Ex-presidente da Câmara da Covilhã garante que dívida era de 68,3 milhões

CARLOS PINTO CONSIDEROU QUE VÍTOR PEREIRA “FOI LONGE DEMAIS”

O ex-presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto, garantiu hoje que a dívida do município em 31 de dezembro de 2013 era de, 68,3 milhões de euros e não os 150 milhões referidos pelo atual presidente do executivo.

“Em 20 de outubro de 2013, estava longe de imaginar que teria de me pronunciar sobre coisas que tocam a minha honorabilidade. Foi completamente inesperado para mim, aquilo a que assisti desde há um mês para cá”, disse o ex-autarca, durante a apresentação de uma “Carta Aberta aos Covilhanenses”.

Carlos Pinto

Carlos Pinto

Numa sessão que decorreu no auditório da Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios (ANIL), na Covilhã, Carlos Pinto apresentou a carta aberta, um documento com 44 páginas, que explica e escalpeliza a gestão municipal, à data da sua saída da presidência.

Em causa, estão declarações do atual presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira (PS), que no início de outubro, citando as conclusões de uma auditoria externa realizada às contas do município, afirmou que a dívida global era superior a 150 milhões de euros, em 30 de setembro de 2013.

Carlos Pinto considerou que Vítor Pereira “foi longe demais” e na “Carta Aberta aos Covilhanenses” sublinha que a Covilhã tem um presidente de Câmara que “é um falsário manipulador, que não sabe distinguir entre passivo e dívida municipal”.

Vítor Pereira

Vítor Pereira

O ex-autarca explicou que o passivo inclui três grandes componentes: o passivo exigível, ou seja, as dívidas por pagar; o passivo não exigível, que inclui os acréscimos de custos e os proveitos diferidos e o passivo possivelmente exigível, refletido na conta provisões para riscos e encargos.

No caso da Covilhã, em 31 de dezembro de 2013, a soma dos proveitos diferidos, provisões para riscos e encargos e os acréscimos de custos, eram de 58 milhões de euros.

Ou seja, segundo Carlos Pinto, “o presidente da Câmara [Vítor Pereira], por magia frouxa, transforma cerca de 58 milhões de euros que não passam de operações contabilísticas, em dívida”.

“Ora se se retirar este valor ao tal passivo colossal e astronómico de 126,5 milhões de euros, cá temos, afinal, a verdadeira dívida de 68,3 milhões de euros, que vem nos documentos da Câmara e no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2013”, adiantou.

No documento, o ex-autarca sublinha ainda que “depois da leitura da auditoria, pode dizer-se que a montanha pariu um rato” e adianta que “o próprio relatório não deixa de ser na sua justificação global, um embuste e uma fantochada”.

Carlos Pinto cita o próprio relatório do auditor, onde este afirma que “as conclusões evidenciadas não foram previamente discutidas com o anterior órgão executivo [anterior presidente de Câmara], não contemplando assim informação adicional que eventualmente pudesse ser facultada, decorrente da referida discussão”.

Segundo o ex-autarca, quer isto dizer que Vítor Pereira “queria um relatório farsa” e “não estava interessado em que eu dissesse aos auditores o que estou aqui a dizer hoje”.

Em suma, sustentou que o atual presidente do município “inventou que passivo é igual a dívida” e acusou-o de uma “tentativa de enganar os covilhanenses”.

*Jornal de Oleiros/Lusa
 

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