” O FAROL “, Peditórios, por António Graça

O FAROL

PEDITÓRIOS

A melhor defesa contra as tretas é a vigilância

(Jon Stuart, Daily Show)

A pré-campanha para as eleições legislativas, caracterizou-se pela fraca qualidade das intervenções dos seus principais protagonistas, nomeadamente as dos lideres da actual coligação governamental, os quais abusaram das meias verdades, para esconderem grandes mentiras, da manipulação dos números, de acusações pífias e fora de prazo, ignorando ou mesmo fugindo aos assuntos que, realmente, preocupam os portugueses.

Recentemente, contudo, um facto veio introduzir alguma inovação no, até aqui vazio de ideias da campanha oficial.

Quando abordado, em Braga, por um grupo de manifestantes conotado com os chamados “lesados do BES”, o, ainda, 1º ministro, começou, como é seu hábito, por descartar qualquer responsabilidade do seu governo na resolução do problema dos lesados, aconselhando os manifestantes a recorrerem à justiça para o resolver, prontificando-se, num gesto de enorme altruísmo e profunda solidariedade, a ser o primeiro subscritor de uma petição pública com o objectivo de angariar fundos para cobrir as custas judiciais respectivas.

Esta atitude não passaria de um vulgar disparate, caso fosse tomada por um qualquer cidadão. Agora, vinda da boca do, ainda, 1º ministro é muito grave, por diversos motivos, tais como:

-Num Estado dito democrático o direito à justiça não depende da capacidade financeira dos cidadãos que a ela recorrem,

-Por esse motivo, os cidadãos não precisam de pedir esmola para acederem aos direitos que lhes assistem,

-o governo de que Passos é, ainda, 1º ministro, teve intervenção directa na solução adoptada para o caso BES, afirmar que não é nada com ele é pura irresponsabilidade

A afirmação do rapazito, conforme, carinhosamente, o trata Alberto João Jardim, revela uma total falta de respeito por aqueles que viram as poupanças de uma vida desaparecer e vivem angustiados por esse facto, sem que alguém lhes aponte, honestamente, uma solução para o mesmo.

Contudo, com certeza que os portugueses já não estranham este tipo de comportamento, irresponsável, cobarde e demagógico.

Mas…já agora que foi introduzido o factor caridadezinha na resolução de casos judiciais, eu permito-me fazer uma sugestão nessa mesma linha de actuação.

Proponho que se faça uma subscrição pública para dotar as entidades judiciais dos meios necessários para:

  1. Julgar, condenar e colocar em prisão efectiva, os corruptos do negócio dos submarinos,
  2. Julgar, condenar e colocar em prisão efectiva, os burlões dos casos BPN e BES,
  3. Julgar, condenar e colocar em prisão efectiva, os inúmeros casos de corrupção e de outras situações lesivas do estado, que ocorrem por aí sem qualquer penalização visível.
  4. Sei que não será fácil ao, ainda 1º ministro, figurar como primeiro subscritor deste peditório, uma vez que muitos dos visados fazem parte das suas relações políticas e, em alguns casos, das pessoais. Para o poupar desse embaraço, eu ofereço-me para ser o primeiro a assinar. Depois, no meio de algumas centenas de milhares de apoiantes desta nobre causa, a assinatura dele passará despercebida

Até breve

António Graça

António Graça

  • António L. Graça

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009. Lutamos arduamente pela defesa do interior, o apoio às famílias e a inclusão social. Batemo-nos pela liberdade e independência face a qualquer poder. Somos senhores da nossa opinião.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Justiça, Opinião com as tags . ligação permanente.

1 Response to ” O FAROL “, Peditórios, por António Graça

  1. Pingback: ” O FAROL “, Peditórios, por António Graça - Jornal de Noticias

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *