Potencialidades, ” O poder da escala”, por Inês Martins

Inês Martins

O poder da escala

 

Os principais vetores em que se deve apostar para garantir o eficiente desenvolvimento económico das regiões, principalmente as do Interior baseiam-se na captação da procura, no ganho de escala, na otimização da afetação dos recursos e no incremento de uma oferta capaz de responder à sofisticação da procura.  

Cada vez mais se percebe que um território, só ganhando escala, se consegue afirmar em cada um dos seus clusters económicos. Sendo o turismo uma atividade económica importante, representando 9% do PIB nacional e 8% do emprego, se queremos ser eficientes, é fundamental que se pense em reforçar a escala dos territórios, garantindo-lhes um desejado posicionamento enquanto destino turístico e uma maior força comunicacional. Passar uma mensagem sobre determinada região e os seus pontos fortes ganha muito mais peso quanto maior for a sua escala. Só assim se consegue uma maior visibilidade e uma eficaz promoção e venda dos produtos e serviços turísticos junto dos operadores.

Há sempre um denominador comum transversal a um território agregado que pode ser visto como uma oportunidade, reforçando-lhe a identidade e contribuindo para a sua valorização. Agregar interesses comuns para que se crie um cluster forte deve ser percebido por todos como uma prioridade.

A região onde Oleiros se insere possui inúmeros pontos fortes e potencialidades, assistindo-se atualmente ao incremento da oferta hoteleira existente e muito importante, a uma qualificação da resposta face a uma procura cada vez mais sofisticada. Nesse aspeto, existem duas questões que seria importante refletir, as quais têm a ver com o acesso dessa procura e o posicionamento estratégico de Oleiros.

Este é um concelho que se situa no eixo de ligação entre Fátima e a Serra da Estrela, dois destinos turísticos de massas que anualmente movem muitos milhares de pessoas em torno da procura pelo turismo religioso e da neve. Garantir uma eficiente mobilidade entre os dois destinos, através de uma via que passasse pela chamada Zona do Pinhal, poderia ser uma importante alavanca ao desenvolvimento económico da região e do país.

Se até aqui esta seria uma hipótese remota, hoje em dia, com a melhoria das acessibilidades que se tem verificado na região (uma conquista com vários séculos de reivindicações) e por outro lado, considerando que para a conclusão desse eixo ficam apenas a faltar dois troços: Ferreira do Zêzere – Cernache do Bonjardim e Oleiros – Fundão, este é um argumento que ganha cada vez mais peso e nesse aspeto, o poder da escala pode ser fundamental.

* Inês Martins, Colaboradora Especializada, é Vice-Presidente do Conselho de Fundadores do Jornal de Oleiros

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