Proença-a-Nova, Campanha do Campo Arqueológico já em marcha

Campanha de verão do Campo Arqueológico já está a ser preparada

A escavação arqueológica no Forte das Batarias, nas proximidades da Catraia Cimeira, foi concluída durante a Campanha de Primavera do Campo Arqueológico de Proença-a-Nova (CAPN), realizada de 21 de março a 2 de abril por seis alunos dos curso e mestrado em arqueologia das Universidades do Porto, Coimbra e Nova de Lisboa, com a coordenação de quatro arqueólogos.

Iniciados em 2007, a conclusão destes trabalhos permite avançar para um novo projeto: o da musealização do forte.

Estas estruturas militares têm valor histórico à escala nacional, enquanto dispositivo de defesa de Portugal, a que chamamos Linha Defensiva das Talhadas-Moradal. Estão situadas sobre a Ponte do Alvito, em local popularmente designado como Batarias, estando prevista a sua valorização turístico-didática para as qualificar para visitação no âmbito do percurso pedestre «Pela Linha de Defesa» criado pelo Município de Proença-a-Nova”, revela João Caninas, arqueólogo responsável pelo CAPN. As investigações realizadas no Forte mostram que se trata “de uma estrutura complexa, duradoura, de acordo com as técnicas construtivas das fortificações da época”.

Durante as duas semanas de trabalhos no terreno, para além da escavação dos fossos norte e sul do Forte das Batarias, a equipa iniciou a pesquisa de uma nova bateria, com a abertura de “uma sondagem transversal, com 2 metros de largura, de modo a identificar os aparelhos e técnicas construtivas utilizadas naquela estrutura, assim como para ter uma noção do estado de conservação”, afirma João Caninas.

Os primeiros elementos recolhidos apontam também para “técnicas construtivas que vão além do que era expectável”. Estes trabalhos irão prosseguir nos próximos anos.

Durante o mês de agosto, a equipa do CAPN irá liderar a campanha de verão, que decorre durante todo o mês de agosto, incluindo práticas de escavação arqueológica, outras práticas de campo, conferências e visitas de estudo.

João Caninas revela que os trabalhos irão decorrer simultaneamente em dois sítios arqueológicos: “na anta grande das Moitas e no monumental recinto muralhado do Chão de Galego onde se iniciaram trabalhos arqueológicos pela primeira vez em 2015. A antiguidade e a função deste espaço, protegido por extensos aterros que fecham os acessos ao local mais elevado da serra das Talhadas, ainda estão por comprovar mantendo-se como hipótese ser um refúgio do final da Idade do Bronze, há cerca de 3000 anos”.

À semelhança dos anos anteriores, a Campanha de Verão está aberta à participação de jovens do concelho e do distrito: “embora este campo, que também serve como escola prática, esteja vocacionado para alunos de Arqueologia está aberto, desde a origem, aos jovens locais como oportunidade didática e descoberta de vocações”.

Este ano, Proença-a-Nova acolherá ainda o colóquio promovido pelo Centro de Pré-História do Instituto Politécnico de Tomar subordinado ao tema “O Património da Terra e do Homem: Linhas de Valorização e Desenvolvimento Sustentável na Beira Baixa” (PRAXIS V)”, marcado para 29 de julho.

Relativamente à hipótese levantada no final do CAPN 2015, de haver em Proença-a-Nova a primeira argamassa de que há registo, ainda se aguardam as análises físico-químicas das argilas recolhidas. “No decurso das escavações arqueológicas iniciadas em 2012 nas sepulturas megalíticas (antas) das Moitas, verificou-se que os montículos artificiais que envolvem aquelas sepulturas eram constituídos maioritariamente por argila de composição e origem desconhecida, mas a sua avaliação ainda não está concluída e desse modo ainda não há resultados para divulgação. Contamos atingir esse objetivo ainda este ano”, conclui João Caninas.

Campo Arqueológico

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