Agricultura e Pescas em Portugal; Por quem os sinos dobram

 

Muito pouco se tem feito para que o nosso país saia desta situação de paralisia, nestes dois importantes setores que são a agricultura e as pescas, para que Portugal se torne menos dependente do exterior nestas áreas em que poderia ser dada uma resposta cabal e eficaz, para que as populações sejam beneficiadas não só na qualidade, como também nos custos.

Nos dois Concelhos que me são mais familiares, o Cadaval onde fixei residência e o Bombarral de onde sou natural, nota-se de ano para ano a metamorfose dos terrenos agrícolas, em que vastas áreas da produtividade foram abandonadas por falta de meios suficientes para dar continuidade à sua exploração.

É de louvar alguma teimosia de agricultores já com avançada idade que tentam inverter esta tragédia Nacional que terá terríveis repercussões no futuro alimentar das nossas populações em especial as mais carenciadas; alguns dos meus vizinhos e amigos queixam-se de falta de meios, e dizem que foram abandonados por quem os deveria ajudar; as suas magras reformas logo que recebidas, vão direitinhas para os produtos indispensáveis para a atividade, como sejam os pesticidas, os adubos e os combustíveis; e a dificuldade na recuperação de maquinaria antiquada, porque não têm condições económicas para adquirir material novo.

Quem conhece como eu estas zonas a uma distância de 60 quilómetros de Lisboa, receia que mais de 250 km quadrados dos dois Concelhos, venham a constituir a maior reserva de caça selvagem às portas da Capital do país.

A ministra de agricultura sabe dos graves problemas nesta Zona Oeste, que até está bem servida de meios de comunicação; o Bombarral pela A8 e linha férrea, e o Cadaval pela A8 e A1.

Recentemente fecharam os Tribunais nestes dois Concelhos obrigando a deslocação a Torres Vedras e Caldas da Rainha de pessoas com fracos recursos; se dermos uma volta por zonas urbanas destes dois Concelhos, constatamos que para além do centro e junto aos passos dos Concelhos destas duas Vilas do Oeste, mais de um terço encontra-se em ruínas; tornando quase uma miragem que alguma vez a sua recuperação seja possível, tal o estado caótico em que se encontram.

..estrada...boa...

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Um outro exemplo, existem estradas que são da responsabilidade do Município do Cadaval como é o caso da Nacional 115 entre a Vermelha e a Palhoça, em que o perigo de um grave acidente está eminente há mais de 5 meses; como se vê na foto, o buraco na estrada come um terço da via que antecede uma curva acentuada e sem visibilidade; uma ratoeira que só por milagre ainda não causou vítimas.

É uma zona com grandes quintas de produção de vinho e pera rocha, onde uma destas propriedades chegou a produzir 4 mil toneladas deste fruto; e uma só Adega a da Vermelha, nos anos de grande produtividade chegou a recolher num só ano 33 milhões de litros de vinho.

A ministra Assunção Cristas conhece os problemas da agricultura local mas pouco pode fazer, porque não dispõe de meios eficientes para o arranque da agricultura, sendo a ajuda paliativa e ineficiente. O mesmo acontece com as pescas em Peniche, São Martinho do Porto e Nazaré, que são os portos pesqueiros mais próximos destes dois Concelhos; os pescadores não têm meios para pescar quantidades em que a população venha a beneficiar do preço, e limitam-se a pescar o suficiente para sobreviverem; não faz sentido que o custo de um quilo de sardinha ronde entre os 8 e 10 euros por quilo; é preciso não esquecer que 50% da sardinha é desperdício, tornando este popular alimento para os portugueses e turistas ao preço do bife de lombo; levando a que 70% dos portugueses não lhe tenham acesso mesmo sendo Portugal o país com a maior “fatia” de mar da União Europeia.

O desânimo instalou-se estre estas duas atividades; tendo um terrível reflexo nos mais jovens, que logo que saem das Universidades e Politécnicos, fazem as malas e emigram; criando um vazio no parque habitacional que fica condenado ao abandono não merecendo a pena a sua recuperação, porque jamais alguém o habitará.

 Joaquim Vitorino     –    Jornalista

Vermelha  –  Cadaval

Joaquim Vitorino

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