A Dívida Pública, é um veneno letal, por Joaquim Vitorino

                                                            A Dívida Pública, é um Veneno Letal.

Portugal caiu na armadilha de uma enorme dívida; um veneno letal onde só lhe resta uma de duas opções; renunciar ao seu pagamento, ou deixar arrastar até ao perdão ou esquecimento.

A divida pública asfixiou o desenvolvimento do nosso país, e simultaneamente criou um fosso assimétrico sem retrocesso para esta e a próxima geração.

Maria Luís Albuquerque, disse recentemente que a dívida pública portuguesa tinha sustentabilidade; é um otimismo que não partilho, porque está desenquadrado da realidade; quando a dívida se aproximou dos valores próximos do PIB, já Portugal estava sentenciado ao seu não pagamento; o estranho é que os credores sabiam o risco que corriam, e continuaram a emprestar dinheiro a Portugal.

Terão certamente que existir motivos e causas subjacentes, para que se compreenda como é possível que os portugueses venham a empobrecer ao mesmo ritmo, que entra dinheiro no país aumentando a divida pública. É preciso acrescentar que a divida é pressuposto ser o público a pagar, mas não tem tirado qualquer beneficio dela; sendo este um caso único em todo o Mundo Ocidental.

Ao longo de vários anos que o grande absorvedor da divida pública são as parcerias público-privadas, as Fundações, RTP, transportes públicos, com o metro de Lisboa e Porto a serem os campeões; as megalomanias de estádios de futebol e agora o caso TAP; em que na eminência da sua privatização os sindicatos querem reforçar a posição num autêntico atira abaixo, porque isto está a chegar ao fim.

A obstrução à privatização da TAP por parte de alguns partidos já não faz sentido; e quando chamam à TAP bandeira Nacional, só teriam razão se os seus colaboradores partilhassem as dificuldades do país para que a TAP continuasse a ser uma empresa sustentável e controlada pelo Estado; não exigindo privilégios que 95% da população não tem, mas que serão eles a suportar.

Lembro que uma das bandeiras inglesas a “Rolls Royce” e outras grandes empresas como a Rover, foram parar às mãos dos Alemães, e não vi os trabalhadores ingleses contestarem; porque acima de tudo existia uma preocupação manter o posto de trabalho; a Rolls Royce e a Rover ainda existem, assim como acontecerá com a TAP mas provavelmente com outro nome; o que irá acabar são mordomias a serem pagas pelos outros; porque não se justifica uma greve no Natal em que dezenas de milhares dos nossos emigrantes, ansiosos por abraçar os familiares de quem foram forçados a separarem-se, a dormirem empilhados nos aeroportos, ou a terem que adiar as viagens marcadas.

Não existe Governo que disponha de engenharia financeira para conseguir dar resposta às grandes prioridades do país enquanto uns vão destruindo o pouco que temos; a que se juntam a falta de honestidade e ausência de patriotismo.

O caso inglês é um exemplo; quando venderam dois dos grandes ícones da produção local como a British Airways que teve que encontrar parceiros para sobreviver; naquele país não se brinca com dinheiros públicos, porque os partidos políticos não obstante as divergências que os separa, são responsáveis e patriotas; é isto que marca a diferença para se ultrapassar os momentos difíceis.

O dinheiro que entrou em Portugal, contagiou e beneficiou muita gente; e serviu para manter empresas Estatais deficitárias a pagar salários altíssimos, criando grande desigualdade entre os portugueses; onde os mais prejudicados serão os que terão que pagar a dívida; onde mais de 80% ainda nem sequer nasceram.

Todos os políticos têm responsabilidades nesta calamidade, incluindo os que nunca foram governo. Foram estas grandes injustiças que criaram nas duas décadas “1990 a 2010” uma classe média forte em Portugal, baseada no endividamento; foi um sol de pouca dura que se esfumou com a crise e falência fraudulenta de vários bancos, que vieram arrastar Portugal para a pobreza sem retorno; como sem retorno será a decisão de privatizar a TAP, a RTP, os transportes e todos os organismos públicos que durante anos deram prejuízos; onde as águas deveria ser o único setor a não ser tocado, porque água todos temos direito a beber.

O recurso à divida pública tem sido durante anos “o crime perfeito” das classes elitistas em Portugal; e só existe um meio eficaz para o combater, que é privatizar o pouco que resta.

. Joaquim Vitorino, Colunista Especializado, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

OBS: o Autor escreveu ao abrigo do acordo ortográfico.

TAP

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Pobreza em Portugal

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