As nossas raízes – Ser turista durante uma vida…Por Jorge Santos

As nossas raízes – Ser turista durante uma vida…

É inequívoca a importância que a actividade turística representa no panorama nacional na actualidade.

Numa altura em que os festivais locais são o mote de muitos municípios portugueses, devemos ter em atenção ao planeamento turístico (muitas vezes esquecido), assim como a integração das pessoas no desenvolvimento de estratégias locais que podem ir além do turismo, criando uma dinâmica de interesse quando conjugado com outras áreas: agricultura, floresta e o bem-estar público.

Tendo como plano de fundo o Turismo 2020, Portugal prepara uma transformação na indústria turística, através dos esforços das entidades competentes, assim como dos fundos comunitários que se encontram disponíveis para os futuros empresários na indústria turística.

Contudo é importante não esquecer que as apostas do futuro devem ser planeadas de forma sustentável, pois deveremos ter em conta as gerações futuras, por vezes esquecidas em detrimento do enriquecimento a curto prazo, dos ditos empresários do turismo.

O turismo deve ser visto como um todo, podendo interagir com outras áreas, potencializando a economia local, criando emprego e desenvolvendo áreas e actividades que possam estar afectas á actividade turística. Remeto-me para a região do interior do país que me é particularmente sensível, quer por razões profissionais, quer por razões pessoais.

Não posso obviamente esquecer Oleiros.

Por razões familiares, sempre fui habituado a lidar com elevadas manchas de pinheiro (Pinus Pinaster), que em tempos foram locais de trabalho para muitas famílias do concelho, através da extracção da resina e de outros elementos.

A natureza foi sempre um ex-libris que o concelho sempre deteve, enquadrado com a história de milhares de anos, que deu o mote, por exemplo, á implementação da Grande Rota do Muradal – Pangeia, um circuito pedestre com 37 km que nos leva a 400 milhões de anos atrás, passando pelo interior da ruralidade que caracteriza o Centro de Portugal.

Falar de Oleiros sem falar da boa gastronomia, seria um atrevido esquecimento.

O cabrito estonado, que em 2015 viu criada a sua confraria, enriquece o que a história sempre teve presente e trouxe ao actual futuro como potencial elemento da economia local, incentivando ao aumento da caprinicultura na região, e contribuindo para a preservação da biodiversidade local, principalmente na maior azáfama da região, os incêndios.

As praias fluviais e a riqueza natural são inigualáveis, mas sempre poderemos contribuir com a criatividade e simplicidade dos lugares para atrair quem não conhece o território, para o procurar de forma eterna.

Para complementar, nada melhor do que o vinho característico da zona, o Callum, um vinho branco proveniente de uma casta com o mesmo nome, que deriva presumivelmente de pele dura, crosta” em latim e que devido à sua elevada tolerância à humidade, habita junto das linhas de água, facto pelo qual resistiu a pragas e doenças”.

Este é o cenário com que os meus antepassados, de forma directa e indirecta já conviveram. No meu caso, cresci quer ao nível pessoal, quer ao nível profissional a conviver com a história, a cultura e a autenticidade que as regiões me ofereciam, e aquilo que pode atrair turistas às regiões como estes dois casos mencionados, pois é um segmento com muita procura actualmente.

A experiência turística faz-se de tradição, cultura, espontaneidade e da interacção com a população local. Orgulha – me poder contribuir com a minha actividade profissional, para poder preservar aquilo que os meus antepassados criaram, e que hoje contribuem para o desenvolvimento local. Ser turista, ontem, hoje e sempre!

Jorge Santos

Jorge Santos

Jorge Santos

Presidente da APTERN (Associação Portuguesa de Turismo em Espaços Rurais e Naturais)

Formador na Escola Profissional de Sertã

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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