Cáritas da raia de Portugal e Espanha unidas contra desemprego vão alargar rede

LINHAS DE AÇÃO PARA 2015 ATÉ FINAL DO ANO

Sete Cáritas diocesanas da raia portuguesa e espanhola uniram-se para combater o desemprego, com “resultados positivos”, e equacionam, atualmente, alargar a rede a mais cinco áreas, como o apoio à inserção social e à velhice.

CARITAS

“O que foi feito até agora está a ter resultados palpáveis e positivos e queremos alargar a nossa intervenção”, disse à agência Lusa o presidente da Cáritas de Portalegre-Castelo Branco, Elicídio Bilé.

A velhice e a infância, a inserção social, o voluntariado, o mundo rural e a criação de um modelo comum de dinamização comunitária são as áreas pensadas para a colaboração futura.

“Até final do ano, vamos tentar encontrar linhas de ação para 2015, para podermos desenvolver projetos e ações concretas”, realçou.

A colaboração enquadra-se no projeto transfronteiriço Rede de Apoio Mútuo de Cáritas Diocesanas da Raia, com três portuguesas (Beja, Évora e Portalegre-Castelo Branco) e quatro espanholas (Ciudad Rodrigo, Coria-Cáceres, Mérida-Badajoz e Salamanca).

Apresentada há um ano, a rede arrancou com uma plataforma informática com ofertas de emprego e de formação profissional dos dois lados da fronteira, graças a uma parceria com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), em Portugal, e à organização das Cáritas espanholas, que têm oficinas de emprego e empresas de inserção.

Caritas unem-se

Além de encaminhar as pessoas dos atendimentos sociais para os centros de emprego ou, até diretamente, para empresas, a rede disponibiliza, através da plataforma, apoios à sua mobilidade, nomeadamente com recursos linguísticos de português e espanhol ou ajudando-as a encontrar alojamento temporário.

Em jeito de balanço, apesar de o projeto ainda ter “muito pouco tempo”, não permitindo “muitos dados quantificáveis”, Elicídio Bilé considerou a experiência “um sucesso”.

“Está a resultar muito bem, na medida em que conseguimos fazer chegar estas informações às pessoas e algumas delas até já conseguiram um emprego ou trabalho por esta via”, destacou.

Na região de Beja, onde existem empresas agrícolas de maior dimensão e “mais trabalho sazonal nas vindimas e na apanha da azeitona”, exemplificou, “a Cáritas conseguiu colocações diretas com as empresas”, o mesmo acontecendo do lado espanhol e em zonas portuguesas.

“E sabemos que também houve outras pessoas colocadas noutras áreas de atividade”, disse, insistindo que este “sucesso”, para já, não pode ser quantificado, o que não o desvirtua: “Qualquer que tenha sido o número de pessoas, já é muito bom, significa que as ajudámos”.

O desemprego foi escolhido para o arranque da rede transfronteiriça porque, segundo Elicídio Bilé, “é uma realidade que, todos os dias, ‘bate à porta’ das Cáritas” e que estas conhecem “muito bem”.

“Estas zonas da raia são as mais definhadas em termos de emprego em ambos os países. Sentimos a necessidade de fazer alguma coisa e temos a perceção de que está a resultar”, congratulou-se, acrescentando que, agora, “é altura de dar um passo em frente” e alargar o projeto.

*Jornal de Oleiros/Lusa

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