Festival Gastronómico em Proença-a-Nova

Gastronomia e produtos típicos em destaque no festival Adega Típica

Tradicionalmente, uma ida à adega é muito mais do que simplesmente provar o vinho novo ou trocar dois dedos de conversa: na maior parte das vezes, implica o ato de petiscar. Iguarias simples como queijo, azeitonas, presunto, chouriço, pão e broa caseiros ou mais elaboradas como peixe do rio frito, maranho ou enchidos assados fazem parte da vivência da adega. Recuperando um espaço de ritual e promovendo uma atividade com cada vez mais interessados no concelho – a produção de vinho -, o Festival Gastronómico Adega Típica vai promover precisamente a gastronomia típica de Proença-a-Nova, trazida ao certame por oito associações do concelho.

Durante dois dias, o Parque Urbano Comendador João Martins acolherá igualmente uma exposição de produtores e produtos com o selo Proença-a-Nova Origem.

Para João Manso, vice-presidente da Câmara Municipal, esta será uma oportunidade única para promover os sabores do concelho, o artesanato e também a oferta ao nível de alojamento. “A nossa marca é um selo de qualidade que reconhece produtos e serviços que combinam o melhor da tradição com o que os novos tempos vão trazendo de inovador.

Para uma empresa ser detentora deste selo tem obrigatoriamente que cumprir um conjunto de normas, definidas pela legislação nacional e europeia, o que dá desde logo segurança a quem compra e usufruiu da marca Proença-a-Nova Origem”, afirma. A marca tem igualmente disponível uma loja online, em www.proencanovaorigem.pt.

No decorrer do Festival Gastronómico Adega Típica, serão anunciados os vencedores do concurso “Os Melhores Vinhos do Concelho de Proença-a-Nova”, iniciativa promovida pelo Centro Ciência Viva da Floresta no âmbito do seu Laboratório de Vinhos e Mostos.

Adega Típica

Adega Típica

Estão a concurso 42 vinhos tintos, 17 brancos e 7 rosados que, em comum, têm o facto de ser produzidos integralmente no concelho proencense. No dia 9 de abril, um júri de nove elementos decidirá quais merecem as distinções de ouro e prata, decisão que será anunciada às 17 horas no dia 10 de abril.

O programa de animação é variado e conta com a atuação de grupos de concertinas, de bombos, arruadas e a atuação da conhecida artista Rosinha. “Estão reunidas todas as condições para termos um evento muito concorrido, em que fica evidente a riqueza gastronómica do concelho e as potencialidades económicas associadas ao vinho e ao território”, conclui João Manso.

O programa completo do Festival Gastronómico Adega Típica pode ser consultado na página do facebook do Município ou em www.cm-proencanova.pt.

CONTRIBUTOS DA CIÊNCIA PARA FAZER UM BOM VINHO

Quase todas as casas do concelho têm uma adega ou um espaço reservado para se fazer vinho, aguardente e até o vinagre, dando mostra da importância destes produtos no dia-a-dia das populações: uma visita é sempre recebida com uma oferta de um copo de vinho e ainda há quem misture esta bebida na sopa.

Festival Gastronómico

Festival Gastronómico

As adegas continuam a ser um espaço privilegiado de convívio em que os bons petiscos da região estão sempre presentes. Mas neste sector em específico pode afirmar-se que a tradição já não é o que era, fruto da modificação das castas, de uma implantação mais adequada da vinha e da passagem de uma produção artesanal em bica aberta para o vinho de feitoria (no caso do vinho tinto já que no branco mantém-se o processo de bica aberta).

Castelão português, trincadeira, tamarez e bastardinho eram as castas mais comuns na zona, tendo sido substituídas por castas como syrah, aragonês, touriga nacional e cabernet sauvignon (nos tintos) e fernão pires e arinto (nos brancos). No caso da implementação da vinha, devem ser escolhidos terrenos com boa exposição solar, com orientação nascente/poente e as videiras têm de ser devidamente armadas para que a distribuição de cachos seja uniforme. Já o sistema de produção deixou de ser o tradicional, em que as uvas tintas eram pisadas diretamente para o lagar e deste para o pipo, privilegiando-se agora a fermentação no lagar, em que se mantém o contacto com a película da uva e com as grainhas.

Apesar destas mudanças, a ciência também traz contributos para se produzir um vinho de maior qualidade. Desde 2012 que os vinicultores da região podem aceder ao Laboratório de Vinhos e Mostos do Centro Ciência Viva da Floresta que, com as análises que realiza, pode intervir em diferentes fases do processo: antes da vindima (com o controlo de maturação), logo após o esmagamento das uvas (através de análises ao mosto), nos vinhos branco e rosé após a fermentação alcoólica e nos vinhos tintos após a fermentação maloláctica, e ainda durante a conservação dos vinhos. “A ciência tem contribuído para que cada vez mais se faça um bom acompanhamento da vinha e se obtenham uvas de boa qualidade. Através do controlo de maturação podemos determinar o momento ideal para a realização da vindima. Com as análises ao mosto e vinho podem fazer-se as correções necessárias e também acompanhar o processo de vinificação permitindo, assim, a obtenção de vinhos de melhor qualidade”, adianta Cláudia Henriques, técnica que realiza as análises no CCV da Floresta. Mas alerta: “Para fazer um bom vinho é fundamental ter boas uvas”.

Da experiência de quatro anos do laboratório, estão identificados alguns erros que os vinicultores comentem, nomeadamente trazerem o mosto para analisar quando este já iniciou a fermentação, ou não acompanharem o processo de fermentação alcoólica através da medição da densidade – que é fundamental para detetar paragens de fermentação -, ou também guardarem o vinho em recipientes que não estão atestados. Por isso, as sugestões para quem faz vinho são, acima de tudo, “fazer um bom acompanhamento da vinha para obter uvas de boa qualidade, fazer a limpeza e desinfeção da adega antes da vindima, fazer a vindima, sempre que possível, com uvas num bom estado de maturação, efetuar o controlo de maturação e/ou análises ao mosto, acompanhar a fermentação através da leitura e registo diário da densidade e guardar o vinho em depósitos atestados e bem fechados”, sintetiza Cláudia Henriques.

Desde 2012 que o Laboratório de Vinhos, que tem até ao momento 1337 clientes, já recebeu 7406 amostras para análise, 3262 das quais durante 2015, sinal da crescente procura destes serviços por quem faz vinho. A maior parte dos vinicultores são oriundos do concelho de Proença-a-Nova (655), mas também de Mação (253), Sertã (149) e Castelo Branco (56).

ANÁLISES EFECTUADAS

Controlo de maturação (peso de 200 bagos; peso por bago; acidez total; pH; título alcoométrico volúmico provável): importante para determinar se as uvas já se encontram em bom estado para serem vindimadas.

Análise de mostos (acidez total; pH; título alcoométrico volúmico provável): importante para ver se são necessárias correções ao mosto.

Vinho (pH; acidez total; acidez volátil; dióxido de enxofre livre; dióxido de enxofre total; título alcoométrico volúmico adquirido; fermentação maloláctica; massa volúmica a 20°C): estas análises são importantes para verificar se são necessárias correções, verificar se as fermentações (alcoólica e ou malolática) já ocorreram para depois realizar os tratamentos ao vinho, detetar paragem de fermentação e determinar o estado de conservação do vinho.

Laboratório de Vinhos

Laboratório de Vinhos

  • Com Magda Ribeiro em Proença-a-Nova

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