Terra, Mar e Sol, mas Miséria, por António Martins Moreira

TERRA, MAR E SOL. MAS MISÉRIA…

         É público e notório que Portugal é considerado um País pobre, o que é uma perfeita mentira.

         Toda a opinião pública assim nos considera. Mas sem razão.

         Quando chegou o 25 Abril/74 Portugal estava na “cauda” da Europa.

         Certamente pelo nosso atraso em relação aos demais Países europeus, às guerras coloniais em que o Poder político de então nos envolveu, ao nosso isolamento (orgulhosamente sós) e à falta das liberdades em todas as áreas.

         Com a chegada da Democracia e a nossa adesão à então C.E.E.  parece que, finalmente, o nosso Pais iria alcançar o desenvolvimento e o bem-estar do nível dos nossos parceiros comunitários a que nos íamos juntar.

         Pura ilusão.

         É certo que muito se alterou, para melhor, no nosso desenvolvimento económico  e social e nossa qualidade de vida.

         É inegável o progresso que se registou nas áreas da educação, da saúde e na construção das infraestruturas, estradas e auto-estradas, portos, aeroportos, escolas, hospitais, etc. etc.

         Mas na área do desenvolvimento do sector primário da nossa economia, agricultura, pescas e industrias, cometeram-se erros grosseiros e graves que nos têm custado caro, e cada vez mais caro.

         Ao longo destes 30 anos da nossa adesão à União Europeia os vários e sucessivos governos entenderam como boas políticas destruir a nossa débil agricultura e as pescas, quando podiam e deviam ter tomado a atitude inversa.

         Isto é, em vez de distribuírem subsídios a mais de 200.000 agricultores para deixarem de cultivar as suas terras e largá-las ao abandono, deviam ter incentivado a produção, destinando-se esses subsídios a quem produzisse, e na medida da intensificação dessa produção, com a correspondente criação de emprego

         A mesma atitude tomaram os sucessivos governos, desde 1986, com o sector das Pescas, distribuindo subsídios para o abate das embarcações de pesca, mais de metade da nossa frota, em vez de destinarem tais subsídios à modernização e ampliação da nossa frota, quando é sabido que temos a maior Z.E.E., isto é, a maior extensão de mar de toda a Europa.

         Em consequência desta política absolutamente absurda e desastrosa saída da P.A.C. (Política Agrícola Comum), somos obrigados a importar cerca de 80% dos bens alimentares de que necessitamos e, na área das pescas, importamos cerca 70% de pescado que consumimos.

         Outras das consequências do abandono dos nossos campos é a desertificação de todo o território do interior que obrigou a deslocação das populações para o litoral e para as grandes cidades, a engrossar as fileiras do desemprego.

         Tal política continua com o encerramento de milhares de escolas do interior do País, de norte a sul, de postos de saúde, de postos de correio, de Juntas de freguesia, de Tribunais, de Repartições de Finanças, etc. etc. etc.

         E assim, chegamos aos dealbar de 2015, com cerca de ¼ da nossa população, isto é, 2.500.000 (dois milhões e meio) dos nossos concidadãos a viver na miséria, na pobreza absoluta, desempregados, enquanto que nos últimos 3 ou 4 anos mais de 300.000 foram obrigados a emigrar, procurando trabalho no estrangeiro, isto é, em busca de melhor sorte.

         Este é o quadro que os nossos “políticos” nos oferecem.

         Mas ao contrário do que publicamente se diz, o nosso País não é um País pobre, mas sim um País com imensos recursos naturais.

         Simplesmente tem sido pessimamente administrado.

         Senão vejamos:

         Temos cerca de 80% do nosso solo, arável, embora em quase completo abandono.

         Temos reservas  de água e de minerais.

         Temos a maior Z.E.E. da Europa, isto é, um imenso mar.

         Temos bom clima, boas temperaturas, com sol durante todo o ano, propicio ao desenvolvimento do turismo.

         Mas, com estes recursos todos, adoptamos uma política errada, repete-se, subscrevendo e aceitando, como idiotas, a P.A.C. (Política Agrícola Comum) ao contrário, por exemplo, do que fizeram os nossos vizinhos espanhóis, que, subsidiando a produção (não o abandono) são auto-suficientes em produtos agro-pecuários, nomeadamente, cereais, e na área de pescas, conseguem já ser a 1ª frota mundial respectiva.

         Concluindo, se aproveitássemos os nossos recursos naturais e as suas potencialidades, para além de criarmos centenas de milhar de postos de trabalho, evitaríamos importar cereais dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa, carnes da Argentina e do Brasil, batatas de França e de Espanha, grão de bico do Chile e do México, cebolas da Bolívia, alhos da China, etc. etc. etc.

Dr António Moreira

*António Martins Moreira, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros

 ** Escreve ao abrigo da antiga ortografia.

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