ICEBERG – Réquiem à Troika

Réquiem à Troika.

Coluna de J. Vitorino

A falta de coerência é uma desonestidade assumida por muitos portugueses; que esquecem ou não se querem lembrar, quem foram os principais responsáveis pela situação a que chegámos; não podemos passar o resto das nossas vidas a atirar com a verdade para debaixo da carpete.

Portugal tenta sair do subjugo da troika; não é uma saída verdadeiramente limpa, porque enfrenta muitos condicionalismos, mas é a única de momento possível; embora eu tenha estado muitas vezes em desacordo com a atuação deste governo, prefiro este fim a um programa cautelar, que seria um segundo resgate disfarçado; visto do exterior como uma inevitabilidade, e não como um fator de segurança para o nosso país; que como consequência aumentaria o volume e prazo da nossa dívida.

Portugal encontra-se no ponto mais baixo da confiança que os portugueses têm nos políticos, e também deixou de ser visto como um país sério; uma proposta para negociar os juros e prazos de uma dívida, seria bem diferente de pedir a sua restruturação; quando ainda nem sequer a começámos a pagar.

A apatia pelos atuais partidos e seus representantes, terão um efeito negativo nas próximas eleições, colocando em dúvida a legitimidade para estes continuarem com a ação governativa se os portugueses não forem votar.

O país anda desmotivado e a situação tende a agravar-se arrastando a imagem de Portugal, que já é visto em toda a Europa como sendo o que menos cultura política possui, e também onde não existe uma verdadeira democracia.

Portugal vive numa partidocracia desde 1974; quem estiver minimamente atento, sabe que uma mudança que beneficie todos os portugueses só será possível, quando os responsáveis pelo país há 4 décadas abrirem a sociedade a todos; e que não se escondem atrás de leis por eles fabricadas, para que os portugueses não interfiram nelas; eles são 5% da população mas foram mais que suficientes para afundarem o país. Portugal vive numa sociedade fechada à maioria, enquanto se abre para uns quantos privilegiados, hoje temos uma certeza incontornável; o país não se libertou da fome e da pobreza, do atraso e de uma grande incerteza no futuro; 80% dos portugueses vivem pior que em 1974; Por incrível que pareça,  parte da comunicação social está comprometida com esta mentira, que tem sido “enfiada” aos portugueses durante os últimos anos; que é convencer os portugueses de que existe liberdade, e que o estômago vazio é o preço a pagar pelas nossas crianças e idosos, pelo frágil legado sempre ameaçado e atirado à cara, por alguns dos intervenientes no “golpe” de 1974.

Estamos a assistir à pior crise desde as invasões francesas, e os portugueses têm que pensar o seu futuro quanto antes. Certezas apenas haverá uma; a Nação Portuguesa nunca se levantará com aqueles que a prostraram; porque sempre colocaram o interesse dos seus partidos, à frente do nosso país; digo nosso porque não pertence aos que o arruinaram, ao longo dos últimos 40 anos.

Os arautos da desgraça, com o aproximar das eleições andam cheios de otimismo; e até já prometem acabar com os “mendigos” no nosso país; devem estar a pensar neles e nos amigos; esquecendo os outros 10 milhões, que os seus partidos ajudaram a empobrecer ao longo dos trágicos últimos anos.

Desloquem-se ao interior, para ver como está a nossa agricultura; e aos nossos portos marítimos, onde a atividade pesqueira atingiu o mais baixo nível de sempre; tendo aí a resposta em como acabar com os pobres no nosso país.

Romper com os males e suas causas associadas, e reativar valores do passado como o trabalho, a coragem e o patriotismo; sem os quais Portugal nunca sairá deste “gueto” em que se encontra, terá que ser a futura palavra de ordem.

* Joaquim Vitorino    –   Vermelha – Oeste, é Colunista do Jornal de Oleiros e Sub-Director do Jornal de Vila de Rei.

“ICEBERG” é a Sua coluna âncora.

Joaquim Vitorino

OBS: O Autor escreveu este artigo, ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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1 Response to ICEBERG – Réquiem à Troika

  1. A. Graça diz:

    Excelente análise, cheia de verdades inconvenientes, e, por isso mesmo, escondidas

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