Professoras de Castelo Branco dão nova vida ao feijão-frade com a “feijadinha”

ATUALMENTE, O FEIJÃO-FRADE É PRODUZIDO, SOBRETUDO, NA FREGUESIA DE LARDOSA, ONDE CERCA DE 10 PRODUTORES CULTIVAM ANUALMENTE 55 HECTARES

Duas professoras de Castelo Branco deram uma nova vida ao feijão-frade e criaram um doce inovador, a “feijadinha”, confecionado à base desta leguminosa, outrora produzida em grande escala por toda a região da Beira Baixa.

O feijão-frade, um produto obrigatório no acompanhamento da sardinha assada na região, ganhou uma nova vida, quando Florinda Baptista e Alda Sanches tiveram a ideia e decidiram aproveitar este produto endógeno da região para criar um doce que se assuma como uma referência da Beira Baixa.

feijao-frade

A receita desenvolvida por Florinda Baptista, com formação superior em química analítica, surgiu na sequência de uma ação de formação para professores sobre empreendedorismo, promovida pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB).

“Essa formação pressupunha desenvolvermos um produto ou uma ideia de negócio que tivesse em conta a nossa região. Foi isso que desenvolvi com a minha colega da Escola Cidade de Castelo Branco, do Agrupamento Nuno Álvares, Alda Sanches, e que apresentámos com um grupo de alunos nossos no Concurso de Empreendedorismo associado a essa formação, o qual vencemos”, adiantou.

As “feijadinhas”, como as designou, são já uma marca registada e “a receita está bem guardada e registada”, disse.

Florinda Baptista adiantou que toda a receita foi elaborada na sua própria residência e às suas custas.

Feijadinha

Feijadinha

Para a desenvolver, a docente sublinha que a sua formação superior em química analítica foi “um trunfo importante”.

“Foi feito um longo trabalho de experimentação e análises, para além de muitas provas de sabores, até obtermos o produto final”.

As “feijadinhas” foram apresentadas oficialmente na Feira do Feijão Frade, que decorreu em outubro, na freguesia de Lardosa (Castelo Branco), “onde foram confecionados cerca de dois mil doces”.

Além deste doce, a docente já criou outros produtos, todos associados ao feijão-frade, “como o licor de feijão-frade, a chamada ‘feijarosca’, os crepes ‘feijadinhos’ e o paté de duas caras, também produzido com feijão-frade da região”.

Associado a estes produtos gastronómicos, foi desenvolvido um conceito “gourmet”, no qual se associou a empresa de design RVJ Editores, que desenhou o logotipo, as caixas exclusivas para as “feijadinhas” e os suportes individuais dos doces.

“As caixas das ‘feijadinhas’, no seu interior, oferecem informação e imagens sobre os monumentos existentes na região”, explicou a docente.

Já para o Natal, as “feijadinhas” e os restantes produtos desenvolvidos por Florinda Baptista, vão passar a ser comercializados por uma empresa especializada.

Feijão-frade 1

Para já, as encomendas podem ser feitas através do “e-mail” feijadinhas@gmail.com.

Todo este trabalho, que resultou da ação de formação de Florinda Baptista e de Alda Sanches, acabou por ser recentemente reconhecido no Concurso Regional de Ideias de Negócio 2014, promovido pelo Programa Operacional Regional do Centro – Mais Centro.

“Participámos nesse concurso em representação da CIMBB e da Escola Cidade de Castelo Branco – Agrupamento Nuno Álvares, com os nossos alunos André Nunes, Inês de Castro, Henrique Carvalhinho e Rita Barata, onde obtivemos o terceiro lugar, que muito nos honra e orgulha”, concluem.

Atualmente, o feijão-frade é produzido, sobretudo, na freguesia de Lardosa, onde cerca de 10 produtores cultivam anualmente 55 hectares.

A produção do feijão-frade de cara verde, o que tem mais impacto na região, ronda os 32 mil quilos.

Além destes, há ainda pequenos produtores locais que produzem para consumo próprio, sendo que as três espécies mais apreciadas na região são o feijão de cara verde, o de cara preta e o feijão de arroz.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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