António Salvado “O caminho se faz por entre a vida “

COLÓQUIO DEDICADO AO POETA ALBICASTRENSE ARRANCA HOJE

O colóquio “O caminho se faz por entre a vida“ dedicado à obra do poeta António Salvado começou hoje  numa organização da Câmara Municipal de Castelo Branco. Professores e investigadores, de algumas Universidades portuguesas e estrangeiras analisarão, com leitores locais, a densidade e excecionalidade da obra poética de António Salvado.

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Estão confirmadas as participações de Alfredo Pérez Alencart, Alice Spíndola, José Maria Quiros, Santolaya Silva, Luis Frayle Delgado, Miguel Elias, Verónica Amat, António Cândido Franco, António Lourenço Marques, António Pedro Pita, António dos Santos Pereira, Carlos Lopes Pires, Fernando Paulouro Neves, Gabriel Magalhães, Joana Ruas, Luís Cláudio Ribeiro, João Mendes Rosa, José d’Encarnação, José Fabião Baptista, Manuel Costa Alves, Manuel Silva Terra, Manuel Simões, Maria Lucília Meleiro, Maria de Lurdes Gouveia Barata, Maria do Sameiro Barroso, Nicolau Saião, Paulo Samuel, Ricardo Marques, entre outras. Sessões Temáticas decorrerão, nos dias 24 e 25 de Outubro entre as 10h às 13h e das 15h às 18h30 | na Biblioteca Municipal de Castelo Branco.

Hoje, pelas 21 horas, no Centro de Cultura Contemporânea apresenta-se a sessão ”António Salvado: Desabrigar a Sombra” com a apresentação de Vídeo Poemas. António Lourenço Marques, Carlos Semedo, Fernando Paulouro Neves, José Pires, Manuel Costa Alves e Maria de Lurdes Gouveia Barata constituíram a comissão organizadora do evento.«

António Salvado um poeta do interior

António Salvado

António Salvado, nasceu em Castelo Branco em 1936.Antigo diretor do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, Salvado é também ensaísta e antologista. Ficou célebre a primeira reunião de poesia feminina portuguesa por ele organizada na década de sessenta do passado século de que uma poetisa tão exigente como Natália Correia, tanto gostava. Está traduzido em castelhano, francês, italiano, inglês e japonês. Verteu para português, entre outros, poetas tão diferenciados como Cláudio Rodriguez, Ricardo Paseyro, António Colinas ou Pérez Alencart Licenciado em Letras tem dividido a sua vida profissional pelo ensino, pela museologia e pela divulgação da cultura regional. Salientemos a sua pesada antologia de autores nascidos no districto de Castelo Branco desde o século XVI até ao Século XX. E foi esta riqueza criativa da oficina intelectual de Salvado que também levou a organização a organizar este encontro que reúne contribuições de docentes da Universidade de Coimbra, de Évora, de Lisboa da Beira Interior, de Ávila e de Salamanca.

Salvado um poeta plural

A critica do Diário de Noticias Maria Augusta Silva considera que: «Numa leitura (ou releitura) da poesia de António Salvado sente-se o quê? Uma estética do sentir? Uma estética formal? Ambas, por certo, e fazem-se num casamento de equilíbrios, prestando justiça a Schiller quando filosoficamente advoga que, no ser humano, distinguem-se o “impulso sensível” e o “impulso formal”, um e outro reciprocamente moderadores no intento da sonhada harmonia. É essa grande harmonia regeneradora que se desenvolve na obra poética de António Salvado.».

Obra do pintor Santiago que retrata António Salvado

Obra do pintor Santiago que retrata António Salvado

Igualmente Luís Miranda Rocha considera a poesia de Salvado: «Um trabalho muito na linha das grandes tradições líricas, de expressão contida, tensa e elíptica que depois se apura no sentido poético, como resultado de conexões referenciais e sobretudo grandes tensões internas ao discurso, ao rigor da enunciação, a um tom e a inflexões mais distintas da voz, da fala, no fluir verbal, consistência do texto como construção. Hoje, situa-se num difícil equilíbrio entre a tendência para o excesso verbal e algum abstracionismo no processo criador de referências, por um lado; por outro, num esforço de contenção expressiva e emotiva, que limita, condiciona e molda formalmente a expressão, e na propensão para a abstração do processo criador de referências que identifica e liga a poesia de António Salvado a uma tradição de espiritualidade, idealismo, até religiosidade às vezes, e nalguns casos (este, desde logo), onde mais bem se exprimem as grandes inquietações com as condições da vida e da existência, e se desvendam os caminhos ensombrados da humanidade, pessoal e social. «

Por fim, para Luís Claúdio Ribeiro, Professor na Universidade Lusófona:

«Há poetas que vêm connosco desde sempre. Perdidos na infância, ambos. Lembramos nomes. Às vezes ainda não como criadores de poemas e obras mas apenas um nome. Depois chegamos àquela idade que se deseja ler sem sabermos a causa. É aqui que surge António Salvado. Como outros, mas no meu tempo apenas, limitou uma pátria sensível e sobre ela escreve. Se este texto tivesse outro alcance, podia falar de uma cultura sensível, aquela que permanece inviolável nas comunidades beirãs: um olhar muito próximo da natureza que ele soube captar como poucos; um ouvido apurado para o fazer dos insetos se é verão; o itinerário das águas e a metamorfose das flores. E como todos os que chegam à sua idade (Castelo Branco, 20 de Fevereiro de 1936), sente-se agora nos seus poemas um outro alcance, uma espécie de ética poética que quer transmitir aos seus leitores. E por baixo, mesmo no lugar em que o seu sangue tinge as ribeiras, o assombro constante de quem pela primeira vez viu crescer e definhar uma flor. Os poetas lembram-nos mais que outros o que é estarmos vivos, mesmo que cercados pelo inverso.»

Dois dias a não perder na cidade de Amato Lusitano.

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