Cofres cheios de pobreza e dívida pública

Cofres cheios de pobreza e dívida pública

Portugal tem os cofres cheios de pobreza e dívida pública, de atraso cultural e subdesenvolvimento económico; é um regresso às políticas do estado novo, em que Salazar preferia manter a maior reserva de ouro por capita de todo o Mundo guardada, do que com ela desenvolver o país e retirar do fosso da pobreza 90% da sua população.

O analfabetismo seria essencial para o manter no poder; um processo que teve início antes de Salazar ser Presidente do Conselho, e a que deu continuidade no após guerra com a recusa em aderir ao “Plano Marshall”; que implicitamente previa o fim do salazarismo, pois essas eram condições implícitas no “plano” que estava sujeito à democracia e desenvolvimento; e Salazar preferiu sacrificar o país do que colocar em risco o seu lugar.

O cinismo da ministra das finanças por quem eu até tinha uma certa simpatia, deixou cair o véu da racionalidade, e constitui uma grave ofensa a todos aqueles que em nome de sacrifícios provisórios, viram os seus rendimentos cortados para endireitar um país que cada vez está mais torto, mais dividido, e mais desigual e endividado colectivamente.

Portugal é uma cobaia de exemplos de “sucesso” que a Alemanha está a impingir à Grécia e a outros candidatos que caíram no ridículo de que, só a austeridade e a estagnação económica nos farão sair desta calamidade social que nos empurra cada vez mais para o suicídio colectivo e da Nação portuguesa.

Os cofres cheios da ministra das finanças são pura demagogia e propaganda eleitoral, que tenta colocar os portugueses entre a espada e a parede; que é como quem diz, querem um pássaro de 14.500 milhões de euros na gaiola mesmo que sejam emprestados, ou ficamos como a Grécia do Syriza com os cofres vazios e à beira de uma crise humanitária?

A Srª ministra está muito longe de conhecer o país real que temos, onde todos os setores produtivos se encontram paralisados.

A agricultura e pescas que seriam a salvação de Portugal, está a aproximar da situação grega; que se encontra à beira de uma tragédia alimentar; porque estamos numa situação de ruptura produtiva com mais de um terço dos terrenos em baldio, e os outros dois terços com baixos níveis de produtividade; só quem está em contacto com o campo se apercebe da realidade portuguesa.

Quanto às pescas, os dados são alarmantes e incompreensíveis onde o sector conserveiro tem a resposta; como é que sendo Portugal detentor da maior zona exclusiva marítima da Europa, quase 90% do pescado trabalhado neste sector é importado.

Os cofres cheios de dívida do país mais pobre da Europa é uma arma de arremesso político que vai ser utilizada na campanha eleitoral; serve os interesses deste governo e a Troika, mas só trás mais miséria a juntar à que temos, e constitui uma ofensa a todos os que nos últimos anos foram sacrificados com a austeridade, em nome de um Portugal melhor e mais justo.

Só se compreendia se dos 14.500 milhões de euros, 2/3 fossem para lançar o país no caminho da recuperação, onde a agricultura e as pescas têm um papel preponderante no combate à nossa dependência do exterior; sempre colmatada com divida em cima de dívida.

A propaganda dos cofres cheios de dinheiro que nós não produzimos, é vexatória e uma vergonhosa afronta para aqueles que não têm comida para dar aos filhos, porque o dinheiro parado a exemplo do ouro de Salazar, não cria postos de trabalho para que seja devolvida a dignidade àqueles que o perderam com as políticas dos cofres cheios de endividamento.

A Srª ministra, em vez de passar o seu tempo a caminho de Bruxelas; sugeria saia do seu gabinete e vá ao campo ver os dois milhões de hectares de baldio, e aos portos de pesca quase abandonados, para ver o Portugal real de que tanto se orgulha.

* Joaquim Vitorino

Jornalista e Cronista

OBS: o Autor escreveu ao abrigo do acordo ortográfico.

Maria Luís Albuquerque

Maria Luís Albuquerque

 

 

 

 

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