O Farol – Uma mão cheia de nada e…os cofres? De coisa nenhuma

O Farol

UMA MÃO CHEIA DE NADA E… OS COFRES? DE COISA NENHUMA

Por António L. Graça

VAI E VEM.

Práticamente no início do seu mandato, o, ainda, primeiro-ministro do governo português, “convidou “os portugueses desempregados a procurarem oportunidades de trabalho noutros países, ou seja, a emigrarem.

Não porque tenham tomado como útil o conselho do primeiro-ministro, mas porque a política de selvagem austeridade por ele levada a cabo não lhes deixou alternativas para viverem com a dignidade a que têm direito como cidadãos de um país dito democrático, cerca de 300.000 portugueses, na sua maioria jovens qualificados, emigraram na procura de melhores condições de vida.

Recentemente, um dos muitos génios que ocupam lugares no governo, teve a luminosa ideia de inventar o chamado programa VEM, (Valorização do Empreendedorismo Emigrante).

Então, para fomentar o regresso de, pelo menos, uma pequena parte dos 300.000 que emigraram, o benemérito governo propõe-se  apoiar, numa primeira fase, cerca de 40 a 50 projectos, cujo investimento se situará entre os 10 mil e os 20 mil euros, o que totalizará um montante de investimento de cerca de um milhão de euros.

O programa deverá ser financiado por um outro programa, o Programa Operacional para a Inclusão Social (POISE), o qual terá uma dotação de cerca de dois milhões de euros mas que… ainda não tem regulamentação, ou seja, vai existir, mas não se sabe como, nem quando.

Tudo isto não passa da habitual publicidade enganosa, não sendo possível considerar o VEM como uma tentativa séria para criar condições para o regresso dos que se viram forçados a partir, tendo sido propagandeado apenas, e como convém, em termos genéricos.

Pensam estes ilustres crânios que, as pessoas vão andar para cá e para lá, conforme as ideias ocasionais dos governantes? Ignoram que, nos locais para onde emigraram já estabeleceram raízes pessoais e profissionais, e que não as vão trocar por um punhado de euros e por ilusões vindas de quem já os enganou no passado?

É o que poderemos qualificar, utilizando o aforismo popular “uma mão cheia de nada

A ministra das finanças afirmou, numa reunião dos jotinhas do seu partido que o país tem os cofres a abarrotar de dinheiro, talvez para convencer os putos que a política do governo gera riqueza. Mas… cheios de quê?

Talvez de Contribuições Extraordinárias de Solidariedade, de sobretaxas de IRS e de dívidas. Sim, porque o dinheiro que enche os cofres desta tia patinhas à portuguesa, não provém de riqueza gerada no país, é apenas o dinheiro tirado a quem trabalha e a quem trabalhou uma vida para ter uma reforma e o dinheiro dos diversos empréstimos que o país contrai periodicamente.

Poder-se-ia dizer que tem o aspecto positivo de trocar dívida actual por dívida mais barata, mas, para isso, a dívida mais barata deveria liquidar rapidamente a dívida mais cara e não ficar a encher os cofres.

Além disso, os cofres do estado cheios têm o efeito perverso de fazer aumentar a despesa pública, que já atinge valores obscenos.

A situação é, sem entrar em detalhes técnicos, mais ou menos, assim. Imagine o leitor que um banco lhe concede um empréstimo a uma taxa mais baixa que a que o leitor paga hoje pelos créditos pessoais que tem em vigor. Feito o contrato, o banco deposita o montante emprestado na sua nova conta. A partir daí e usando a técnica da ministra, o leitor poderá dizer que tem um excelente saldo na sua conta bancária. Só que, quanto mais tarde liquidar os créditos anteriores, maior custo em juros lhe traz o negócio, além do que o saldo da tal conta não é propriamente seu.

Portanto, os cofres do estado estão cheios de coisa nenhuma, ou, se quisermos ser rigorosos, têm uns trocos no fundo.

JET LAG

Jet Lag é um termo utilizado para qualificar a chamada descompensação horária do organismo, provocada por viagens de avião de longa duração, atravessando vários fusos horários, no sentido contrário ao da rotação da terra.

Como é sabido, Passos Coelho deslocou-se recentemente ao Japão, tendo, de imediato, recebido um doutoramento “honoris causa” pela Universidade de Quioto, batendo assim o record que pertencia ao seu amigo Relvas, na modalidade de cursos relâmpago.

O doutoramento foi concedido na versão Estudos Estrangeiros, uma área suficientemente genérica para permitir doutorar um sujeito que nunca se viu mais gordo.

Mas, voltando ao jet lag, decerto afectado por este fenómeno, Passos Coelho fez duas notáveis afirmações:

a)-“É pouco provável” que as agências de “rating” melhorem a notação de Portugal até às eleições, preferindo aguardar pelo acto eleitoral para aferir do prosseguimento do “caminho” de “consolidação orçamental” e “reformas estruturais“.

b)“ Portugal pode vir a tornar-se num dos países mais competitivos do mundo

Esqueceu-se de dizer, decerto por vergonha ou modéstia, que tudo isso só acontecerá se ele for reeleito.

Poderia ainda falar aqui sobre a célebre lista VIP, mas apenas refiro que o caso é um exemplo da gritante degradação da qualidade dos governantes portugueses e da sua falta de dignidade.

Até breve,

António L. Graça

António L. Graça

 

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009. Lutamos arduamente pela defesa do interior, o apoio às famílias e a inclusão social. Batemo-nos pela liberdade e independência face a qualquer poder. Somos senhores da nossa opinião.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Nacional, Opinião. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *