As trincheiras de Lisboa

 

O Pavilhão de Portugal, que durante 16 anos tem limitado a sua rara atividade a poucos eventos, esconde nos seus túneis e acessos a desgraça de muitos que até há pouco tempo integravam a classe média portuguesa; outros mais corajosos fugiram do país com um sentimento de revolta na bagagem; deixando para trás uma única promessa a de nunca mais regressar.

Uma gota de água fez transbordar o copo do fatalismo ancestral de um povo, que se tem deixado enganar por aqueles que só pensam em enriquecer, enquanto o país empobrece e definha para níveis de uma impossível recuperação.

O fundo de resolução é uma pomposa palavra para assegurar a continuidade de um Banco desacreditado em que os portugueses perderam toda a confiança; por mais que aqueles que querem salvar os depósitos acima dos 100.000 euros nos queiram impingir; a mensagem de que tudo entrou na normalidade e que amanhã a confiança no “Novo Banco” assim se chama a nova instituição, levará os depositantes a formar fila para lhes confiar o seu dinheiro, é no mínimo chamarem estúpidos aos portugueses que querem ver condenados os golpistas, e não em liberdade caucionada com o dinheiro dos seus depósitos; só assim o Novo Banco merecerá a sua confiança e servirá para um exemplo futuro.

A solução encontrada foi evidentemente a pensar em salvar os depósitos acima de 100.000 euros, muitos pertencentes às elites e seus amigos que no seu conjunto ultrapassam o “rombo” de 3.7 mil milhões, ficando ainda por esclarecer o que cabe aos maus e aos bons; e o que vão fazer aos maus para compensar os bons; que devia ser todo o arresto do património e confiscação de contas dos primeiros; que seriam mais que suficientes para pagar duas vezes o buraco de 3700 milhões.

Neste caso quem vai perder são os pequenos investidores, que trabalharam toda uma vida para pouparem umas dúzias de milhares de euros para fazerem frente a um futuro negro e incerto. Portugal foi catapultado para um estado de capitulação face ao poder do dinheiro; ficando à beira da falência como o maior banco privado o BES.

As portas para a corrida aos saldos do pouco que nos resta está quase a começar, e os portugueses nem se apercebem da tragédia que os está a atingir, preferindo esconder a cabeça debaixo da areia; nem o futuro dos filhos os preocupa, porque o deles está à vista de um “cego”.

Portugal perdeu o comboio onde embarcou toda a Europa; preferiu juntar-se a países como a Guiné Equatorial, e colocar o seu património a preço da “chuva” à disposição daqueles para quem os direitos humanos são um luxo Ocidental que lhes merece toda a indiferença. Os portugueses caíram na teia do deslumbramento do dinheiro fácil; por tudo e por nada recorreram a empréstimos arruinando-se e às suas famílias; foram 25 anos que não mais vão ser esquecidos; a fatura que nos está a ser apresentada levará 5 gerações a pagar ”150 anos”.

Não quero ser injusto para com todos os que ocuparam cargos nos sucessivos governos, e que tentaram com que o país não fosse atingido com tanta dureza; porque era pressuposto que a integração na Europa resolveria todo o nosso atraso pelo que vou dividi-los em dois grupos; os que tiraram todo o benefício da situação portuguesa que é única na europa; e os outros que ingenuamente, ainda sonham com um lugarzinho no “Panteão Nacional.

A situação encontrada para o caso BES foi mais política que económica, que visou salvaguardar muito do património dos prevaricadores; mas o tempo o dirá.

As “trincheiras” do Pavilhão de Portugal, estão a ficar sem espaço para acolher os danos colaterais da gestão financeira deste país; Fernando Galveias “na foto” um antigo quadro da General Motors terá muito que esperar, para que lhe seja dada uma segunda oportunidade de vida.

* Joaquim Vitorino

Fernando...

Fernando…

 

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