Penamacor recebe a tradicional festa do Madeiro

DIA 8 DE DEZEMBRO A VILA RECEBE O CORTEJO DE TRATORES E REBOQUES

 

O Madeiro, designação que aqui assume a fogueira do Menino Jesus, é tradição forte em terras de Penamacor.
Todos os anos, com o aproximar do Natal, por todas as freguesias do concelho, os jovens em idade de cumprir o serviço militar unem-se para cortar e transportar os troncos que alimentarão a fogueira para aquecer o Menino Jesus.

penamacor

O grande monte de madeira, depositado no adro da igreja, é ateado ao cair da noite do dia 24, à exceção de Penamacor, que arde de 23 para 24, e mantém-se aceso durante vários dias.

Depois da ceia de Natal, a população reúne-se em redor da fogueira, num gesto ritual de fraterno encontro.
Em Penamacor, a chegada do Madeiro tem data marcada e o ato assume foros de festividade.

De facto, no dia 8 de Dezembro, a população acorre generosamente à rua para saudar o cortejo de tratores e reboques, em número que procura sempre bater o antecedente, onde os jovens do ano, dantes só os rapazes e agora também as raparigas, empoleirados nos troncos, atiram à rebatina os frutos do ramo de laranjeira que a praxe manda trazer, cantando acompanhados à concertina.

Madeiro

Mas nem sempre as coisas se processaram de forma tão pacífica. Tempos houve em que encontrar lenha para o Madeiro era tarefa bem mais complicada. Dependentes da boa vontade das casas ricas locais, cujas ofertas ficavam aquém do desejado, os jovens viam-se na necessidade de roubar lenha, bois e carros, tudo a coberto da noite, para dar prova do brio da “Malta das sortes”. Assim se passava na generalidade das freguesias, onde a população ainda mantém o hábito de sair em peso à  rua na noite da consoada.

O Madeiro de Penamacor ganhou fama de ser o maior do país.

PENAMACOR VILA MADEIRO

Ao contrário de outras tradições, que manifestamente entraram em declínio ou desapareceram mesmo no concelho, o Madeiro mantém a mesma força e vitalidade de outros tempos. Sendo isto, verdade para todas a freguesias, o Madeiro de Penamacor alcançou um destaque inigualável, mercê de um salutar bairrismo gerado entre a “Malta do ano” e da cumplicidade, apoio e carinho dos familiares, população e instituições da Vila. Considerado o maior do país, o Madeiro de Penamacor, frequentemente notícia nas páginas dos jornais e motivo de reportagem nas revistas e televisões nacionais, foi, em 2011, eleito “A Tradição Mais Criativa de Portugal” numa votação online, de onde resultaria a rodagem de uma curta-metragem intitulada “Terra do Fogo”.

Madeiro Penamacor

Considerando a mais-valia que um tal património pode representar em termos de animação e desenvolvimento local, a Câmara Municipal de Penamacor, dentro do mais completo respeito pela tradição e em concordância e estreita colaboração com a “Malta de 94”, propõe-se levar a efeito o evento Vila Madeiro, que procura congregar a vila e o concelho em torno daqueles objetivos, apelando ao envolvimento de toda a população, comerciantes, artesãos  e particulares, que assim terão oportunidade de diversificar a sua atividade e aumentar os seus rendimentos.
O evento Vila Madeiro decorre em dois momentos:  o primeiro é constituído de um Mercado de Natal, a realizar no Jardim da República, nos dias 6,7 e 8 de Dezembro, onde artesãos e produtores locais são convidados a apresentar as suas melhores sugestões  para as  prendas de Natal, em tendas montadas pela Câmara, que também se responsabiliza pela iluminação natalícia, pela decoração das ruas e por um programa de animação de espaços públicos; o segundo momento terá lugar nos dias 20, com a realização do baile da Malta de 94, e 23 e 24, coincidentes com a queima do Madeiro.

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Em ambas as datas, o desafio é converter as ruas de Penamacor numa festa contínua, sobretudo nas imediações da igreja, mercê da iniciativa dos comerciantes, que, além de serem instados a primar na decoração das montras, são convidados a abrir os seus estabelecimentos sem limitação de horário, dando-lhes o uso que entenderem por aqueles dias, por exemplo transformar a sua loja de pronto-a-vestir ou a sua retrosaria numa sala de chá ou numa “licoria”).

De igual modo se apela às Associações e aos particulares a abrir portas e a instalar negócios (tasquinhas e venda de produtos diversos) nas próprias casas ou em casas que se encontrem devolutas cedidas para o efeito.
Ao mesmo tempo é lançado um concurso para as melhores receitas de bolos e licores à base de mel, produto local que a Câmara Municipal quer impor como uma referência do concelho, associado à Serra da Malcata.

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