Natal dos Emigrantes; o regresso adiado, por Joaquim Vitorino

Os nossos emigrantes são de todos nós, os que mais intensamente sentem o Natal; muitos não se deslocam ao seu país de origem há muitos anos por motivos económicos, ou porque entretanto perderam as raízes familiares; outros ligaram as suas vidas a famílias dos países de acolhimento; este é um custo subjacente ao fenómeno emigratório que não tem sido bem contabilizado; muitos optaram pela língua do país acolhedor e esqueceram a nossa; nunca o fariam se Portugal cuidasse dos que tiveram que partir, e que nunca lhes foram oferecidas condições para regressar; pelo contrário o nosso país entrou num crepúsculo sem perspetivas de regresso à normalidade.

Os portugueses mais pobres estão a levar a solidariedade entre si quase ao limite; as suas possibilidades económicas estão praticamente esgotadas, sendo este grupo a grande ajuda dos que não têm mesmo nada.

Os primeiros estão a prestar a este governo uma grande ajuda, pois a solidariedade para com os ainda mais pobres, evita a contestação na rua a clamar por direito á comida para os seus filhos e eles próprios; enquanto uma outra parte da população peca pela indiferença, completamente alheios ao sofrimento dos outros; uma perda de valores que não era uma característica dos portugueses.

A Igreja tem um papel fundamental e preponderante na ajuda aos mais carenciados, mas está a ter grandes dificuldades para dar resposta a esta tragédia que está a atingir o nosso país. Portugal está no ponto mais baixo da sua existência e nem se aproxima da sombra do que foi no passado, pelo respeito que incutíamos a todo o Mundo por tudo o que fizemos, e o papel que tivemos na divulgação da civilização Ocidental; a Nação portuguesa caiu a pique nas últimas três décadas, estando comprometida toda a esperança, de um futuro digno para as próximas gerações.

Ninguém sente esta realidade como aqueles que tiveram que partir em busca de um futuro melhor. Muitos deixaram filhos de tenra idade e os pais muito idosos que não voltariam a ver por falta de condições económicas.

A recordação do Natal foi sempre uma constante no pensamento dos nossos emigrantes; esta imagem da reunião familiar nunca os abandonou, e constituiu um grande alento para aqueles que tiveram que enfrentar grandes dificuldades até se integrarem nos países de acolhimento e comunidades locais. Muitos só conseguiram regressar às suas terras de origem vários anos depois da sua partida, e quando chegam os filhos já não os conhecem, e nem sentem pelos que partiram qualquer empatia, pois entretanto foram integrados noutras famílias por opção do cônjuge que ficou; e os pais que deixaram para trás terão que se despedir deles junto das suas campas; sendo a partida de muitos dos nossos emigrantes duplamente penalizada.

A ditadura da pobreza chegou a Portugal disfarçada de democracia e veio para ficar; a fuga de centenas de milhares dos nossos cérebros não ajuda a inverter esta situação que se agravará nos próximos anos, com a dívida e juros que teremos que pagar.

É um futuro negro que espera os mais carenciados; mais de 40% dos portugueses não terão possibilidades de educar os seus filhos, onde apenas um em cada 30 entrará numa Universidade; até porque o futuro do ensino em Portugal será a privatização.

Portugal é um país desigual, e sem grandes perspetivas de mudança; a emigração vai continuar para as próximas gerações, uma situação que nos envergonha, e em particular os nossos emigrantes, que tudo têm feito para dignificar o nosso país.

Em pouco mais de uma década Portugal perdeu grande parte do seu Património, crivou-se de dívidas e regrediu em cultura e na educação; baixou drasticamente o nível de vida dos seus cidadãos, e colocou em risco contínuo a Soberania da Nação.

Os nossos emigrantes continuarão a ser uma mais-valia para o nosso país, eles deram tudo para pouco ou nada receber; não têm condições para regressar, porque a situação em Portugal é dúbia, e o futuro apresenta-se negro e indistinto.

* Joaquim Vitorino – Vermelha – Para os Jornais de Oleiros e Vila de Rei.

PS: FESTAS FELIZES a todos os nossos Emigrantes, são os desejos sinceros do Autor.

Joaquim Vitorino

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