INQUIETUDE : Blindagem?

Inquietude

Blindagem?

Muito se fala, agora, de blindagem dos estatutos do PS. O objetivo é denegrir a imagem da direção do partido e do seu Secretário-geral, António José Seguro.

Participei na revisão estatutária levada a cabo no PS que culminou com a reunião da Comissão Nacional que se realizou na Guarda em 31 de março de 2012 onde foi aprovada a sua versão final, hoje em vigor.

Até à sua aprovação os estatutos foram discutidos, por todo o partido, pelos militantes que o quiseram fazer. Houve, no entanto um grande número de pessoas que se abstiveram de o fazer pelas mais variadas razões. Não se pode vir agora dizer que houve uma blindagem desses mesmos estatutos, se isso é argumento necessário para violá-los e para levar a cabo, agora sim, uma autêntica “golpaça” a pretexto de um “messianismo” protagonizado por um dos mais mediáticos militantes do Partido Socialista.

Até porque é, um argumento falso. Os estatutos no que diz respeito às matérias que estão em cima da mesa, são textualmente iguais a anteriores versões, palavra a palavra, vírgula a vírgula. Alguns artigos estão inalterados vai para mais de dez anos, nomeadamente no que diz respeito à forma de eleição do secretário-geral. O que acontece é que nunca na história do PS houve um líder que fosse colocado perante aquilo estão a querer exigir a António José Seguro. Após duas vitórias eleitorais exigir a demissão ao SG do partido para que outro militante, tenha ele que nome tiver o venha substituir, porque segundo a análise política desse militante, está em melhor posição para levar o partido até às legislativas. E que para tal faça dos estatutos gato-sapato, violando-os sistematicamente. É mau demais para ser verdade.

António Costa entrou a jogo fora de tempo. Teve duas oportunidades para o fazer seguindo as regras e das duas vezes demitiu-se de o fazer. Não queira agora, que o trabalho mais difícil está feito, vir beneficiar desse trabalho e recolher os louros. Porque não é garantido que o consiga. A não ser que tenha algum poder de adivinhação e possa dar garantias disso acontecer. Isso não pode, nem ele nem ninguém garantir. Porque essa decisão é dos eleitores.

 Largo do RatoA solução é pois avançar para as primárias. Não me venham agora dizer que não estão nos estatutos. Nem precisam de estar. O que as primárias vão fazer é escolher o candidato do PS a apresentar-se aos portugueses em nome do PS, ao cargo de primeiro-ministro. E essa escolha não tem de estar consignada estatutariamente porquanto não diz respeito a nenhum órgão partidário. Esses continuam, eleitos democraticamente, continuarão a ser eleitos em diretas, caso do secretário-geral e em congresso para os demais.

A abertura do partido aos simpatizantes afinal parece assustar muitas pessoas. Não é afinal com os simpatizantes que se ganham e perdem eleições no País? Então qual é o medo?

Dar a palavra aos simpatizantes é uma inovação, é uma tentativa de abrir o partido à sociedade e tornar a democracia mais participativa, logo mais rica.

E perdoem-me os meus camaradas militantes que não esteja de acordo quando dizem que isso é diminuir a sua condição de militantes. Deviam estar felizes, porque as primárias ao abrir o partido à sociedade está a responsabilizar os militantes. Responsabilizá-los na sua postura, na qualidade da sua militância e na substância dessa mesma militância. Ser militante não é só pagar quotas. É participar, ativamente, na vida do partido, é fazer trabalho político nas suas mais diversas vertentes, é participar das atividades do partido é votar quando a isso é chamado.

Infelizmente muitos dos que agora defendem mais direitos para os militantes, em detrimento da abertura à participação cívica dos simpatizantes, são os primeiros a estarem frequentemente ausentes da vida quotidiana do partido.

* Coluna do Director-Adjunto, José Lagiosa, todas as 5ªs feiras

Partido Socialista - bandeira vermelha

 

 

 

 

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