Aljubarrota, 628 anos depois…que independência?

                                     ALJUBARROTA, 628 ANOS DEPOIS… QUE INDEPENDÊNCIA?

Batalha de Aljubarrota

Não são raras as vezes, que só com o regresso ao passado, nos permite analisar o presente e perspetivar o futuro; acontece nas nossas vidas, e sobretudo no nosso país.

A Europa sofreu nos últimos 1000 anos metamorfoses, que deram lugar a muitas Nações, enquanto outras, simplesmente desapareceram; Portugal é o único país na Europa, com fronteiras definidas desde a sua fundação. Os pequenos países querem ser sempre independentes dos grandes, quando os separa algumas diferenças; a independência de um país, tem que ser complementada com qualidade de vida, e liberdade de expressão.

Recuamos ao longínquo dia 14 de Agosto de 1385, a Batalha de Aljubarrota que os portugueses venceram, com a ajuda de 300 arqueiros ingleses, que não tiveram uma única baixa. Castela terá perdido 6 vezes mais soldados que Portugal, que afirmou naquele dia, o direito incontestável à independência. Mas a grande vitória naquele dia pertenceu à Inglaterra, que além de não perderem na batalha um único homem; os ingleses tinham acabado de dividir a grande Ibéria que constituía Portugal e Espanha, para poderem Reinar no velho Continente durante centenas de anos; com Portugal “dono” de uma faixa marítima de mais de 1000 quilómetros, a Espanha ficou entalada entre a França e Portugal, que desde então passou a ser um protetorado Inglês.

A fatura tem-nos sido apresentada ao longo dos 628 anos. A Portugal a partir desse dia, nunca foi permitido desviar-se do rumo traçado pelos ingleses.

Nesse fatídico dia para os espanhóis, mas também para nós constatamos hoje, Portugal nunca pode chegar a um entendimento com Espanha, porque colidia com a hegemonia e interesses dos Ingleses, que queriam controlar toda a costa Atlântica, o que não nos permitia quaisquer alianças com Espanha.

A prova chegou com o vergonhoso ultimato de 1890, cujas consequências ainda hoje nos afeta, não só teve duros reflexos na nossa economia, mas também na nossa dignidade como povo. A última tranche da dívida contraída aos ingleses, foi paga em 2011; para além dos milhares de soldados portugueses sem prévia preparação, que foram enviados à pressa, para morrer nas trincheiras da Flandres e Normandia, onde milhares perderam a vida; só em La Lys foram mais de 10.000 mortos num só dia, numa guerra em que Portugal, nada tinha a haver; foi apenas dar cumprimento a uma aliança militar imposta na sequência do ultimato, e que os ingleses arrastaram-nos para ela; a prova de que esta aliança apenas serviu unicamente os ingleses, veio a confirmar-se quando o Presidente Indiano Pandita Nehru, mandou em 1959, invadir Goa Damão e Diu; a que, a Inglaterra não levantou um único dedo, em defesa do seu (velho aliado). Em suma, a verdadeira independência de uma Nação, só pode ser entendida quando não é subjugada aos interesses de outra. Resumindo, tanto no passado como recentemente, Portugal nunca teve decisores á altura, de nos colocar a salvo dos que se dizem ser nossos amigos; foram os ingleses no passado, e agora são alguns dos “parceiros” europeus, que nos tem fragilizado ao ponto, de mais uma vez estarmos na eminência, de voltarmos a perder a independência.

Foi a nossa aproximação à Alemanha e França, que teve em parte, na origem do ultimato de 11 de Janeiro de 1890; Lord Salisbury primeiro ministro de Inglaterra, sabia que Portugal não tinha outra saída, que não fosse recuar nas suas intenções, de ligar por terra o Atlântico ao Indico.

Por ironia neste momento, não é a Inglaterra mas sim a Alemanha, que nos está a vergar, não pelas armas mas pelo dinheiro, onde só nos deixam duas opções; ou a fome ou subserviência. Nestas condições a nossa independência, é uma metáfora para consumo interno.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

PS: À Memória do meu Avô Paterno; nascido em Aljubarrota, no ano do ultimato de 1890.

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