Uma Bengala para a Coligação, por Joaquim Vitorino

Uma Bengala para a Coligação

A Bengala do GovernoSAMSUNGAntónio Costa, ao desafiar o Líder do seu partido transformou-se numa bengala para a coligação.

Talvez não fosse essa a sua intenção, mas as causas não anulam o efeito; porque já não pode voltar atrás.

António Seguro foi muitas vezes complacente com o Governo, mas não é de todo censurável se colocou o interesse de Portugal acima do Partido Socialista; o que é inquestionável, é que A. Costa não mediu as consequências do momento crucial no país, ou o moveu uma enorme ambição pessoal e essa, jamais servirá Portugal.

Não pertenço a nenhuma das fações em litígio, nem estou a defender a coligação; os meus leitores mais atentos de certeza, que através de mais de duzentos artigos e crónicas que publiquei nos últimos 22 meses, já compreenderam que sou um simpatizante da monarquia; em que teve um grande peso a situação caótica em que os Partidos políticos portugueses em representação da República, deixaram afundar o nosso país.

A decisão de A. Costa por quem tenho uma certa simpatia pessoal pelo trabalho feito na C. M. de Lisboa, foi extemporânea e constitui uma “lufada de ar fresco” para este Governo e também para o Sr. Presidente da República, que vê assim confirmada a sua acertada decisão em deixar a coligação ir até ao fim, porque as eleições antecipadas deixariam tudo na mesma.

António Seguro estava seguríssimo, que antecipar as eleições seria um risco por dois motivos; teria que se aliar à esquerda, o que teria um custo inaceitável para muitos Socialistas, ou fazia uma aliança com a direita que seria uma concordância explícita com as políticas dos Governos anteriores, o que o colocou entre a espada e a parede; optando pelo desgaste do governo até ao final do mandato em 2015.

António Costa apercebeu-se e ficou impaciente porque não servia os seus objetivos pessoais; António Seguro ganhou 2 eleições o que não foi assim tão mau, porque o PS não pode fugir às responsabilidades na situação precária em que nos encontramos; e os portugueses não vão esquecer quem pediu a assistência financeira ao nosso país; por isso A. Costa não será o Salvador de Portugal se assumir que o PS é tão culpado quanto os outros; e o que se passa nesta disputa, nada tem com os resultados das últimas eleições; trata-se sim de um assunto estritamente pessoal.

O país não precisa de messianismos de qualquer espécie, mas de alguém que coloque Portugal e o seu povo acima das elites dos partidos políticos que representam, o que no caso em referência nem uma palavra neste sentido; porque não apresentou um plano político e de desenvolvimento económico, que conduza à salvação Nacional.

Aliás viu-se a colagem quase imediata ao desafiante A. Costa de alguns históricos para não perderem o comboio daquele que melhor defenderá os seus interesses. Portugal está a caminhar para uma viagem sem regresso; quem tiver a coragem e honestidade de inverter esta viagem suicida com sucesso, terá certamente o país a seus pés.

Em confirmação do que se está a passar, bastaria dar uma vista de olhos na zona de embarque do Aeroporto de Lisboa, quando da partida dos Deputados eleitos para o Parlamento europeu; parecia uma excursão da terceira idade a rumar a Bruxelas; alguns já na idade da reforma receberam como prémio de carreira uma “estadia” no Parlamento europeu; outros foram empurrados para longe, porque seria um incómodo mantelos por perto; com grávidas em proximidade do parto, e outros sem qualquer experiência para o cargo.

Os portugueses não fazem a mínima ideia, do que esta gente vai fazer para o clube dos ricos o “Parlamento Europeu”, em benefício do nosso país; é que esta Via Sacra já dura há 30 anos e Portugal continua cada vez mais pobre e atrasado, dependente da emigração e da dívida.

* Joaquim Vitorino – Jornalista, Colunista do Jornal de Oleiros e Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

 

 

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