Associação integra jovens com necessidades educativas especiais na vida ativa

O PERCURSO NÃO É FÁCIL

Um grupo de pais de crianças com necessidades educativas especiais (NEE) fundou a Associação Educar, Reabilitar e Incluir Diferenças (ERID), que está agora a desenvolver um projeto de integração de jovens na vida ativa.

Gabriela Nunes, presidente da direção da ERID, é uma das fundadoras e o rosto visível desta associação, fundada em Castelo Branco, em 2004.

“A ERID surgiu porque defendíamos, e defendemos, que os jovens devem estar integrados nas escolas regulares. Os nossos filhos já estavam integrados, mas chegámos à conclusão que isso era insuficiente”, conta.

Erid amb trabalho

A associação funciona como um “porto de abrigo” para crianças e jovens com NEE e oferece um conjunto de apoios no centro de recursos, instalado na ludoteca da Escola Superior de Educação de Castelo Branco (ESE).

Apoio individualizado no âmbito das competências académicas, expressões artísticas (música, plástica, dança), terapias e consultas de pediatria do desenvolvimento, terapia da fala, fisioterapia, psicomotricidade, psicologia e atividades de hipoterapia integram o leque de ofertas da ERID.

“Temos crianças com problemas genéticos [trissomia 21], paralisia cerebral, autismo, défices cognitivos [ligeiros ou moderados] e hiperatividade”, explica Gabriela Nunes.

Neste momento, a ERID está a dar os primeiros passos no desenvolvimento de um projeto de integração de jovens com NEE na vida ativa.

O objetivo do Plano Individual de Transição para a Vida Ativa (PITVA) é integrar jovens com determinadas dificuldades na vida ativa, oferecendo-lhes experiências laborais e intervindo ao nível das competências socioprofissionais.

Erid  Cantina da ESECB

“É necessário criar repostas e novas formas de reflexão nesta área [transição para a vida pós-escolar], nomeadamente ao nível da inserção no mercado de trabalho de jovens com determinadas dificuldades”, adianta a presidente da direção da associação.

Para já, foi feita uma apresentação pública do projeto a empresários na sede da Associação Empresarial da Beira Baixa (ACICB).

“Estamos a começar. Estamos na fase do contacto com as empresas e já há alguma recetividade”, explica Gabriela Nunes.

O projeto implica também um trabalho de colaboração com as escolas, porque só duas jovens (dos quatro envolvidos no projeto) é que não estão a frequentar a escola e tem de haver várias ações de sensibilização para as empresas.

“Isto não é um processo rápido. Temos que ver, com os casos que temos, o que é que eles conseguem fazer, quais as suas apetências e gostos”.

Numa segunda fase, surgem os estágios dentro das empresas, sempre acompanhados com um monitor da ERID.

O objetivo último do projeto é que os jovens sejam absorvidos pelas próprias empresas envolvidas.

Sapataria Rosa Preto

O percurso não é fácil. A ERID já fez uma ação de sensibilização dirigida às empresas, “mas, infelizmente só estiveram três ou quatro representantes de empresas”.

Gabriela Nunes diz que o problema passa pela existência de “mundos muito separados”.

“As empresas têm um funcionamento tão vertiginoso que as pessoas dificilmente se libertam para conversar sobre estes assuntos. Muitas vezes, a dificuldade é estabelecer a comunicação e fazer a ponte”.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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