Syriza, uma sombra na Europa

Syriza, uma Sombra na Europa.

Seja qual for o desfecho da situação na Grécia, já todos temos uma certeza; após a vitória do Syriza tudo mudou naquele país e sobretudo na Europa.

A Grécia transformou-se num pequeno rebelde, que encostou à parede os grandes europeus e destapou as vulnerabilidades daqueles que se colocaram ao lado de quem dependem, com receio das consequências de se deixarem embalar na “onda grega”.

Portugal e Espanha alinharam nas políticas de massacre à Grécia e à débil economia Ibérica, que aos poucos vem caindo na teia do neoliberalismo do norte em troca de mais empréstimos com juros baixos, que é um perigoso incentivo ao aumento da dívida pública; só o conseguindo à “sombra do Syriza” que abriu as hostilidades contra a austeridade que levou metade da Grécia à mendicidade; um atentado à dignidade da Nação que foi a mãe da Civilização Ocidental e da democracia.

Mas esta penosa estrada que é a Europa tem dois sentidos; vamo-nos colocar na posição dos credores, e mais concretamente na dos alemães que têm biliões de euros nos seus bancos para gerir, e que esse dinheiro é pressuposto pertencer a quem o quer ver bem aplicado; sendo por isso que o transferem para os países mais seguros como a Alemanha. Não interessa se o dinheiro foi lavado ou adquirido em fuga aos impostos, ou teve origens na corrupção que é uma das causas da pobreza de muitos países como a Grécia, a Espanha e Portugal.

A dívida dos Estados é apesar de alguns riscos a mais compensadora e procurada, porque se trata de grandes volumes de dinheiro como o caso grego e português; e porque sendo um Estado a dever o investimento é mais seguro. Quando do perdão de 100 mil milhões à Grécia, não foram os que colocam o dinheiro nos bancos dos países do norte a juros zero, que assumiram as perdas mas sim os países que emprestaram a juros altíssimos, o dinheiro em circulação nos seus países; um risco que a Alemanha e outros países incluindo Portugal tiveram que suportar.

O negócio da dívida pública nos países do Sul, continua ser a galinha dos ovos de ouro do Norte da União; não nos podemos esquecer, que os juros da dívida portuguesa chegaram aos 17%; enquanto os da grega estiveram a rondar os 25%. Com estes juros elevadíssimos, os credores sabiam antecipadamente que não teríamos condições de o pagar; tendo ainda em conta que as medidas de austeridade impostas por eles faziam parte condicionante do empréstimo, que acabou por estrangular a economia destes dois países; até porque, foram eles que ditaram com a austeridade a impossibilidade do cumprimento.

É este ponto de rutura que leva o Syriza ao poder na Grécia; uma situação que a esquerda radical habilmente explorou na opinião pública, acusando a classe política de utilizarem a dívida do país como um veículo de corrupção e enriquecimento; porque uma coisa não podia existir sem a outra; uma teia que há 30 anos beneficia uma minoria da população de Portugal e da Grécia em particular muitos que passaram por cargos públicos ou em parcerias com o Estado.

Não tenho simpatia por populismos que normalmente prometem o que não podem cumprir; mas reconheço que a chegada do Syriza ao poder na Grécia, veio beneficiar a posição dos países do Sul expostos à dívida pública.

Portugal deve solidariedade ao povo grego, porque eles estão a fazer o nosso trabalho ao sensibilizar o Mundo para um novo tipo de escravatura que é a dívida pública; mas o governo português não faz essa leitura por obediência aos credores com receio que a torneira do dinheiro seja fechada.

Portugueses e gregos, viciaram-se numa dívida para as próximas gerações pagarem; esqueceram-se que quem beneficia dela são os ricos; e que quem é pobre fica sempre a perder.

Joaquim Vitorino, Jornalista

Bandeira Grega

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OBS: o Autor escreveu ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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