” “Mais importante que homenagear os escritores é homenagear os livros”

Festival Literário Fronteira de Castelo Branco

“Mais importante que homenagear os escritores é homenagear os livros” – Mia Couto

POR CRISTINA VALENTE

O escritor moçambicano Mia Couto foi homenageado no encerramento do Festival Literário Fronteira de Castelo Branco.

Para Luís Correia, autarca Albicastrense, a presença de Mia Couto no Festival Fronteira vem enriquecer o evento, e a ajudar a abrir novas fronteiras.

Hoje, com a presença de Mia Couto ultrapassamos na verdade, fronteiras que julgávamos não conseguir ultrapassar no final do 3º Festival“, afirmou.

O autarca confessou ainda que o nome do escritor moçambicano, foi a sua “única sugestão” para esta edição do festival literário.

Numa conversa informal com Tito Couto, o escritor moçambicano confessou, “se sou alguma coisa, sou um poeta!”

Quanto à palavra homenagem, “ acho que não se devem homenagear os escritores, a ser homenageado é alguma coisa que é muito mais importante que os escritores, são os livros“, afirmou Mia Couto.

O escritor, falou da sua relação com Portugal, país que foi conhecendo ainda em Moçambique, “sem nunca cá ter estado” através das histórias de sua mãe, “eu ganhava pátria, a minha nação nascia dessa relação por via das história com um país que eles, meus pais, tinham imensas saudades“.

Filho de portugueses, o pai natural de Rio Tinto e a mãe da Régua, Mia Couto admite que um lado seu Português é precisar “estar na janela da tristeza, mesmo para escrever uma coisa alegre. O que me desperta essa sensação de encantamento, descoberta, revelação é a tristeza. Sou muito movido por isso. É o meu lado, provavelmente português, do sentido trágico do destino“, disse Mia Couto.

Aqui, em Portugal, há quase uma disputa pela desgraça. Em Moçambique é o inverso. Os moçambicanos têm uma relação com a tristeza completamente diferente“, afirmou o escritor.

Mia Couto falou ainda da Fundação Fernando Leite Couto, que foi criada em memória do pai que faleceu há dois anos, e que funciona não só como uma editora, mas que acima de tudo, pretende “continuar o trabalho dele de apoio aos jovens escritores“.

Mia Couto e Luís Correia

Mia Couto e Luís Correia

 

 

Mia Couto

Mia Couto

 

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