Catedral de Manchester recebe exposição da arquiteta portuguesa Cristina Rodrigues

“MULHERES DO MEU PAÍS”

A catedral de Manchester vai hastear, na quinta-feira, a bandeira de Portugal, para uma instalação artística de grande escala da arquiteta Cristina Rodrigues, que inclui uma “manta” de adufes trabalhada por mulheres imigrantes.

Cristina Rodrigues

Cristina Rodrigues

Para este projeto, Cristina Rodrigues angariou um grupo de mulheres imigrantes portuguesas da região de Manchester, para entrançar as fitas de seda e rendas que unem os 63 adufes.

Durante os últimos meses, trabalharam com entusiasmo no ateliê da artista, muitas vezes até de madrugada.

O objetivo foi contribuir para o tema da exposição, intitulada “Mulheres do Meu País”, mas, ao longo dos meses, como a artista contou à agência Lusa, o projeto atraiu o interesse de iranianos, polacos, espanhóis, iraquianos e paquistaneses.

Vários identificam-se com alguns dos elementos estéticos das obras, que incluem têxteis coloridos e técnicas e padrões recuperados das tradições rurais, que a artista recolheu num trabalho etnográfico anterior, e que remetem para raízes islâmicas.

Outros, afirmou, reconhecem a mensagem do “ser imigrante num espaço e ser percebido como não sendo daqui, nem sempre com conotação positiva”, sentimento que Cristina Rodrigues admite já ter tido, desde que se instalou em Manchester.

“Estão confirmadas mais de 200 pessoas na abertura, será o evento mais multicultural que aquela catedral já viu”, garante a portuguesa à Lusa.

A Rainha 02

Além de “A Manta”, que tem sete metros de altura e cinco metros de largura e quase 200 quilos de peso, será instalada “A Rainha”, peça dominada por uma coroa de lata que fez parte da procissão da Nossa Senhora do Almortão, em Idanha-a-Nova, da qual saem fitas coloridas e flores de papel inspiradas nos arraiais populares portugueses.

Por fim, Cristina Rodrigues irá estrear “Enlightenment”, obra composta por duas peças de ferro forjado, uma branca e outra preta, feitas em Portugal, decoradas com vidro, cristal, cerâmica e colares de bijuteria, cuja referência à beleza e imagem exterior feminina constitui uma “farpa” às mulheres inglesas.

“Aqui no norte [de Inglaterra] é muito visível, sobretudo quando elas saem com as unhas falsas, as cabeleiras, as pestanas falsas, o bronzeado falso, muito coloridas”, descreveu.

A exposição, que será inaugurada pelo bispo da cidade, David Walker, e o embaixador de Portugal no Reino Unido, João de Vallera, estará na Catedral de Manchester até 21 de setembro, no âmbito do festival Dig the City.

*Jornal de Oleiros/Lusa

 

 

 

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