O FAROL por António Graça

A (des) União Europeia, o Orçamento e os ressabiados“

A União Europeia devia ser uma associação voluntária entre iguais, mas a crise do euro transformou-a numa relação entre devedores e credores” (George Soros).
A  União Europeia vai caminhando paulatinamente para a sua autodestruição:

– Não consegue ter uma política externa coerente e eficaz

– Transformou-se numa associação de usurários, que explora os países com economias mais frágeis e procura empobrece-los com a sua actuação meramente economicista

– Alguns dos seus países actuam frontalmente contra os princípios de solidariedade sobre os quais assentou a ideia da construção de uma europa unida, a saber:

-Na chamada crise dos refugiados, que em meu entender, não pode ser qualificada como um problema exclusivamente europeu, mas sim como um sério problema humanitário de características globais, temos assistido a algumas barbaridades, tais como:

– O confisco de bens dos refugiados, levado a cabo pela Dinamarca.

– A colocação de pulseiras vermelhas para os identificar, prática adoptada pelo Reino Unido

– Ameaça de isolamento da Grécia, fechando-lhe o espaço Schengen.

É hoje um facto reconhecido, inclusivamente o Papa Francisco já o afirmou publicamente, que a anormal vaga de migrantes constitui um sério problema de segurança e que, se mal gerida poderá contribuir ainda mais para a desagregação política e cultural da Europa.

Agora, tratar os refugiados de forma idêntica àquela com que os nazis trataram os judeus, não me parece próprio de países ditos civilizados nem de sociedades ditas evoluídas.

Ainda a propósito deste assunto, recordo a afirmação recente do Engº António Guterres; “ Só os traficantes e os contrabandistas têm sabido gerir a crise dos refugiados”. A esse nível nada tem sido feito pela Europa.

A Europa dos devedores e credores, a que eu chamaria a Europa alemã, quer ter a palavra final relativamente às políticas de finanças públicas dos seus membros.

Para esse fim, instituiu o sinistro Tratado Orçamental, instrumento feito à medida das economias mais sólidas e que contribuirá para asfixiar progressivamente as mais vulneráveis, que estarão sob permanente ameaça do “braço armado” da U. E., a Comissão Europeia, constituída por burocratas parasitários, que chantageiam os governos nacionais, forçando-os a elaborar orçamentos à medida do referido tratado.

É o caso do O.E.2016 de Portugal.

Afirma a Comissão Europeia que os pressupostos do mesmo são irrealistas e que, por esse motivo, o documento carece de sustentação credível.

Esta posição da CE tem vindo a ser apoiada no nosso país pelos ressabiados patriotas de bandeirinha na lapela que, em orçamentos anteriores rastejaram servilmente aos pés da CE, cumprindo diligentemente as ordens da mesma.

A propósito de orçamentos, convém reter as seguintes ideias:

  • Um orçamento é uma previsão do que poderá vir a verificar-se num determinado período de tempo futuro.
  • Um esboço de orçamento é um documento provisório destinado a ser discutido pelas partes nele intervenientes e interessadas, e, eventualmente objecto de correcções.
  • Qualquer previsão deste género assenta em pressupostos, que, de um modo geral têm uma elevada carga subjectiva, pois dependem da visão estratégica de quem elabora o orçamento
  • O grau de certeza desses pressupostos raramente é de 100% e a sua verificação apenas pode ser confirmada ao longo do período a que diz respeito.
  • A propósito da elaboração de previsões deste tipo, costumava dizer um colega meu que “o papel aceita tudo o que se lhe escreve em cima”
  • Por estes motivos e, numa primeira leitura, são tão válidos os pressupostos do OE2016 quanto os da CE ou do FMI.

Quanto a este último, convirá recordar a sua recente mudança de opinião quanto à eficácia das políticas de austeridade, e o reconhecimento da sua deficiente aplicação no caso de Portugal.

Contudo, o funcionário representante  do FMI na troika, um tal Subir Lall, de origem indiana, deu uma entrevista a um jornal português na qual critica a subida do salário mínimo e diz não acreditar no impacto dos estímulos ao consumo. O senhor Lall tem insistido várias vezes na necessidade de empobrecer os portugueses, talvez para os pôr com um nível de vida idêntico ao dos seus compatriotas que, na costa ocidental da India , trabalham como escravos no desmantelamento de navios, cujos componentes vão alimentar as fortunas dos magnatas indianos do aço.,

À hora em que acabo de escrever este texto foi anunciado que o OE 2016 foi aprovado pela CE com alertas.

Até breve

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1 Response to O FAROL por António Graça

  1. J. Vitorino diz:

    O Sr. Subir Lall, deveria virar as “baterias” para o seu país a India; onde existem 400 milhões de pessoas a viver miseravelmente; e onde 3 milhões de crianças são selvaticamente exploradas nas fábricas dos multimilionários de que ele Lall é um subserviente. Só em Bombay , ( antiga Bombaim portuguesa) e que é a Cidade mais populosa da India, vivem na rua 36 mil crianças; isso sim, é que deveria preocupar a ele e a quem obedece.

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