INQUIETUDE: República – parte II

Inquietude

República – parte II

Raul Rego

Raul Rego

Mas isso fica para a semana… foi assim que terminei o meu escrito na passada edição. Vamos lá então continuar:

… Passados que foram aqueles instantes de medo, confusão e perplexidade, recompusemo-nos e voltámos à carga voltando a pressionar as tropas revolucionárias.

Mas de repente, alguém se lembrou que nas traseiras do prédio do jornal República, havia um portão que dava acesso ao jornal. E eu, o João Franco e mais alguns camaradas lá fomos dispostos a entrar no edifício para tentar inverter a marcha dos acontecimentos. Nenhum de nós tinha treino militar e os poucos contatos com armas tinham sido alguns minutos com um militar democrático que nos tinha ensinado a manusear uma G3 e uma UZI, pistola-metralhadora de fabrico israelita e que equipava à data, entre outros, a PSP, mas isso não nos impediu de tentarmos levar a cabo as nossas intenções, mesmo estando desarmados e lá dentro estar o tal grupo armado. É claro que logo que forçámos a entrada fomos cercados e arrastados para o exterior, pese embora alguma resistência da nossa parte. Mas o mais inexplicável estava para acontecer. Logo que nos colocaram no exterior, eu resolvi, sabe-se porquê, voltar a tentar entrar. E se bem o pensei, melhor o fiz. Forçada a entrada, só depois de estar novamente e completamente cercado é que percebi que o tinha feito sozinho. O resto dos meus camaradas ou por hesitação ou por uma razão que a mim não me assistiu, não me seguiram. Vi a coisa mal parada.

Era reincidente na tentativa e aqueles homens armados começavam a ficar sem paciência para o inimigo. Naquele verão era assim que eles sentiam. Por seguidismo, muitos, por convicções fortes, outros tantos. Mas fundamentalmente porque tinham nas tropas do Comando Operacional do Continente, mais conhecido por COPCON, um aliado que desestabilizava a corelação de forças.

Contudo a força da razão, a força da Liberdade que nos acompanhava dava-nos uma resistência que nunca imaginaríamos, noutras circunstâncias, ter. Ainda hoje não consigo, racionalmente, explicar o que me levou a fazer a segunda invasão, ou tentativa da mesma. A não ser a vontade de não perder a liberdade conquistada um ano antes.

* INQUIETUDE, Coluna semanal do Director-Adjunto, José Lagiosa às 5ªs feiras

Republica

 

 

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