Colonização dos oceanos pelos crustáceos decápodes tem como causa aquecimento global

HÁ MAIS DE 250 MILHÕES DE ANOS

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Os Crustáceos encontram-se entre os animais mais diversificados nos oceanos, habitando as planícies de maré equatoriais, aos mares polares e fundos abissais. Atualmente, o seu sucesso traduz-se pela existência de mais de 65 000 espécies. No entanto, a diversificação dos crustáceos, e em particular os decápodes como os camarões, os caranguejos ou as lagostas, enquanto verdadeiros “engenheiros” dos ecossistemas, capazes de criar, manter e modificar habitats, ainda é pouco conhecida e controversa.

Uma equipa de paleontólogos e de geólogos do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional sob os auspícios da UNESCO, em Portugal, e das universidades italianas de Milão e Pavia, descobriu importantes fósseis na ilha italiana de Sardenha.

Carangueijo

Em rochas que retratam ambientes fluviais que aqui existiram há cerca de 270 milhões de anos os investigadores encontraram as características escavações deixadas por talassinídeos e por lagostins de rio. De acordo com o paleontólogo italiano Andrea Baucon, “os abrigos destes distintos grupos de crustáceos ocorrem juntos em antigos canais fluviais”.

O paleontólogo português Carlos Neto de Carvalho foi surpreendido pela qualidade do registo fóssil, “após 270 milhões anos tanto os lagostins de rio como os talassinídeos que podemos encontrar em regiões marinhas costeiras continuam a construir os seus abrigos exatamente do mesmo modo, evidenciando o mesmo comportamento em ecossistemas hoje drasticamente separados pela salinidade das águas”.

Camarões

Com a aplicação pioneira da Teoria de Redes, um método matemático e gráfico atualmente muito utilizado em tecnologias de informação e ciências sociais, ao registo fóssil de Cala del Vino, os investigadores puderam entender como estes crustáceos se organizavam em comunidades e de que forma responderam ao aquecimento global e seca generalizada que culminou no fim do Pérmico, há cerca de 250 milhões de anos, com a maior extinção em massa de que há registo nas rochas do nosso planeta, que dizimou 96% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres.

As novas descobertas foram descritas em recente edição da reputada revista científica internacional Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

 

 

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