Realidade florestal do país igual à de 1996

1ª Conferência do Pinhal em Oleiros

SEGUNDO RESPONSÁVEL DO ICNF

Um responsável do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) disse hoje, em Oleiros, que na fileira da floresta “nem tudo vai bem” e que a realidade florestal do país “é igual à de 1996”.

“Neste setor [floresta], nem tudo vai bem. A realidade florestal [no país] é igual à de 1996. Não há incremento na gestão e investimento, e faltam objetivos empresariais”, disse Amândio Torres, sublinhando o baixo investimento no território ao longo de décadas.

Amândio Torres

Amândio Torres

Amândio Torres falava hoje durante a 1.ª Conferência do Pinhal, uma iniciativa organizada pelo Jornal do Fundão e pela Câmara de Oleiros.

Para este responsável do ICNF, é preciso desmistificar a falta de cadastro, “como a mãe de todos os males”.

Disse ainda, a este propósito, que se deve avançar para outro modelo, tendo como base as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).

A utilização do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) como instrumento para a implantação de um novo modelo foi também defendida pelo responsável do ICNF.

“Se é um instrumento [IMI], podemos utilizá-lo de uma forma proativa”, sustentou.

Amândio Torres disse também que, atualmente, “o IMI é um incentivo ao abandono [da floresta] e não à produção”.

1ª conferência do Pinhal

Avançou ainda com alguns dados sobre o panorama do setor florestal nacional, que tem atualmente 156 ZIF, 22 mil proprietários aderentes, 150 entidades gestoras de organizações de produção florestal (OPF), 800 mil hectares em ZIF e apenas seis empresas gestoras.

“Importamos mais de dois milhões de metros cúbicos de material lenhoso, o consumo do eucalipto está nos 8,1 milhões de metros cúbicos e importamos 700 toneladas de madeira de folhosas de zonas temperadas”, disse.

“Isto, a continuar assim, vai dar asneira da grossa daqui a 10 ou 15 anos”, sustentou.

Amândio Torres realçou o baixo nível de apoio ao investimento florestal, sobretudo no período entre 2005 e 2009, e classificou como “preocupante” o panorama dos acidentes de trabalho na fileira da floresta, onde “um em cada cinco trabalhadores têm um acidente por ano”.

*JO/Lusa

 

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