Ainda 42 Abris depois

O FAROL por António Graça

Ainda 42 Abris depois

“Não somos um povo morto, nem sequer esgotado”

“Nós portugueses valemos muito mais do que pensamos ou dizemos” (Marcelo Rebelo de Sousa)

Para bem da maioria dos portugueses, as comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril, marcaram uma diferença significativa relativamente às comemorações de anos anteriores, particularmente em relação às dos últimos oito anos. Essa diferença tem um símbolo, o actual Presidente da República, e o clima de distensão e humanidade que emana sua postura pública, contrastando flagrantemente com a postura esfíngica do seu antecessor.

Na verdade, Marcelo Rebelo de Sousa tem um discurso fácil e compreensível pela maioria dos portugueses, discurso objectivo e que não é árido, ao ponto de ter de ser decifrado por analistas iluminados que se entretêm a adivinhar intenções ocultas.

Pese embora o enjoo demonstrado pelo anterior primeiro-ministro e pelos seus apaniguados durante a sessão da Assembleia da República, atitude que vale o pouco que vale, as comemorações da data tiveram o brilhantismo de serem abrangentes, no sentido em que a maioria dos portugueses nelas se reviram.

De particular importância, foi o anúncio da condecoração, a título póstumo, do Capitão Fernando Salgueiro Maia com a Ordem do Infante D. Henrique, no próximo dia 1 de julho, dia em que o “capitão de Abril faria 72 anos se ainda estivesse entre nós.

Salgueiro Maia foi, em meu entender, o verdadeiro capitão de Abril, que cumpriu exemplarmente a sua missão naquele dia histórico para o país, após o que regressou aos quarteis, dispensando quaisquer tipos de benesses ou honrarias, e, utilizando as palavras do Presidente, “regressou ao quartel para voltar a ser o que era, com a naturalidade de quem não reclama louros nem aspira a celebridade, tendo permanecido igual a si próprio até ao fim da vida”.”.

Não se travestiu de revolucionário de pacotilha nem assumiu o papel de dono vitalício da revolução.

Talvez por esse motivo, os seus camaradas, cujo comportamento foi, de frequentemente o inverso, o votaram ao esquecimento, e os políticos, que à sombra da revolução se autoatribuíram subvenções vitalícias e outras benesses, recusaram, em 1989, pela mão do então 1ºministro Cavaco Silva a atribuição a Salgueiro Maia de uma pensão por serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país , tendo, por curiosidade e na mesma data, sido por ele atribuídas pensões a dois ex-inspectores da PIDE.

Cabe agora ao Presidente Marcelo repor a justiça que a Salgueiro Maia é devida.

O COELHO ENRAIVECIDO

Conforme referi anteriormente no presente comentário, o ex-primeiro ministro exibiu, durante a sessão que teve lugar na Assembleia da República, um ar de enjoo e de distanciamento do que ali se passava, comportamento de despeitado que tem demonstrado desde a formação do actual governo, existindo alguns indícios de que esse comportamento possa ter uma origem patológica, de entre os quais destaco:

  • O uso da bandeirinha na lapela, pensando que isso faz dele um patriota
  • O ar sério de que mascara os seus discursos, como se o que ele diz interessasse a alguém para além do seu bando de boquirrotos
  • A sua verborreia de ataque ao actual governo, por vezes em temas relativamente aos quais ele sempre foi submisso a interesses alheios aos do país.
  • Fico por aqui para não gastar o meu tempo com inúteis.

AS VOLTINHAS DO MARÃO

o túnel do Marão, pese embora a sua importância regional e mesmo nacional, constituiu mais um dos muitos negócios ruinosos para o estado, da responsabilidade da governação de José Sócrates.

Este equipamento garante uma rentabilidade anual de 9,34% para o concessionário. À custa dos nossos impostos, o consórcio Auto-Estradas XXI (detido maioritariamente pela construtora Soares da Costa, do angolano António Mosquito) tem assim uma renda milionária garantida de cerca de 160 mil euros por dia, num negócio sem qualquer risco para o consórcio privado.

A cerimónia que , apesar do negócio ruinoso que representa, deveria, pela sua importância estratégica , ter a solenidade correspondente, foi, em meu entender, conspurcada pelo convite oficial feito a um ex-primeiro ministro, actualmente na situação de arguido indiciado pela prática de vários crimes como; corrupção , lavagem de capitais, evasão fiscal, etc.

É certo que , enquanto não decorrer o seu julgamento e transite em julgado a esperada sentença, o arguido é , presumivelmente inocente, o que não quer dizer que já o seja na realidade.

Conforme seria de esperar o arguido e alguns dos seus correligionários, participantes na negociação deste tipo de contratos, montaram o seu circo, num comportamento de petulante afronta à justiça do país que, espero, não se deixará influenciar por este tipo de carnavais.

OS CUSTOS DA EDUCAÇÃO

Anda por aí grande burburinho pelo facto de o governo querer moralizar a utilização desajustada dos chamados contratos de associação das escolas.

Do que tem vindo a público sobre este assunto, nomeadamente através de reportagens televisivas, é sabida a existência de vários abusos na concessão das verbas respectivas, em situações que não correspondem às que ditam a atribuição dos subsídios a vários colégios, situações que estão, inclusive, sob observação por parte das autoridades judiciais. Provavelmente, serão esses que encabeçam os protestos de rua e as acções judiciais

Penso que, como contribuinte, os meus impostos não devem pagar a educação dos filhos dos outros em escolas particulares, e, muito menos contribuir para o acumular de fortunas pelos proprietários desses estabelecimentos.

Quando decidi proporcionar às minhas filhas educação num estabelecimento de ensino privado, tive de suportar os custos respectivos, sem qualquer tipo de comparticipação por parte do estado, por isso acho que quem quer proporcionar um ensino diferente do oficial, tem de pagar o seu custo.

Finalmente, e de uma vez por todas,, há que moralizar a utilização do dinheiro dos contribuintes.

António Graça

António Graça

 Até breve

 

 

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