O FAROL: ” Cá se fazem, e…depois se vê quem paga

O Farol

Cá se fazem,e…depois se vê quem paga

Por António L. Graça

“São colocadas pessoas no sector público cujo cartão de visita é a obediência e não a competência” (João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra)

Os “fait-divers” da vida pública portuguesa, têm dado origem a alguma animação e enredos para a comunicação social       .

Dos vários temas em actualidade procurarei dar a minha opinião sobre alguns deles.

1- TAP… _O pássaro de asas cortadas?

A TAP continua na ordem do dia. Após a criminosa greve dos pilotos, na sequência da qual um energúmeno, supostamente representando os grevistas, se veio gabar publicamente de ter causado um prejuízo de 30 milhões de euros à empresa.

Este enorme prejuízo não foi o único determinante para a situação financeira da empresa. Muito mais gravosos foram, sobretudo,  as sucessivas más gestões públicas e o negócio da compra da empresa de manutenção brasileira VEM, relativamente ao qual eu gostaria que o presidente da TAP, que, segundo consta, foi um dos seus principais impulsionadores,  informasse os portugueses, com clareza e sem o recurso a camuflagem de ordem contabilística, do montante acumulado resultante do prejuízo gerado por aquele negócio.

Da pressa manifestada pelo governo, em vender a empresa, independentemente do valor do negócio, poderão vir a resultar custos para os contribuintes, esperemos que não. De qualquer maneira existem, neste momento, dois candidatos em avaliação, com propostas teoricamente interessantes para a valorização da empresa, um dos quais se propõe “ressuscitar” o aeroporto de Beja, até hoje uma inutilidade que custou 35 milhões de euros aos contribuintes, naquilo que se pode chamar com efectivo realismo, gastar acima das possibilidades e das necessidades.

2- OS LIVROS

Virou moda a política, e outros figurões da nossa praça, publicarem as suas biografias. Passos Coelho e António Costa não poderiam deixar escapar uma semelhante oportunidade de auto promoção.

“Somos aquilo que escolhemos ser” é um título muito semelhante a uma frase comum entre os nutricionistas “ somos aquilo que comemos”.

De acordo com o que veio a público, sobre a biografia de Passos Coelho, expresso por diversas figuras públicas, trata-se de algo intragável, talvez com interesse para os familiares do biografado e de alguns companheiros de partido que vejam na sua aquisição uma forma de ficarem bem vistos aos olhos do chefe. Pode ser até que haja um amigo benemérito que compre uma boa parte da tiragem para mascarar a edição como sendo  um caso de sucesso.

Na realidade era largamente previsível que uma biografia de Passos Coelho, impressa em 236 páginas, não tivesse ponta de interesse, para alem da remota hipótese de fornecer novos dados sobre o caso Tecnoforma ou os esquecimentos contributivos de P.C., o que não se verifica.

Como tal não acontece, confirma-se que Passos Coelho não passa de um subproduto de aviário do PSD, que, tal como uma tartaruga no cimo de um poste, chegou lá acima ninguém sabe como nem porquê.

Um ponto polémico do livro é a passagem em que Passos Coelho desabafa que foi informado pelo subministro Portas da seu pedido de demissão no verão de 2013 por um simples e-mail, dando a entender que Portas é um personagem leviano e temperamental. Esta desbocada afirmação causou algum mau estar no seio da coligação, mau estar esse que irá ter reflexos no futuro da mesma.

Mas, se a biografia de Passos Coelho nada acrescenta quanto à sua qualificação para ocupar o cargo de 1º ministro, já o seu elogio, de estilo parolo, ao ex-ministro Dias Loureiro, homem forte da SLN- BPN, , dá indicações sobre a postura pública do 1º ministro, e passo a citar:

“Conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos”.

Recorde-se que Dias Loureiro foi constituído arguido no caso BPN, alegadamente pela prática dos crimes de burla e fraude fiscal.

Este elogio clarifica aquilo que é a concepção de ética e honorabilidade que orienta o 1º ministro.

De António Costa, foi igualmente publicada uma biografia, esta com 496 páginas, mais do dobro da de Passos, o que nos permite tirar uma de duas conclusões:

– O corpo da letra em que foi impresso é maior

– Costa tem muito mais que contar que Coelho.

Seja lá como fôr, a verdade é que estas publicações pouco ou nada adiantarão nas preferências dos eleitores, sendo apenas uma manifestação possidónia do ego dos biografados

3- HÁ MAR E…MAR

Sempre que inala o cheiro a maresia ou se encontra num ambiente afim, logo Cavaco Silva debita inflamados discursos sobre o mar e a sua importância para Portugal.

È indesmentível que, para um país como Portugal, que tem uma Zona Económica Exclusiva cuja área é 40 vezes a da sua plataforma continental, o mar é de uma importância vital. Essa importância, que já havia sido percebida pelos nossos antepassados no século XIV, portanto há cerca de 700 anos, é agora recuperada para efeitos de pura demagogia política.

De facto, a importância do mar para Portugal, justificaria a existência de um Ministério do Mar e não a sua mistura, para satisfazer interesses de partidos políticos, num ministério vocacionado, entre outras actividades, para inauguração de feiras e provas de vinhos e petiscos.

É urgente investir no mar, mas com estratégias, orientações e meios exclusivos.

4-A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA.

A água é um recurso natural de valor inestimável para os povos.

Por esse motivo, nenhum governo tem legitimidade para a privatizar.

Contudo, o actual governo, que nestas questões de vender o país se comporta como aqueles marginais que roubam automóveis para os venderem por peças, criou legislação para permitir aquela privatização.

Estranhamente, os órgãos de comunicação não deram ao facto a relevância que lhe é devida. A situação é imposta pela União Europeia e seguida cegamente pelos obedientes vassalos do governo português. Voltarei ao assunto com mais detalhe dentro em breve.

5-PROMESSAS

António Costa tem andado embalado por um espírito eleitoralista, o que explica a fartura de promessas que o líder do PS tem vindo a debitar nos últimos tempos, promessas essas que, em alguns casos, ultrapassam as linhas orientadoras contidas no documento Uma Década para Portugal, as quais, só por si, comportam alguns riscos. Seria melhor que Costa se limitasse a defender o documento em causa, isto porque, como diz a sabedoria popular “ quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.

Já Passos Coelho entende que ainda é cedo para apresentar as suas propostas, mas, na realidade não precisa, já que todos sabemos que elas assentam no confisco psicótico aos pensionistas e reformados de 600 milhões de euros, alegadamente para garantir a sustentabilidade da Segurança Social, na realidade esse montante servirá para cobrir o aumento constante da despesa pública, e a concessão aos bancos e entidades poderosas de benefícios e subvenções fiscais.

Os 600 milhões de euros representam 0,75% da despesa pública, e, portanto não será complicado ir busca-los a outras rubricas do orçamento de estado.

Até breve.

António L. Graça

António L. Graça

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