INQUIETUDE – Encruzilhada

Inquietude

Encruzilhada

Há momentos na vida de um homem que dão a sensação de que está numa encruzilhada.

Seja na vida amorosa, no plano laboral, na sua trajetória social, cultural ou política, há sempre algures no tempo, um momento desta natureza.

Passou-se comigo, já no plano amoroso, passou-se comigo no plano laboral, familiar e está neste momento a passar-se no plano político-partidário. Estou efetivamente numa encruzilhada.

Depois de ter assumido posições que me pareceram as mais corretas porque induzidas por questões de consciência e de convicções e perante o desfecho negativo das mesmas, estou agora num dilema ou encruzilhada, se preferirem, sobre qual o caminho a seguir.

De um lado tenho um manancial histórico de quarenta anos de militância partidária, de outro lado tenho imperativos de consciência motivados por convicções das quais não quero abrir mão.

Das duas, uma: ou cedo ao sentimentalismo de 40 anos de lutas árduas e difíceis, até no plano da integridade física e estou-me a lembrar do verão quente de 1975, sobre o qual já escrevi e narrei algumas histórias ou assumo integralmente o que a minha consciência democrática me dita e levo até às últimas consequências, o assumir das minhas mais profundas convicções que me trouxeram até aqui e parto para novas batalhas, novos companheiros de luta e seguramente novos desafios. Em época em que a podridão que infesta o espetro atual da política partidária, onde os interesses e os negócios prevalecem sobre o que é mais puro e nobre na atividade política que é servir as pessoas e o país, está na hora da mudança. Mudança de mentalidades, de atuação, de comportamentos de princípios, de práticas.

Não é fácil. Pois se o fosse não teria logo afirmado que estou perante uma encruzilhada.

Terei ainda algumas semanas para decidir o que fazer. Uma coisa é certa, seja qual for o caminho escolhido, ele trará consigo o reforço das convicções, o aprofundar de uma cultura democrática, apanágio daqueles que olham para a política sem interesses, com sentido de serviço, da mudança que comanda a vida e da procura incessante de caminhos que nos transportem para um plano mais democrático, no mais elevado espírito republicano.

Quarenta anos depois, Portugal necessita de outro 25 de Abril. Desta vez sem armas e sem cravos. Um novo abril, com homens sérios, que apostem na mudança sem constrangimentos de um passado ao serviço dos interesses e da promiscuidade entre política e os negócios.

É para isto que estou disponível no futuro próximo.

* INQUIETUDE, Coluna semanal do Director-Adjunto, José Lagiosa

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