A grande porta atlântica, por Joaquim Vitorino

O descalabro da economia portuguesa tem na sua génese, os grupos oligárquicos, dentro dos dois maiores partidos políticos, do arco da governação; que dominaram os destinos de Portugal, nos últimos anos. Recentemente os portugueses sentiram, essa pressão sobre António José Seguro e Passos Coelho, quando da tentativa de um acordo.

Se o Presidente da República, tivesse optado por um governo de sua iniciativa, teria uma obstrução cerrada por parte destes grupos, em defesa dos seus interesses; provavelmente teve este fator em linha de conta. Os portugueses estão a empobrecer, e o nosso país está a regredir a olhos vistos, estamos a aproximar-nos da linha do subdesenvolvimento; não nos conforta termos entrado na União europeia com as mãos vazias, porque vamos ter que sair com muito menos, e ainda temos que juntar, o peso da dívida.

A economia paralela não para crescer; é uma consequência direta do desemprego, mas não é a única causa. Efetivamente, vamos assistir a uma rápida quebra na qualidade de vida, que os portugueses adquiriram nos últimos anos.

O corte nas reformas, e os milhares de funcionários públicos a serem compelidos a aceitar rescisões, porque quanto mais tarde o fizerem, piores serão as condições “em cima da mesa”, coloca a estes trabalhadores, um quadro negro na sua frente; que é a dificuldade que terão nos próximos 20 anos, em conseguirem trabalho.

Mas a situação mais dramática, está reservada para aqueles, que optarem por receber indemnizações, ou serem forçados a ela; os familiares brevemente, vão encontrar-se também na situação de desempregados; sem quaisquer ajudas, depressa obriga aos primeiros, por questão de solidariedade familiar, a repartir com eles o provento da “VENDA” do seu posto de trabalho; em alguns casos sem lhes terem sido, apresentadas alternativas; os valores que vão receber pouco vão durar, obrigando-os a procurar uma nova ocupação, que em alguns casos serão, em mercado de trabalho clandestino; pago também por quem exerce há muito, este tipo de economia.

Como se não fosse o suficiente, dezenas de milhares de funcionários públicos, serão colocados em regime de mobilidade, com cortes brutais nos seus rendimentos, que coloca a sua subsistência, e dos seus familiares em “risco” de pobreza, quase extrema.

Este governo está a abrir, o maior “fosso” assimétrico de toda a Europa. A pobreza quando esta é forçada, arrasta de imediato muitos fatores negativos, onde se inclui grande perda de valores, que são subjacentes a este drama, que nos aparece quase do nada, sem que para tal, a nossa população tenha sido minimamente prevenida; tudo para dar cumprimento a compromissos feitos, sem cálculos de risco.

Independentemente das razões que pensem ser as melhores, existe uma que não lhes assiste; que é colocar a maioria dos portugueses de um momento para o outro, nos mais pobres e endividados de toda a Europa.

A seguir vem o atraso a todos os níveis, é só esperar para ver. Os governantes que assumirem estas medidas, vão ter um enorme peso no futuro, tanto nas suas consciências, como nas responsabilidades políticas subjacentes. O nosso país, encontra-se numa situação geográfica privilegiada, tem que tirar partido dela, como já o fez no passado.

Sines

Portugal é a Grande Porta Atlântica

que nos pode trazer grandes vantagens, que de momento seriam mais que os riscos expostos, se o país fosse um paraíso fiscal “Offshore”.

Sines é um exemplo; o maior e mais bem posicionado porto Atlântico de águas profundas.

Nenhum outro país europeu, goza deste privilégio; como no passado, Portugal pela posição geográfica, tem todas as condições, para ser um grande polo de atividade económica europeia.

Portugal é um país há muito desaproveitado, a nossa situação não poderá ser resolvida, de costas voltadas para Espanha, que tem um grande peso, no nosso desenvolvimento económico.

Os portugueses já entenderam, que a solução dos seus problemas não é em Berlim, que esmaga Portugal com austeridade, e falta de solidariedade.

Temos que enfrentar a crise a sós; e não há tempo a perder; não contem com os outros. Só um país sai incólume, deste vendaval económico e financeiro; é a Alemanha.

Ao contrário do que muitos pensam, o custo do segundo conflito Mundial, não está a ser pago por eles, mas sim pelos parceiros do Sul; com taxas de juros impostas por Berlim, 7 vezes mais elevadas do que as pagas pela Alemanha. Nenhuma economia consegue disparar, sujeita a estas condições, que nos arrasta para uma subserviência contínua. Angela Merkel vai continuar, a mandar na Europa por mais quatro anos; estes serão mais que suficientes, para o golpe de misericórdia no nosso país; não podemos aceitar esta fatalidade.

Os portugueses têm nos últimos anos, deixado para os outros, a tarefa que nos cabia a nós; é tempo de aprendermos a lição.

Neste período de Eleições, a “algazarra” política a que o país fica sujeito, não desmente um facto real, que abaixo em Post Scriptum, referencio.

*Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros, Representante no Cadaval

Vermelha – Cadaval    

PS: Ao futuro das nossas crianças; presentemente as mais pobres e infelizes da Europa, o que constitui uma vergonhosa afronta, para todos nós.

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