Câmara do Fundão exige Unidade de Medicina Nuclear até final do ano

PAULO FERNANDES ADMITE ENTREGAR O CARTÃO DE MILITANTE DO PSD

A Câmara do Fundão exige “até final do ano” uma resposta da tutela relativa à criação da Unidade de Medicina Nuclear do Fundão, processo que se arrasta há dois anos e meio, disse hoje o presidente do município.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Fernandes (PSD) considerou a demora como “um autêntico escândalo” e referiu ser este “um prazo mais do que razoável”, principalmente se tiver em conta que “todo o trabalho prévio está realizado”.

Paulo Fernandes

Paulo Fernandes

“Neste momento, não conheço nenhuma razão técnica ou financeira para que não haja uma resposta cabal. Temos de lembrar que, nesta altura, já podíamos ter esta obra a avançar (até elaboramos caderno de encargos e abrimos o concurso público) e a verdade é que continuamos sem saber o que vai acontecer e a região continua privada de um serviço essencial”, lamentou.

O autarca recordou que entre o trabalho desenvolvido estão também “oito reuniões com a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), quatro encontros de trabalho com dois secretários de Estado e mais de 15 reuniões a nível local e regional”, bem como a elaboração de um protocolo tripartido entre as entidades envolvidas (Centro Hospitalar da Cova da Beira, Santa Casa da Misericórdia do Fundão e Câmara Municipal do Fundão), o qual deveria ter concluído o processo.

“Depois de enviarmos o protocolo ficaram de nos dar uma resposta em julho, mas até agora continuamos na mesma. Nem sequer nos foi enviada uma apreciação ou indicação para mudarmos algo. É inadmissível e incompreensível”, reiterou Paulo Fernandes.

Hospital do Fundão

O presidente do município explicou ainda que todo o custo da obra e aquisição de equipamento – num valor global superior a 600 mil euros – deverá ser “integralmente” assumido pela autarquia, motivo pelo qual considera ser “ainda mais estranho” a ausência de respostas.

Além disso, também teme que a situação ponha em risco a possibilidade de inscrever o projeto nos próximos quadros comunitários de apoio, o que “seria de facto um escândalo e do ponto de vista da gestão pública algo irracional”.

“Numa altura em que todas as entidades, designadamente autarquias e comunidades intermunicipais – estão a concluir os seus programas de estratégia plurianual é impossível continuarmos nesta ausência de decisão. Não podemos entrar no próximo Quadro Comunitário de Apoio sem ter de facto essa questão definida, de uma vez por todas”, reivindicou.

O autarca assume mesmo que poderá estar perante uma “falta de vontade política”, pelo que, e caso nada se altere até final do ano, admite entregar o cartão de militante do PSD.

“Das duas uma, ou isto avança e se responsabiliza aqueles ou aquilo que fez com que o processo tenha ficado na gaveta ou então estamos perante um caso mais concreto de falta de vontade. E nesse caso, pela gravidade que encerra, eu tomarei isso como uma afronta política ao presidente da autarquia, que obviamente tirará as respetivas ilações e, no mínimo, terá de sair da família política onde está inserido”, avisou.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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