O “tal” paradigma do desenvolvimento sustentável…

O “tal” paradigma do desenvolvimento sustentável…

Muito se tem falado no desenvolvimento sustentável dos territórios.

Quando o tema se debate tendo por moldura os despovoados territórios do interior do país, dilui-se significativamente a importância da temática já que, na maior parte das vezes, o tal dito “desenvolvimento sustentável” se centra, erradamente, na questão económica.

Havendo pelos territórios de interior pouco tecido empresarial de peso, entendem, alguns, que estes territórios se afastam desta denominação. Enganam-se redondamente. Está provado que este desiderato está mais facilmente ao alcance das cidades de pequena e média dimensão.

O desenvolvimento sustentável pressupõe, sempre, quatro pilares estruturais.

Se falhar apenas num deles, cai por terra todo o pressuposto da sustentabilidade.

Os quatro pilares a que me refiro são: ambiente, sociedade, economia e comunicação.

Assim, a visão ampla que devemos ter sobre o tema pressupõe a preservação do ambiente numa perspetiva de aproveitamento económico dos recursos naturais.

Havendo rentabilização económica, a sociedade beneficia automaticamente de ambos os vetores: consegue-se qualidade de vida para as populações ao mesmo tempo que se cria emprego e se dignificam as pessoas sem que estas sejam desenraizadas dos seus locais de origem para procurar emprego em grandes centros populacionais, ficando desta forma limitados na sua realização pessoal de continuar nas suas terras de origem, de se distanciarem dos laços familiares e dos amigos.

Perde-se, aí, a qualidade de vida e simultaneamente, sobrecarregam-se as cidades com a dificílima gestão dos resíduos, das águas residuais, do abastecimento de água potável e abastecimento de mercados alimentares e da solidariedade “a retalho”.

Por último mas não menos importante, vem o pilar da comunicação.

O homem é, acima de tudo, um ser social

Longe vai o tempo em que se achava que se conseguia ser feliz isolado, algures no alto de uma montanha ou no meio de uma floresta! Vivemos, todos, numa aldeia global na qual a partilha e troca da informação se torna vital para o desenvolvimento das regiões.

Num mundo globalizado onde o vetor qualidade de vida se mede, cada vez mais, pela qualidade do ar, da água e dos alimentos que consumimos, pela disponibilidade de programas culturais, pelo acesso a hospitais, bibliotecas e escolas de qualidade, pela facilidade de acessos a outras regiões e a outros países, pela solidariedade entre as diversas instituições de uma comunidade, parece-me, portanto, que estamos prestes a quebrar o tal paradigma da interioridade…

O que falta então fazer?

Basta que sejamos capazes de transmitir a imagem real dos nossos territórios onde, afinal, podemos usufruir de tudo isto sem esperar em longas filas de automóveis, sem ter de adquirir os grandes centros de comércio aquilo que querem que consumamos, com uma qualidade nem sempre proporcional ao preço que nos pedem.

Esse é, para mim, o preço justo da interioridade. Ter tudo isto em “modo” de proximidade e poder estar, simultaneamente, à distância de um click, algures do outro lado do mundo, a participar num documentário ou num seminário por vídeo- conferência, mostrar ou vender os nossos produtos da terra numa plataforma digital. Precisa-se, urgentemente, que seja dada a oportunidade de desenvolver pequenos projetos que promovam a rentabilidade dos nossos recursos naturais, dos nossos produtos da terra, sem burocracias, sem que estes sejam colocados no mesmo saco dos outros, os tais que precisam de milhões de euros para se implementarem junto dos grandes centros populacionais sobrecarregando ainda mais a qualidade de vida de quem aí mora.

Descentralização precisa-se!

Com o mesmo investimento de uma grande unidade podem apoiar-se centenas de pequenos projetos… e se cada um deles conseguir criar um, dois ou meia dúzia de postos de trabalho, aí sim, estaremos a conseguir alterar o tal paradigma da sustentabilidade e a criar o verdadeiro “tecido empresarial” sustentável!

E já agora, porque não valorizar de vez e de forma incontestável o reconhecido e ancestral papel matriarcal das mulheres destas regiões e reforçar a atribuição de valores para projetos no feminino?

Afinal, quer queiramos quer não, o futuro está já ali e ontem foi lançado pela ONU o Dia Global do Empreendedorismo Feminino…

Guarda 21

Guarda 21

*Ludovina Lopes Margarido, Correspondente na Guarda

Ludovina Margarido

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Sobre Jornal de Oleiros

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