O FAROL

A FACTURA DOS BANCOS

por António Graça
“Se o clima fosse um banco já estava salvo”
Durante muito tempo, os portugueses foram habituados a ver os lucros dos bancos aumentarem todos os anos, chegando-se mesmo ao ponto de, se num ano os lucros de um determinado banco eram menores que os obtidos no ano anterior, logo os jornais da área económica faziam grande alarido desse facto, e o banco em causa era quase apontado como sendo a ovelha ronhosa do sistema.
Os beneficiários destes crescimentos imparáveis não eram, obviamente, os clientes, mas sim, os accionistas, pela correspondente valorização teórica dos bancos, e os administradores e quadros desses bancos, presenteados anualmente com prémios de desempenho.
A “necessidade” de apresentar em cada ano lucros superiores aos do ano anterior, levou alguns bancos a criarem novos produtos financeiros, alguns de sustentabilidade duvidosa, que foram impostos aos balcões, para que estes atingissem objectivos anuais de crescimento do negócio bancário.
Por outro lado, em certos bancos, como por exemplo o banco do Estado, a nomeação para Conselhos de Administração de indivíduos com base em critérios unicamente políticos, indivíduos esses basicamente incompetentes, veio a descambar na aprovação de operações de elevado risco e insuficientes garantias, motivadas por vezes, e como já foi tornado público, pela concessão de compensações paralelas aos seus defensores na estrutura interna dos bancos.
Os efeitos negativos deste tipo de actuações, só se tornam visíveis, de um modo geral, algum tempo após a realização das operações que estão na sua origem, nomeadamente, no caso das operações de crédito, na altura em que se vencem os reembolsos respectivos.
Sem aprofundar muito o assunto, nomeadamente com detalhes técnicos, que nos consumiriam demasiado tempo e espaço e seriam indigestos para o leitor, poderemos afirmar que a situação que tem vindo a registar-se em alguns bancos, tem origem em factos da natureza dos que referi anteriormente, agravados pela incompetência do anterior governo e do governador do Banco de Portugal, que foram, no caso do BANIF, empurrando o assunto, para que a verdade não fosse conhecida antes das eleições para a A.R., vindo agora algumas criaturas ligadas à actual bancada da oposição, manifestar, hipocritamente, estranheza quanto ao desenvolvimento do caso
A factura deste conjunto infausto de ocorrências, recai, como de costume sobre os contribuintes.
Entre 2008 e 2014 o Estado, gastou quase 12 mil milhões de euros com o setor financeiro, grande parte dos quais na pseudo resolução de situações duvidosas.
Como alguém escreveu num jornal diário:
” A política tem de começar a ser diferente da vigarice”
Até breve

António L. Graça

António L. Graça

 

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