Quercus defende reforço “significativo” da fiscalização no Tejo Internacional

EM CAUSA ÉPOCA DE NIDIFICAÇÃO DO ABUTRE-PRETO

A associação ambientalista Quercus defendeu hoje um reforço significativo da fiscalização, “atualmente deficitária”, no Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI), que comemora hoje 14 anos.

Tejo Internacional

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“A fiscalização [no PNTI], atualmente deficitária, necessita de ser significativamente reforçada”, refere hoje a Quercus, em comunicado enviado à agência Lusa.

A associação ambientalista faz uma retrospetiva daquilo que foi feito “de positivo e negativo” na área protegida do Tejo Internacional e traça alguns cenários “com base na definição de ameaças e na identificação de oportunidades”.

No comunicado, a Quercus refere que o PNTI “é o único local em Portugal onde nidifica o abutre-preto, que esteve extinto mais de 40 anos, tendo regressado a nidificar no nosso país em 2010”.

Neste sentido, a associação ambientalista considera que a navegação fluvial na época de nidificação em troços do rio Tejo e Ponsul, “sensíveis sob o ponto de vista de conservação da avifauna rara ou ameaçada que aí se reproduz”, é uma ação perturbadora e uma “fraqueza” que afetam o PNTI.

Casal de abutre-negro

Casal de abutre-negro

A existência de um plano de ordenamento que permite a navegação no rio Ponsul e troços do rio Tejo durante a época de reprodução levou a Quercus a recorrer recentemente à via judicial para impedir que as espécies ameaçadas possam ser alvo de perturbação durante o período de nidificação.

No documento, a associação ambientalista aponta “outras perturbações”, como a “permissividade à abertura indiscriminada de caminhos e à construção de habitações dispersas” na área do PNTI, e a presença de barragens, como a de Monte Fidalgo/Cedillo, “que constitui também a causa para a degradação da qualidade da água no rio Tejo”.

A Quercus reitera a necessidade de adoção de medidas de gestão dirigidas para a manutenção e recuperação do património natural existente no PNTI.

Essas medidas devem, segundo a associação ambientalista, incidir, “sobretudo, no condicionamento da implementação de infraestruturas nos locais de maior sensibilidade, nas limitações à navegação nos troços com a presença de espécies ameaçadas, na recuperação da vegetação autóctone e na realização de ações concretas de conservação direcionadas para as espécies como o abutre-do-Egito, a cegonha-preta e o abutre-preto”.

No ano 2000, foi criada a área protegida do Tejo Internacional, resultante de uma “longa luta” da Quercus que, desde 1988, tinha vindo a exigir a criação desta área protegida.

em voo

Abutre-negro

A área do PNTI abrange o vale do troço fronteiriço do rio Tejo, bem como vales confinantes e zonas aplanadas adjacentes e é uma área de reconhecida importância em termos de conservação da natureza, nomeadamente pelos valores faunísticos que alberga.

Estão inventariadas mais de 200 espécies de vertebrados e identificadas 51 espécies endémicas.

Por apresentar uma avifauna muito diversificada e ameaçada, parte da área do PNTI foi integrada, em 1999, na Rede Natura 2000, com a criação da Zona de Proteção Especial Tejo Internacional, Erges e Ponsul.

*Jornal de Oleiros/Lusa

 

 

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