O Museu da Floresta, por Fernando Dias

O MUSEU DA FLORESTA

Corro o risco de, ao tornar pública uma ideia, a mesma ser aproveitada por outros e não por alguém da nossa terra. De qualquer modo, penso que é melhor partilhar as ideias do que guardá-las fechadas na nossa cabeça. Se, como diz o ditado, “Da discussão nasce a luz”, então que se discutam e troquem e aperfeiçoem as ideias.

Oleiros nunca terá sido uma região de grande produção agrícola, tão rigorosos são os seus Invernos e tão montanhoso é quase todo o concelho. Tem sido, isso sim, um território densamente florestado com espécies variadas ao longo dos séculos.

Terá havido grandes manchas de carvalhos e de castanheiros (veja-se a quantidade de lugares com nomes relacionados: Carvalhal, Carvalheira, Vale do Souto, Souto Carrasco, Ribeiro do Souto, etc.. Durante muitas décadas, dominou o pinheiro bravo e, mais recentemente, há uma notória “invasão” de eucaliptos. Deixo para outros a discussão sobre as espécies mais adequadas e sobre o que deveria ser feito para bem da nossa floresta. O que é inegável, é o seu imenso valor, desde há muitas gerações. Muitas famílias se governaram da floresta, muitos jovens estudaram com o rendimento da floresta, muitos milhares de toneladas de resina e de madeira já saíram da floresta de Oleiros.

Assim sendo, parece-me ajustada a ideia de aqui criar um MUSEU DA FLORESTA. Não sei se já existe noutro concelho, mas desenvolvo na mesma a minha ideia. A floresta já deu muita resina e ainda dá madeira para vários fins, dá lenha, mato, caruma, pinhas, cogumelos, medronhos, serve de pasto para o gado caprino, tem caça, tem ar puro, recantos magníficos e uma enorme diversidade de plantas e de animais. E sobre cada um destes aspetos, há uma história secular de trabalhos, de utensílios, de episódios e de atividades para recolher e para mostrar, principalmente aos mais novos e aos visitantes. Mas a floresta não é só passado, também tem de ter futuro. Também um museu não deve apenas mostrar o que havia, mas sensibilizar, ensinar, estimular o conhecimento, promover a investigação, ser uma fonte de saber e de estudo. Conheço alguns museus temáticos com enorme sucesso. Criam postos de trabalho diretos e indiretos, atraem milhares de visitantes ao longo do ano, geram riqueza e dão nome e movimento às localidades onde estão instalados.

Talvez este também tenha pernas para andar. Talvez fizesse sentido em Oleiros. Talvez também pudesse ser um caso de sucesso na nossa terra.

* Fernando Dias, Professor, Colaborador do Jornal de Oleiros

 

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